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Presidente dos bispos italianos, Cardeal Gualtiero Bassetti Presidente dos bispos italianos, Cardeal Gualtiero Bassetti 

Bispos italianos: o grande desafio da dignidade do trabalho

Mensagem da Comissão para os problemas sociais e o trabalho, a justiça e a paz, da Conferência Episcopal Italiana (CEI), em vista de 1º de maio.

Cidade do Vaticano

“A quantidade, qualidade e dignidade do trabalho é o grande desafio dos próximos anos para a nossa sociedade no cenário de um sistema econômico que coloca no centro consumos e lucro e acaba por esmagar as exigências do trabalho.” É o que escrevem os bispos italianos na Mensagem da Comissão episcopal para os problemas sociais e o trabalho, a justiça e a paz, em vista de 1º de maio.

Por um futuro de esperança a partir do trabalho

Maximização do lucro enfraquece dignidade do trabalhador

“Os dois imperativos do bem-estar do consumidor e do máximo lucro da empresa resolveram o problema da escassez dos bens e dos recursos necessários para investimentos, inovações e progresso tecnológico em nossa sociedade. Mas acabaram por colocar em segundo lugar as exigências da dignidade do trabalhador enfraquecendo seu poder contratual, sobretudo no caso das competências menos qualificadas”, ressaltam os bispos.

“Esses mecanismos encontram-se na raiz daquela produção de descartados, de marginalizados tão insistentemente ressaltados pelo Papa Francisco. E nos ajudam a entender porque nos encontramos diante de índices tão elevados de desemprego, particularmente entre os jovens”, lê-se na mensagem.

Proximidade aos últimos é exigência fundamental para a sociedade

“Hoje a depreciação da qualidade e da dignidade do trabalho leva ao paradoxo que ter trabalho (que por vezes corre o risco de ser um trabalho ocasional) não é mais condição suficiente para sair da condição de pobreza.”

Segundo os bispos, em primeiro lugar, “é necessário inovar nosso método de ação. Fazer-se próximo dos últimos, compreender e partilhar suas urgências não é somente uma tarefa pastoral, mas se torna uma exigência fundamental para toda a sociedade em todos os seus segmentos e uma tarefa inexorável para a classe política”.

Subsidiariedade e solidariedade

“Precisamos sempre de formas de subsidiariedade circular de solidariedade que contemplem novas configurações de colaboração entre todos os sujeitos, sem particularismo ou primogenituras, mas como fundamento e finalidade do conviver responsavelmente juntos por um futuro de esperança a partir do trabalho centro de todo pacto social, ressaltam ainda os bispos italianos.

“Dignidade da pessoa não significa ser destinatários de uma mera transferência monetária, mas sobretudo ser reinseridos naquele circuito de reciprocidade no dar e receber, nos direitos e deveres que é a trama de toda sociedade”, acrescentam.

Remover obstáculos para quem gera trabalho

“Com o percurso que nos levou às Semanas Sociais de Cagliari – ressalta a Conferência Episcopal Italiana (CEI) –, caminhamos pelas estradas de nosso país indo aos territórios, identificando melhores práticas e problemáticas.” As urgências fundamentais identificadas nesta viagem são três.

“A primeira é remover os obstáculos para quem cria trabalho, como ressaltou o Pontífice em seu discurso na Ilva de Gênova”. Para os bispos, “criar bom trabalho (trabalho livre, criativo, participativo e solidário) é hoje uma das mais altas formas de caridade porque gera condições estáveis para sair da necessidade e da pobreza”.

Investir na formação

“A segunda é ter instituições formativas (escolas, universidades, formação profissional) à altura destes desafios. Capazes, em primeiro lugar, de suscitar nos jovens desejos, paixões, ideais, vocações sem as quais não existe motivação nem esforço para a aquisição daquelas competências fundamentais para subir na escada dos talentos.”

“Sonhamos um mundo no qual nossos jovens não se perguntem simplesmente se poderão encontrar um trabalho, mas trabalhem com paixão e constância perguntando-se quanto bem comum poderão criar para a sociedade em que vivem”, frisam eles.

Rede de proteção aos mais fracos

A terceira urgência “é uma rede de proteção para os sujeitos mais frágeis, um instrumento eficaz de reinserção e de recuperação da dignidade perdida para os descartados, os marginalizados que desejam reinserir-se no circuito de direitos e deveres da sociedade”.

“Sobre esse ponto – advertem – pedimos às nossas forças políticas que superem contraposições instrumentais e convirjam num denominador comum de uma rede de proteção universal e eficaz.”

“Um bom trabalho é dimensão fundamental para desenvolver o nosso papel de com-criadores e chave fundamental para a geração, riqueza de sentido e florescimento da vida humana.”

(Agência Sir)

 

12 abril 2018, 20:24