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Vatican News
As populações locais estão cansadas de violência, pois não levam a nenhum resultado, e estão sedentas de “justiça, de direitos, de verdade” A mensagem é de paz e esperança trazidas pelo Deus “que entra na história do homem, com um anúncio de alegria”  (AFP or licensors)

Administrador Apostólico de Jerusalém: decisão de Trump torna paz distante

Jerusalém é um tesouro de toda a humanidade. Qualquer reivindicação de exclusividade – quer política ou religiosa – é contrária à própria lógica da cidade, afirma o Arcebispo Pierbattista Pizzaballa aos jornalistas.

Cidade do Vaticano

O Administrador Apostólico de Jerusalém dos Latinos, o arcebispo Pierbattista Pizzaballa, encontrou os jornalistas esta quarta-feira para uma coletiva de imprensa por ocasião do Natal.

Inicialmente, o arcebispo católico e biblista italiano dos Frades Menores, fez um balanço dos eventos que marcaram a vida eclesial na Terra Santa no decorrer de 2017, traçando a seguir um panorama mais amplo sobre a realidade social e política do contexto em que a Igreja atua.

A recente decisão de Trump de transferir a embaixada EUA em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, esteve no foco de sua análise:

“Há poucos dias – declarou – todos assistimos à declaração do Presidente dos Estados Unidos, cujas consequências são conhecidas e ainda não cessaram totalmente”.

“A posição da Igreja Católica a este respeito é clara e foi reiterada pelo próprio Santo Padre: respeitar o status quo da cidade, em conformidade com as pertinentes Resoluções das Nações Unidas”.

“Em nosso comunicado – completou - consideramos que qualquer solução unilateral não pode ser considerada uma solução. Decisões unilaterais não trarão a paz, antes pelo contrário, a tornarão distante”.

“Jerusalém é um tesouro de toda a humanidade. Qualquer reivindicação de exclusividade – quer política ou religiosa – é contrária à própria lógica da cidade”.

Os votos são de que a violência que eclodiu nestes dias com a decisão “cesse completamente e que se possa continuar a discutir legitimamente sobre Jerusalém no âmbito não somente político, mas também religioso e cultural”.

Para Dom Pizzaballa, a grande ausência da política neste momento é fonte de “frustrações e desorientação”,  pois não se sabe “se e o que está sendo amadurecido nas chancelarias dos países que decidirão o nosso futuro”.

As populações locais estão cansadas de violência – reiterou – pois não levam a nenhum resultado, e estão sedentas de “justiça, de direitos, de verdade”.

O arcebispo recorda que podem parecer “afirmações genéricas e retóricas”, mas no contexto vivido na região, estas palavras estão ligadas a fatos do dia-a-dia, como as dificuldades nos deslocamentos e na liberdade de movimento, nas permissões, nas famílias separadas, e estas dificuldades são vividas também por famílias cristãs.

Apesar dos desafios e incertezas, a mensagem final é de paz e esperança, trazida especialmente pela celebração de Natal, do Deus “que entra na história do homem, não com um anúncio de julgamento, imagens de desventura e de castigo”, mas que vem “com um anúncio de alegria”.

20 dezembro 2017, 18:09