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Maryse Condé Maryse Condé  (AFP or licensors)

Faleceu Maryse Condé – Maga das Palavras

Faleceu neste dia 2 de abril de 2024, aos 90 anos, a escritora da ilha de Guadalupe, Maryse Condé. Nobel Alternativo da Literatura em 2018, ela deixa uma vasta obra literária sobre temas como a escravatura, o colonialismo, o racismo, identidade e cultura. Uma das sua obras emblemáticas é "Eu, Tituba, Bruxa Negra de Salem" ou ainda "Segu" ambientado na África Ocidental, onde viveu vários anos. Era Professora jubilada da Universidade de Columbia, onde ensinou Literatura.

Dulce Araújo - Vatican News

À Maryse Condé, considerada a primeira afrodescendente a escrever sobre a África, dedicáramos, em dezembro de 2020, uma emissão em que Filinto Elísio (Rosa de Porcelana Editora) traçara o seu perfil, pondo em realce a riqueza e a variedade da sua obra literária tanto em termos de género, como de épocas e temáticas que abrange. Uma “maga das palavras” como chegaram a defini-la, tudo contribuindo para fazer dela "uma narradora excecional, cuja escrita pertence plenamente à literatura mundial" - sublinhou a organização sueca "The New Acadamy" ao atribuir-lhe, em 2018, o Prémio de Literatura (visto como Nobel alternativo), altura em que o Prémio Nobel de Literatura tinha sido suspenso. 

Para além da crónica do poeta, Filinto Elísio, a emissão sobre a figura e obra de Maryse Condé contou também com o contributo da sua conterrânea, Josette Martial, cantora, atriz de teatro que a conheceu, leu numerosas obras dela e fez mesmo, em colaboração com ela e baseada em sete obras dela, a peça teatral, "La Voyajeuse" (a viajante), uma viagem geográfica, humana e artística com músicas de artistas de vários horizontes. 

Josette Martial
Josette Martial

Josette Martial tem uma grande admiração por Maryse Condé e não deixa de aconselhar a leitura das suas obras, em particular "Segu" em que a autora põe em evidência a magnificência da África. Foi revolucionário escrever esse livro naquela época, considera Josette, sobretudo tendo em conta que Maryse Condé, como ela própria afirmava, cresceu num ambiente alienante em relação às suas raízes culturais africanas. Só mais tarde viria a tomar consciência da sua identidade negra e da necessidade de se cultivar para a defender. A mensagem é que "toca a nós estudar, investigar, procurar o conhecimento"  remata Josette Martial,  que conta, com emoção, o privilégio que teve de se encontrar, em 2006, com Maryse Condé e de lhe manifestar o desejo que vinha alimentando de fazer algum trabalho com ela. 

Mas, o melhor é ouvir diretamente as suas palavras nessa emissão que aqui disponibilizamos em homenagem a essa importante figura literária da África e da sua ampla diáspora e em que se pode apreciar também a crónica de Filinto Elísio. 

Oiça
Maryse Condé
Maryse Condé

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02 abril 2024, 13:56