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O pedido de perdão de Fujimori foi muito genérico, disse Dom Prevost. "Talvez seria mais eficaz de sua parte pedir pessoalmente o perdão por algumas grandes injustiças cometidas" Fujimori foi condenado em 2009 a 25 anos de prisão por crimes contra a humanidade  (AFP or licensors)

Bispos: perdão a Fujimori é inoportuno e desestabiliza o país

“Não é o momento justo para perdoar Fujimori: o Peru está desestabilizado e nesta situação chegará o Papa Francisco, portanto acredito que a sua acolhida não será a mesma em meio a uma crise nacional”, argumentou o bispo da Diocese de Chimbote, Dom Ángel Francisco Simón Piorno.

Cidade do Vaticano

Desconforto e desilusão, além de confusão política. Este é o clima que reina no Peru depois que o presidente Pedro Pablo Kuczynski concedeu o indulto de Natal ao ex-presidente Alberto Fujimori condenado à prisão por “crimes contra a humanidade”.

O presidente Kuczynski  havia obtido o apoio do Congresso (78 votos a favor, 19 contrários e 21 abstenções) em 21 de dezembro  para continuar o mandato presidencial, depois de ter sido acusado de corrupção e incapacidade moral pela oposição, liderada justamente pelos filhos de Fujimori.

Diante das ameaças de manifestações e protestos, a Conferência Episcopal havia pedido em 20 de dezembro para “pensar ao bem comum e na democracia” evitando assim a violência, ao mesmo tempo em que condenava  a corrupção.

A notícia do indulto a Fujimori provocou reações na opinião pública e entre a classe política. O ministro da cultura apresentou sua demissão do cargo, enquanto multidões foram às ruas protestar contra “a liberdade concedida a um genocida”, segundo a imprensa local.

“Não à graça”, gritavam os manifestantes na véspera do Natal. Já no dia seguinte, tentaram ir até o hospital onde Fujimori estava internado desde 23 de dezembro devido a uma queda de pressão, mas foram impedidos pela polícia.

Fujimori, de 79 anos, foi agraciado com o indulto pelo governo, pelas suas precárias condições de saúde, depois de ter sido condenado em 2009 a 25 anos de prisão por crimes contra a humanidade.

A Igreja Católica apelou à calma, mas criticou duramente a forma como os fatos aconteceram.

O bispo da Diocese de Chimbote, Dom Ángel Francisco Simón Piorno, considera que o perdão ao ex-presidente é uma decisão inoportuna que desestabilizou e abalou o país.

“Não é o momento justo para perdoar Fujimori: o Peru está desestabilizado e nesta situação chegará o Papa Francisco, portanto acredito que a sua acolhida não será a mesma em meio a uma crise nacional”, argumentou o prelado.

Dom Ángel também explicou que as desculpas de Fujimori devem ser melhor detalhadas e fortes do que aquelas por ele apresentadas em um vídeo  divulgado nas redes sociais: deve desculpar-se com as famílias das vítimas de Barrios Altos, La Cantuta e El Santa, entre outros.

Também o bispo da Diocese de Chiclayo, Dom Robert Prevost, falou do perdão ao ex-presidente Fujimori e disse que deveria desculpar-se com cada um das vítimas de seu governo, para entrar em um caminho de reconciliação.

“O ex-presidente Alberto Fujimori pediu perdão de forma genérica, reconhecendo em termos gerais a sua culpabilidade e alguns se sentiram ofendidos. Talvez seria mais eficaz de sua parte pedir pessoalmente o perdão por algumas grandes injustiças cometidas e pelas quais foi processado”, declarou Dom Prevost à imprensa local.

O bispo também pediu aos manifestantes que rejeitam o perdão, para manifestarem-se pacificamente nas ruas, sem insultos ou violências, para não provocarem ulteriores divisões.

(Ag. Fides)

28 dezembro 2017, 15:27