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Encontro da Repam, em Brasília Encontro da Repam, em Brasília 

Missionários da Amazônia reafirmam compromisso

O reencontro buscou reunir missionários que fizeram formações nos últimos anos a fim de atuar na Amazônia, partilhar as experiências de missão, os sonhos, os desafios que vêm enfrentado e contribuir na formação de futuros missionários.

Cidade do Vaticano

Partilha de experiências e a busca de novos caminhos para a evangelização marcaram o reencontro de missionários e missionárias que atuam na Amazônia.

A atividade, que terminou no último domingo (20/05), teve início no dia 14 e reuniu, em Brasília, cerca de 40 pessoas, vindas das mais diferentes realidades de missão, no Centro Cultural Missionário/CCM.

Promovido pela Comissão Episcopal para a Amazônia/CEA da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil/CNBB, Rede Eclesial Pan-Amazônica/REPAM-Brasil e CCM, o reencontro buscou reunir missionários que fizeram formações nos últimos anos a fim de atuar na Amazônia, partilhar as experiências de missão, os sonhos, os desafios que vêm enfrentado e contribuir na formação de futuros missionários.

Encontro rico de partilhas

Para a Ir. Elisabeth Côrte Imperial, que trabalha em Porto Velho/RO, o encontro foi muito bom e rico de partilhas, o que a faz estar mais renovada para continuar o trabalho missionário. “Ouvir as partilhas é muito significativo, temos realidades bem diferentes, mesmo estando todos na Amazônia. O encontro nos proporcionou essa escuta, troca de experiências e a pensar novos caminhos para a evangelização na Amazônia”, afirmou a religiosa.

Durante uma semana de atividades, os missionários e missionárias tiveram palestras, formações, estudos, orações e um retiro. A psicóloga e professora universitária Yani Barbosa contribuiu com o grupo com dinâmicas e atividades de entrosamento. “Entendendo que o reencontro é um momento e se reencontrar significa trazer o que é meu para se integrar com o que é do outro, e a partir daí construir um caminho. Então todo o foco das atividades que propus ao grupo ficou muito nesse nível, pensar o que faz com que as pessoas se juntem, se integrem. Daí eu pensei na percepção, que é um conceito que acho interessante a gente pensar e a conduta atitudinal. A partir desses dois conceitos buscamos, por meio de dinâmicas e reflexões, entender a necessidade de estar com o outro”, explicou Yani.

Realidade brasileira e da Amazônia

Os assessores da CNBB, Padre Paulo Renato de Campos, assessor político, e Frei Olavio Dotto, assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora, contribuíram no reencontro com uma análise de conjuntura  da realidade brasileira e da Amazônia. Para o padre Paulo Renato, o avanço da visão de mercado, da bancada ruralista no setor político – na câmara, senado ou no executivo federal – com a grande influência que possui, entende que o Brasil é uma grande fazenda e que por isso é impossível deixar de tocar em alguma parte, o que torna frágil e suscetível a realidade amazônica com todo o avanço desenvolvimentista sem pensar na sustentabilidade da floresta e do povo.

“Hoje nós enfrentamos forças obscuras na sociedade que não conseguem perceber além dos seus interesses corporativos ou pessoais. E o governo e o Estado cedem a isso em muitos momentos. Aí temos legislações e decisões judiciais que precisamos estar atentos e acompanhar. O Brasil muda de postura da noite para o dia”, concluiu o assessor político da CNBB.

Missionário numa Igreja em saída

"A vida é bonita e somos eternos aprendizes". Assim começou pe. Jaime Luiz Gusberti, assessor do quarto dia do reencontro. Jaime trabalhou com o grupo o tema "A pessoa do missionário/a numa Igreja em saída". Entendendo a missão com a metáfora do jardim, o assessor ajudou o grupo a refletir a ação missionária a partir de algumas questões, como: por que você entrou no jardim do outro? Como você entrou no jardim do outro pela primeira vez? O que você “está fazendo” no jardim do outro?

O que você procura no jardim do outro? Para o padre José Arnoldo de Lima Sales, da Diocese de Itapipoca-CE, em missão na Diocese de Humaitá-AM pelo Projeto Igrejas Irmãs da CNBB, a reflexão foi muito significativa e levou a várias inquietações pessoais. “A missão é um caso de amor, um cuidado de si e do outro; uma missão transformadora, libertadora, de preferência especial pelos oprimidos”, concluiu padre Arnoldo.

Documento em vista da formação de novos missionários

Ir. Irene Lopes, assessora da CEA e secretária executiva da REPAM-Brasil, ajudou o grupo na retomada do documento de estudo número 100 da CNBB, “Missionários(as) para a Amazônia”. Os participantes do encontro puderam reler, fazer contribuições e sugestões para o documento em vista da formação de novos missionários e missionárias. Em seguida, apresentou a REPAM e o itinerário de preparação do Sínodo para a Amazõnia, chamando os missionários a contribuírem nas realidades onde estão.

“O documento preparatório chegará em breve nas dioceses e é muito importante que vocês nos ajudem na escuta dos povos tradicionais e toda a comunidade da Amazônia. O papa e os padre sinodais precisam ouvir os clamores que vêm das bases”, afirmou Ir. Irene.

Compromisso com o povo 

Dom Luiz Vieira, bispo emérito de Manaus, atualmente morando em Santa Fé, Paraná, ajudou o grupo a rezar em dois dias de retiro. Momentos forte de oração, deserto e encontro pessoal com Cristo foram motivados pelo bispo que convidou o grupo a meditar a missão, o compromisso com o povo e o chão amazônico, bem como as suas alegrias e desafios cotidianos. Dom Luiz convidou o grupo a rezar a partir das duas faces da missionariedade: paixão por Jesus Cristo e paixão pelo seu povo.

“Jesus é o modelo. Se a gente não amar o povo a missão não acontece”, destacou o bispo. Segundo Dom Luiz, na missão não se pode se distanciar da vida concreta do povo. “Nós temos que conhecer a história das pessoas para amar o povo como ele é. Nada de superioridade cultural, somos iguais. O que Jesus faz no lava-pés? Se ajoelha para olhar de baixo. Também nós devemos ter as mesmas atitudes do Cristo”, afirmou o bispo que por mais de vinte anos atuou na Amazônia.

Ardor missionário

O encontro terminou no domingo (20) e na mala muitas experiências partilhadas e o compromisso de continuar o trabalho missionário. Segundo Ir. Eulália de Paiva Lima, que atua no Maranhão, o reencontro ajudou a alimentar, ainda mais, o ardor missionário. “Saímos daqui mais fortes, mais corajosos, mais dispostos para continuar na missão”, afirmou a religiosa.

“O encontro foi muito proveitoso e vamos levar muita coisa do que vivemos aqui para a nossa atuação cotidiana. As partilhas e conhecimentos que adquirimos aqui nos servirão muito para o dia a dia”, concluiu padre João Batista Toledo, da diocese de Niterói, mas que trabalha, em Porto Velho, na área missionária do Alto Rio Madeiro, pelo projeto Igrejas Irmãs da CNBB.

22 maio 2018, 17:30