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Cardeal Arcebispo de Bamako (Mali) e Cardeal Secretário de Estado Pietro Parolin Cardeal Arcebispo de Bamako (Mali) e Cardeal Secretário de Estado Pietro Parolin 

Mali. Líderes religiosos apelam por uma transição pacífica, inclusiva e consensual

Numa declaração do passado 30 de agosto, e após o golpe de estado que destituiu o presidente interino e o primeiro ministro do País, os líderes religiosos do Mali lançam um veemente apelo ao governo, a todas as instituições da República e às organizações da sociedade civil, a tomar todas as medidas para garantir uma transição pacífica, inclusiva e consensual.

Cidade do Vaticano

Ainda sopram ventos de crise no Mali, três meses depois do golpe de estado de 24 de maio no qual, por ordem do Coronel Assimi Goita (o mesmo soldado que havia liderado o golpe em agosto de 2020), e alguns militares do exército, prenderam e destituíram o presidente interino Bah N 'Daw e o primeiro-ministro Moctar Ouane, libertando-os após três dias. Pouco depois, o Tribunal Constitucional do País havia nomeado o Coronel Goita como presidente da transição. E é precisamente para uma "transição pacífica, inclusiva e consensual" rumo à paz que os líderes religiosos do Mali apelam, exortando todas as partes envolvidas a fazer o possível para restaurar a calma.

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“Exortamos o presidente da transição, o governo, todas as instituições da República, as organizações da sociedade civil e os partidos políticos, os grupos armados signatários, os grupos armados beligerantes, cada qual pelo seu próprio direito, a tomar todas as medidas para garantir uma transição pacífica, inclusiva e consensual", lê-se numa nota de 30 de agosto, assinada pelo arcebispo católico de Bamako, o Cardeal Jean Zerbo, pelo presidente do Alto Conselho islâmico do Mali, Cherif Ousmane Madani Hadaira e pelo presidente da Associação Grupos Eclesiásticos Evangélicos Protestantes do Mali, o Reverendo Nouh Ag Infa Yattara.

Ao mesmo tempo, os líderes religiosos exortam os cidadãos a "trabalhar pela estabilidade do País": "Convidamos o povo maliano - lê-se no texto - a dar um passo corajoso de fé, a mudar o seu comportamento e a mobilizar-se pela paz nacional". Por seu lado, os líderes religiosos reafirmam o seu empenho em "continuar na nossa missão espiritual e patriótica, pela reconstrução do Estado e o sucesso da transição".

Em conferência de imprensa, o Cardeal Zerbo anunciou que, nos próximos dias, está previsto um encontro com as autoridades da transição "para apoiar o processo de paz no País". “Daremos início a uma acção de promoçaão da reconciliação com o governo e os actores sociais, os grupos armados e a comunidade internacional”, acrescentou o purpurado. Em análise está também a hipótese de convocar um "Dia Inter-religioso de Oração pela Paz".

Por sua vez, Cherif Madani recordou a necessidade do diálogo dentro da nação, porque “ninguém mudará o Mali pelos malianos. Devemos dialogar para encontrar uma solução”. “Os malianos devem dar-se as mãos como irmãos, como pessoas no mesmo barco – ressaltou o Reverendo Yattara - Não devemos estragar este barco único que é o nosso País, para que também as próximas gerações possam tomá-lo por empréstimo, em paz e tranquilidade”.

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02 setembro 2021, 15:40