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Papa Francisco em Bari Papa Francisco em Bari 

Papa Francisco reza com o Oriente Médio

Leonardo Baldissera Gonçalves, formado em Relações Internacionais, fez uma reflexão sobre a ultima peregrinação do Papa a Bari, que teve como principal objetivo a oração pela paz no Oriente Médio.

Leonardo Baldissera Gonçalves - Florianópolis

No último sábado, 07 de julho, o Papa Francisco visitou a cidade italiana de Bari. A cidade que abraça uma devoção à São Nicolau reuniu os líderes das Igrejas e das comunidades Cristãs do Oriente para que, pela intercessão do padroeiro, a paz, a conciliação, o perdão e a misericórdia fossem difundidos ao Oriente Médio. O encontro ecumênico de oração não alcança somente aos fiéis católicos, mas todas as pessoas assoladas por situações adversas, situação de sofrimento e condições de escassez e fragilidade.

O gesto do Pontífice reconheceu a generosidade e prontidão dos líderes religiosos, mas sobretudo quando fala de proximidade quer justamente apontar para uma cultura do encontro. São Nicolau, bispo do Oriente, viveu um grande testemunho ao mostrar, com sua vida, o caminho do Sol Nascente, onde brotou a fé e nasceu Jesus Cristo.

A Doutrina Social da Igreja toma forma com as incontáveis obras pastorais ao redor do mundo. Outros Papas dispuseram-se a um ardor missionário indo ao encontro do Médio Oriente: o ecumenismo é a ponte entre o conflituoso mundo oriental e a Paz como vocação da humanidade. O Papa Francisco, portanto, no gesto de reunir os representantes em um claro apelo à Paz, põe-se a serviço desta Paz; O discurso e a ação unidos para atender ao apelo oriundo do berço do Catolicismo Romano.

A Comunidade Internacional espera um posicionamento da Igreja, que não apenas se mobiliza em palavras – essenciais, por sua vez – mas envia seu líder a peregrinar pela Paz. Logo no primeiro ano de Pontificado (2013), evidenciou-se a preocupação do Santo Padre com uma agenda central para o Oriente Médio: o reconhecimento da Palestina como Estado.

Para ti haja Paz!

 

A importância de atos concretos não significa apenas uma proximidade com causas humanitárias, mas o coração da Igreja se volta à “terra de gente que deixa a própria terra” como afirmou o Santo Padre na ocasião em Bari. A crise dos refugiados, as guerras que se multiplicam, recursos vitais e estratégicos ameaçados, são algumas das conjunturas enfrentadas na região. O contexto geopolítico revela, se o ser humano for melhor observado, a urgência de anunciar a Paz seguindo o apelo de Deus e da humanidade.

A peregrinação do Papa Francisco contou com dois momentos extremamente significativos representando essa condição; A vela de chama única foi acessa mostrando que o cristão é chamado a ser sal da terra e luz do mundo,

“nos momentos escuros da história não se resignam com a escuridão que tudo envolve, e alimentam o pavio da esperança com o azeite da oração e do Amor [...] e quando se estende a mão para o irmão sem buscar o interesse, arde e resplandece o fogo do Espírito[...] Disse o Santo Padre.”

A segunda ação soube fortalecer a centelha da esperança sob o clamor do mundo de tantos sofrimentos; jovens voluntários uniram-se para acender velas e entregar a cada um dos líderes religiosos presente durante a ocasião, confiando eles a missão de protagonistas no anúncio da Paz.

Em 2017 quando questionado pelo Sociólogo Dominique Wolton sobre qual seria o principal obstáculo à Paz na atualidade, o Papa Francisco foi taxativo em sua resposta : “o dinheiro”. Os interesses econômicos exacerbados alicerçados no interesse próprio formam um triste silêncio agravado pela desigualdade. A Igreja responde a um chamado de Deus, e da mesma maneira o Senhor responde ao chamado dos homens, cada vez mais necessitados no Oriente Médio, mas profundamente marcados pela fé viva e vivencial.

É evidente a centralidade da Paz nas principais buscas da humanidade, e se a Paz é o próprio Jesus Cristo, a visita do Papa Francisco a Bari mostra ainda mais responsabilidades cristãs nas relações internacionais. O Pontífice ainda atentou para o risco que os cristãos correm na região, seja por perseguições, ameaças ou discordâncias, no entanto superando as barreias o Papa afirma que “a indiferença mata, queremos ser voz que contrasta com o homicídio da indiferença, queremos dar voz a quem não tem voz [...] hoje o Oriente médio chora e emudece”, as palavras do Santo Padre estão voltadas ao Ocidente, que muitas vezes suprime o grito do Oriente enquanto o “espezinham à procura de poder e riquezas”.

A Comunidade Internacional


O Papa Francisco protagoniza o interesse da Igreja Católica frente aos territórios por onde está todo o povo de Deus. Enfrentar com coragem e perseverança, com atos concretos, os desafios da humanidade mostram uma exortação em seu testemunho, mas uma ação de Política Externa firmada no evangelho.

A ênfase criticando interesses econômicos, intransigências políticas, escândalos humanitários quer – com firmeza – mobilizar uma verdadeira mudança indiferente do país atingido pelas declarações. Não houve uma responsabilização sobre as condições do Oriente Médio, mas o coração da Igreja se volta em oração, em atenção, caridade e misericórdia para atender os principais anseios daqueles que mais sofrem e colaborar com a Paz verdadeiramente.
 

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10 julho 2018, 09:53