Busca

Dulce Almada Duarte Dulce Almada Duarte  

Dulce A. Duarte – combatente e defensora da língua caboverdiana

A linguista Dulce Almada Duarte, homenageada estes dias no Festival de Literatura-Mundo do Sal, foi uma vanguardista nos estudos científicos da língua caboverdiana, cujo ensino formal defendia. Isto não aconteceu até hoje e Cabo Verde se encontra numa situação paradoxal, considera a também defensora da língua caboverdiana, Adelaide Monteiro, no programa “África em Clave Cultural: personagens e eventos” que conta igualmente com uma crónica do editor, Filinto Elísio, sobre a homenageada.

Dulce Araujo - Vatican News

Maria Dulce de Oliveira Almada Duarte, faleceu, na cidade da Praia, a 19 de agosto de 2019, aos 86 anos.

Foi “uma revolucionária em prol da libertação de Cabo Verde, da sua língua e cultura” (Filinto Elísio) e deixou ao seu país-natal importantes instrumentos para o ensino formal da língua cabo-verdiana e para uma nova metodologia de ensino da língua portuguesa em Cabo Verde na ótica de um verdadeiro bilinguismo no país e não de uma situação de diglossia, como explicou no livro “Bilinguismo ou Diglossia?” (1998).

Mas, esses instrumentos que, segundo a linguista, Adelaide Monteiro, são de grande atualidade, não foram ainda postos em prática, encontrando-se Cabo Verde hoje numa situação de paradoxo: uma parte da população a defender a língua cabo-verdiana e outra a língua portuguesa, quando na realidade se trata de defender ambas. O que não se pode fazer - afirma - sem o ensino formal da língua cabo-verdiana.

A questão é urgente, caso contrário, a língua materna do país continuará a descaracterizar-se como já afirmava, preocupada, Dulce Almada Duarte. Aliás, isto tem vindo a piorar - confirma a Adelaide Monteiro, autora da gramática breve “Auto da Língua Caboverdiana - alguns traços estruturais” (2019).

Esta investigadora não tem dúvidas de que há atualmente no país um novo fervor, da parte da sociedade civil, na promoção da língua de Cabo Verde, mas a isto não correspondem medidas políticas adequadas. Aliás, o Parlamento aprovou em abril de 2023 uma lei que eleva a língua portuguesa a património cultural nacional de Cabo Verde, um facto que, no olhar de Adelaide Monteiro, revela, mais uma vez, que a questão fulcral é o ensino formal de ambas as línguas usadas em Cabo Verde: a língua caboverdiana e a língua portuguesa.

Mas a situação é de paradoxo e é sobre isto, ou melhor sobre “Os efeitos dos discursos epilinguísticos na construção da identidade linguística” que Adelaide Monteiro vai falar no Festival de Literatura-Mundo do Sal, cuja quinta edição decorre naquela ilha cabo-verdiana de 8 a 11 de junho de 2023 sob o signo temático da Língua e Identidade.

Confira tudo na emissão, onde pode conhecer melhor quem era Dulce Almada Duarte através da crónica de Filinto Elísio da “Rosa de Porcelana Editora” e da entrevista com a Drª Adelaide Monteiro, sem deixar de lado as pausas musicais em língua caboverdiana. 

Oiça e partilhe

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui

10 junho 2023, 10:27