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Matrimônio Matrimônio  (Pixabay)

Comunhão no casamento interconfessional: um convite a tomar uma decisão em consciência

O caminho para a comunhão do cônjuge não católico passa por um diálogo pastoral e pelo discernimento: a Conferência Episcopal alemã publicou nesta quarta-feira as diretrizes que nos últimos meses geraram fortes divergências de opinião. O Papa Francisco aprovou, em um colóquio no dia 11 de junho com o Cardeal Marx, a publicação do documento como documento de estudo.

Bernd Hagenkord - Cidade do Vaticano

"Uma vez que a admissão genérica da parte não-católica em um casamento interconfessional à participação plena à celebração eucarística católica não é possível, se requer uma decisão pessoal tomada em consciência que as pessoas devem alcançar após madura reflexão e em colóquio com o pároco ou pessoa outra encarregada do cuidado pastoral". Esse é o cerne das diretrizes que os bispos haviam discutido em fevereiro e votado [adotado] com três quartos da maioria.

O segundo pilar do documento é este: "Uma vez que receber a comunhão nunca é um evento simplesmente individual, mas sempre toca a comunidade eclesial, a decisão pessoal exige um forte envolvimento [uma forte integração] na vida da Igreja". Por isso, o caminho para um possível recebimento da comunhão passa pelo diálogo pastoral, no qual será possível encontrar uma "boa solução para cada caso individualmente".

Na premissa das diretrizes, publicadas no site da Conferência Episcopal alemã, ressalta-se que este é um problema pastoral difícil. Os bispos citam o Papa Francisco em seu discurso por ocasião da comemoração da Reforma em Lund: "Muitos membros das nossas comunidades aspiram receber a Eucaristia em uma única mesa, como concreta expressão da plena unidade" (Declaração Conjunta, Lund, 31 de outubro). 2016). Mais de 40% dos casamentos religiosos celebrados na Alemanha são interconfessionais: os bispos reconheceram sua responsabilidade para com eles.

A declaração observa que, de acordo com o Direito Canônico, é possível receber os sacramentos da Penitência, da Eucaristia e da Unção dos enfermos até mesmo não católicos. Além disso, os casamentos inter-religiosos são bem-vindos, "em consideração a seus fundamentos comuns no batismo, na fé e em seu significado ecumênico", recordam os bispos, referindo-se a João Paulo II.

No entanto, o recebimento da comunhão por parte do parceiro não-católico permanece uma exceção. O Direito Canônico fala de uma situação de emergência que deve apresentar-se para que se torne possível dar a comunhão à parte não-católica do casal. E assim os bispos descrevem a "situação de emergência": 'É um grande pena quando a fé, que levou um homem e uma mulher a doarem-se um ao outro o sacramento do matrimônio e recebê-lo um do outro, leva ao desejo de receber a comunhão juntos sem que, no entanto, se abra um caminho para que se possa responder a esse desejo com a bênção da Igreja". Se não se consegue responder a essa "situação espiritualmente difícil", corre-se o risco até mesmo  de colocar em perigo precisamente aquele casamento, que se baseia no amor de Cristo pela Igreja (cfr. Ef 5, 32). Oferecer essa ajuda é um serviço pastoral que fortalece a união do matrimônio e contribui para a salvação do homem".

Em seu raciocínio, os bispos referem-se à percepção da divisão por parte dos cônjuges: "É uma dor profunda quando, em um casal interconfessional, a não-participação na Eucaristia do marido ou da esposa protestantes é percebida como uma exclusão. Desta forma, a relação entre o casal e a Igreja também é prejudicada".

Em particular, os bispos também se referem à "Amoris laetitia", que abre "a uma abordagem pastoral também sobre a questão da comunhão". De fato, "Amoris laetitia" afirma que, em vista das "inumeráveis diversidades de situações concretas", não é útil uma "regulamentação jurídica de tipo canônico", mas sim deve ser expresso "um novo encorajamento" em relação a um "discernimento responsável, pessoal e pessoal de cada caso". O apoio pastoral, no entanto - observam os bispos - também requer uma formação e atualização espiritual dos pastores.

27 junho 2018, 17:42