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Cristãos paquistaneses na Sexta-feira Santa, em Karachi Cristãos paquistaneses na Sexta-feira Santa, em Karachi  (ANSA)

Dom Coutts: diálogo e serviço à humanidade sofredora para vencer o ódio

Diante do crescimento de grupos extremistas que usam a religião para fomentar a intolerância, "é urgente um autêntico diálogo que é mais do que um diálogo verbal, é um diálogo de vida", diz o arcebispo de Karachi. "Significa aceitar-se reciprocamente, aprender a compreender-se, a trabalhar juntos em harmonia. Na verdade, o documento do Concílio Vaticano II 'Nostra Aetate' já tratou desta questão. Como Igreja, não devemos nos fechar”.

Cidade do Vaticano

"O diálogo inter-religioso é uma tarefa com a qual todos devemos nos envolver. Deveria ser parte integrante de nossas vidas, em um país predominantemente muçulmano como o Paquistão", afirmou à Agência Fides o arcebispo de Karachi, Dom Joseph Coutts, que no próximo 28 de junho será criado cardeal no Consistório público Ordinário convocado pelo Papa Francisco.

Aprender a convivência e o apreço mútuo

 

"Em Karachi, uma das megalópoles do mundo, com uma população entre 19 a 21 milhões, vivem inúmeras comunidades de hindus e cristãos - recorda o futuro cardeal. Estamos imersos em uma sociedade verdadeiramente multiétnica e multirreligiosa: existem também os Bahai, Parsi e alguns Sikhs. Entre os primeiros a felicitar-me pela nomeação como cardeal, estava um grupo de 15 a 20 líderes religiosos de diferentes comunidades. É muito importante: com eles estamos aprendendo a convivência e o apreço mútuo".

Não aos extremismos e à intolerância

 

Conforme relatado à Agência Fides, Dom Coutts disse que "recentemente temos visto crescer alguns grupos extremistas que usam a religião para fomentar a intolerância. Neste contexto é urgente um autêntico diálogo que é mais do que um diálogo verbal, é um diálogo de vida. Significa aceitar-se reciprocamente, aprender a compreender-se, a trabalhar juntos em harmonia. Na verdade, o documento do Concílio Vaticano II 'Nostra Aetate' já tratou desta questão. Como Igreja, não devemos nos fechar”.

Promover a harmonia social

 

"Nós vivemos no mundo moderno e temos que lidar com outras religiões – acrescentou. Vamos olhar quais são os valores positivos nas outras tradições. No diálogo, todos esses elementos emergem. Em Karachi, também eu estou agradavelmente surpreso em ver quantas pessoas da sociedade civil, de diferentes esferas da vida e de todas as fés, sentem essa necessidade, e estão conscientes e preocupadas com o surgimento do terrorismo e da intolerância religiosa no Paquistão. Também as autoridades civis falam da necessidade de promover sempre mais a harmonia inter-religiosa na sociedade".

Trabalhando juntos em valores comuns

 

Dom Coutts conclui dizendo acreditar "que é mais importante o diálogo da vida do que o diálogo de palavras. É urgente trabalhar juntos em cima de valores comuns A este respeito, gostaria de mencionar algumas personalidades excepcionais: o muçulmano Abdul Sattar Edhi, que morreu há cerca de dois anos, era empenhado na solidariedade social sem qualquer distinção de religião, com base no amor pela humanidade. Outro belo exemplo é nossa irmã cristã Ruth Pfau, que a trabalhou no apostolado com leprosos ".

Serviço para a humanidade sofredora

 

"Ambos foram grandes modelos de serviço à humanidade sofredora – enfatiza por fim o futuro purpurado. Eles gozam de grande estima aos olhos das pessoas e do governo. São dois exemplos de pessoas que no Paquistão construíram pontes e romperam muros de discriminação, de ódio e de violência. São para nós uma preciosa inspiração”.

06 junho 2018, 11:35