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Seca e fome no Sul de Angola Seca e fome no Sul de Angola 

África. Igrejas africanas unem-se para fazer ouvir a sua voz na COP-26

As Igrejas africanas farão ouvir a sua voz na próxima Conferência da ONU sobre o Clima (COP-26), marcada para novembro próximo em Glasgow - é quanto emergiu da mesa redonda "A voz das Comunidades de fé em África sobre as mudanças climáticas: prioridades e mensagens-chave para a COP-26", que teve lugar nos dias 19 e 20 de maio em Adis Abeba, na Etiópia.

Cidade do Vaticano

A mesa redonda foi organizado pela Conferência das Igrejas de Toda a África (AACC, sigla em inglês), uma associação ecuménica que reúne 173 Igrejas membros presentes em 42 Países africanos, representando mais de 140 milhões de cristãos no Continente.

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Segundo os líderes religiosos africanos, a África tem todo o interesse em ver implementados os planos nacionais de acção para o clima previstos no Acordo de Paris para reduzir as emissões e adaptar-se às mudanças climáticas de modo a limitar o aumento da temperatura média global em 1,5 ° C, porque os Países do Continente são dos primeiros a pagar as consequências das mudanças climáticas.

Aumento de conflitos por terras de pastagem

O aumento da temperatura global de origem antropogênica tem, de facto, aumentado a intensidade e a frequência dos fenómenos climáticos extremos, como secas, inundações, ciclones e outros desastres naturais, com graves repercussões sociais e económicas num continente já frágil e instável. Aliás, um indício desta realidade é, entre outras coisas, o aumento dos conflitos por terras de pastagem em África, que são cada vez mais reduzidas devido à seca galopante, afirma o pastor luterano Fidon Mwombeki, secretário-geral da AACC, na declaração final do encontro em que reafirmou o compromisso das Igrejas africanas nesta frente e a sua vontade de falar a uma só voz na COP-26.

Um empenho elogiado por Alok Sharma, presidente designado para a COP-26, que numa mensagem aos participantes reiterou a importância de uma rápida e ampla implementação do acordo firmado em 2015 na capital francesa para proteger as populações mais vulneráveis ​​do planeta.

Questão de mudanças climáticas é manifestação da nossa devoção religiosa

Falando na mesa redonda, Abba Aregawi da Igreja Ortodoxa Tewahedo etíope destacou, por sua vez, que o empenho de salvaguardar a criação é antes de tudo um dever ao qual Deus nos chama: “Por isso - disse o arcebispo - a questão das mudanças climáticas não deve ser tratada como um mero projecto político temporal, ou uma simples questão ecológica ou financeira, é uma manifestação espiritual, social e moral da nossa devoção religiosa”.

Entre os palestrantes da mesa redonda estava também Augustine Njamnshi, presidente do Comité Político da Aliança Pan-africana para a Justiça Climática (Pacja), uma coalizão de ONGs africanas empenhadas na justiça climática, e que reiterou que da COP-26 a África espera um progresso significativo e medidas concretas.

Plano de acção tangível e imediatamente operacional

Prevista originariamente para 2020 e adiada para 2021 devido à Covid-19, a Conferência de Glasgow reunirá de 1 a 12 de novembro, na cidade escocesa, mais de 30 mil delegados, entre Chefes de Estado, cientistas, especialistas e activistas. O objectivo é de concordar um plano de acção coordenado contra as mudanças climáticas que seja tangível, imediatamente operacional e capaz de transformar em realidade as promessas feitas em 2015 com o Acordo de Paris.

Cauteloso optimismo sobre resultado da Conferência

Depois dos resultados decepcionantes das Conferências que se seguiram à COP21, a reentrada dos Estados Unidos neste ano no Acordo de Paris e a nova consciência adquirida, durante a pandemia, na opinião pública mundial e nos governos sobre o impacto do clima na geopolítica global, e a necessidade dar à economia uma direcção de desenvolvimento plenamente sustentável, reacenderam um optimismo cauteloso sobre o resultado positivo desta Conferência.

22 maio 2021, 10:03