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Manifestações e violência na Nigéria Manifestações e violência na Nigéria  (AFP or licensors)

Nigéria. Violência em Imo: Líderes cristãos pedem ao Governo: "proteja a população"

Continuam há já algum tempo, no Estado de Imo (sudesta da Nigéria), os duros confrontos e a violência entre grupos de homens armados não bem identificados, por um lado, e por outro as forças da polícia. Tudo isso envolve também a morte de muitos jovens e a detenção arbitrária de civis, denuncia num comunicado a Associação Cristã da Nigéria (CAN).

Cidade do Vaticano

"Não passa um dia sem a prisão de jovens inocentes por parte das forças de segurança, que afirmam estar à caça de homens armados desconhecidos", diz a Associação na nota divulgada na última terça-feira, 8 de junho. Mas “é muito triste que qualquer menino do estado de Imo seja rotulado com a etiqueta de 'desconhecido armado' – lê-se no comunicado - Esta coisa não pode continuar”.

“A lista dos mortos é interminável - continua a nota - sem falar das dezenas de jovens detidos todos os dias e mantidos em isolamento: ninguém sabe se estão vivos ou mortos”. Daí a comparação que a CAN faz com o que está a acontecer na região nordeste da Nigéria, onde os terroristas do Boko Haram "estão semeando o caos todos os dias". E no entanto, nenhum jovem do nordeste "foi etiquetado de 'Boko Haram'. Porque, então, se age assim no sudeste? ”, questiona a Associação Cristã, destacando que “quando é demais, é demais”.

Ao mesmo tempo, a CAN condena “o silêncio dos governadores locais diante de tais atrocidades” e reitera que “é imperativo que os representantes do Executivo falem”. “O silêncio deles, de facto, não é nada bom - continua a nota - porque eles fizeram o juramento de proteger a população”.

A nota da Associação Cristã é assinada pelo Bispo evangélico Goddy Okafor, responsável pelo sector sudeste da Nigéria. Mas da CAN também faz parte a Conferência Episcopal Católica que, nos últimos meses, se tem pronunciado várias vezes sobre estes episódios violentos, manifestando a sua preocupação. Em maio, por exemplo, Dom Augustine Tochukwu Ukwuoma, Bispo de Orlu, emitiu uma declaração na qual, diante de "uma situação de tensão, medo e ansiedade", procurou tranquilizar os fiéis sobre a presença e proximidade de Deus que “nunca abandona o seu povo”. No início de junho, Dom Anthony John Valentine Obinna, Arcebispo de Owerri, capital do Estado de Imo, também pediu expressamente ao governador local que "convoque um encontro para o cessar-fogo".

10 junho 2021, 13:45