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Gandhi Gandhi  (AFP or licensors)

Setenta anos da morte de Gandhi

Assassinado por um extremista contrário às suas políticas sobre minorias e sobre o Paquistão, Gandhi é considerado o pai da Índia independente. Dom Machado: “para nós indianos é ainda fonte de inspiração”.

Cidade do Vaticano

Há setenta anos, Mahatma Gandhi foi assassinado em Nova Delhi, figura fundamental da independência indiana e defensor da não violência e da resistência civil. Na expectativa das grandes celebrações que se realizarão no próximo ano na Índia e em todo o mundo pelos 150 anos do seu nascimento, Dom Felix Machado, bispo de Vasai, diocese sufragânea de Mumbai recorda a importância de sua figura na Índia contemporânea.

R. - Mahatma Gandhi para a Índia é oficialmente o Pai da nação. O que Gandhi fez pela Índia foi colocar as bases para a construção de uma civilização fundada no amor, no diálogo e nos valores morais. 70 anos correspondem quase à minha idade: nasci logo após a morte de Mahatma Gandhi, e ainda hoje me impulsiona a linfa que ele deu a todo o país. A Constituição indiana, - até aos fundamentos mesmos da democracia da nação -, está fortemente enraizada em tudo o que Gandhi disse e fez, agindo também como guia para os outros. Assim, o aniversário dos 70 anos de sua morte é verdadeiramente para nós um dia que não podemos esquecer, mas que devemos, ao contrário, celebrar. Ninguém duvida ou se atreve a mudar o que os indianos acreditam: Gandhi é verdadeiramente o pai da nossa nação.

P. Além das leis e da Constituição – a vontade de um Estado independente – o que permanece do pensamento de Gandhi na Índia de hoje?

R. - Quando as pessoas falam de uma política pura, autêntica, de valores, feita de construção, sempre se inspiram no pensamento de Gandhi, porque ele mesmo era um crente. A Índia é um país formado por pessoas que acreditam em Deus. Existem várias religiões e tradições diferentes do hinduísmo e Gandhi se apresentou como um homem de religião. Ele era hindu, mas também estava aberto a outras religiões, acima de tudo - eu diria - ao cristianismo. Todos os dias ele fazia uma oração, também com pessoas de outras confissões religiosas. Ele propunha as palavras de Jesus - as  do sermão da montanha - relatadas no Evangelho de Mateus, como fonte de princípios morais, especialmente para aqueles que se ocupavam de política. Alguns então lhe perguntavam por que fazia isso, já que era de religião hindu; Gandhi respondia: “Todos nos inspiramos a nosso Deus. E Deus é único e nos deu uma ajuda em todas as religiões”. Por exemplo, hoje há o problema do secularismo: na Índia, uma vez que estão presentes todas as principais religiões, sabemos muito bem que a laicidade como a marginalização de Deus e da religião - não é verdadeira laicidade: é uma laicidade falsa. Isso reflete o pensamento de Gandhi, e sobre esses princípios se baseia também a nossa Constituição. Então, para nós, também hoje, Gandhi continua a ser uma fonte de inspiração.

Setenta anos da morte de Gandhi
30 janeiro 2018, 13:29