Cerca

Vatican News
2019.07.09 Banner della quinta edizione di RAFF, Roma Africa Film Festival Cartaz da 5ª edição do RAFF, Romafrica Film Festival 

5ª edição do RAFF arranca no dia 11 na Academia do Egipto

Os afro-italianos são este ano os grandes protagonistas da 5ª edição do Romafrica Film Festival a ter lugar de 11 a 14 de Julho em Roma. A abertura é na noite do dia 11 na Academia do Egipto com música e projecção do filme "Hepta". O Presidente do RAFF, Cleophas Adrien Dioma ilustra as novidades desta edição.

Dulce Araújo - Cidade do Vaticano 

Os afro-italianos são este ano os grandes protagonistas da 5ª edição do Romafrica Film Festival a ter lugar de 11 a 14 deste mês de Julho na capital italiana. Cleophas Adrien Dioma, natural do Burkina-Faso, e desde há anos residente em Itália, é o Presidente deste Festival, organizado por diversos organismos, entre os quais a associação “Le Resau” (A Rede) por ele fundada. Eis as novidades desta 5ª edição do Festival, ilustradas pelo seu Presidente:

A novidade mais importante é que já vamos na quinta edição. Quando o Festival foi criado há cinco anos não sabíamos se poderíamos resistir e chegar a organizar cinco edições com tantos filmes, tantos realizadores e tanta participação. Isto é claramente algo de muito importante. Cinco anos é importante para um evento como estes, sobretudo tendo em conta o momento particularmente difícil que se está a viver em Itália, seja pela falta de recursos económicos, seja, sobretudo,  pelas dificuldades em torno da temática da imigração em que ser negro e, sobretudo,  africano se tornou num grande problema. Por isso, estar aqui a apresentar a 5ª edição do Festival é já de per sim importante.

A segunda novidade é que procuramos inovar, procurando sempre colaborar com diversas realidades da cidade; também este ano faremos a abertura na Academia do Egipto  no dia 11 de Julho às 19.30. Isto também para consolidar as relações com o sistema cultural africano que temos na cidade [de Roma].

Depois, procuramos dar muito espaço aos afrodescendentes, portanto, ítalo-africanos que vivem aqui. Muitos deles fazem cinema seja como actores, seja como realizadores e então procuramos dar espaço àquilo que fazem. Procuramos, portanto, em torno do evento, contar uma Itália nova, feita de novas pessoas que dão riqueza e positividades a este país.”

Abertura na Academia do Egipto

A abertura do Festival, será, portanto, no dia 11, às 19.30, na Academia do Egipto, com música proposta pela Cairo Opera House e pelo Teatro São Carlos de Nápoles. Seguir-se-á a projecção do filme “Hepta, Sete fases do amor”, o melhor filme do Cairo National Film Festival, em 2017.

O Festival continuará nos três dias seguintes, 12, 13, 14 de Julho na Casa do Cinema, no Jardim público, Villa Borghese, onde haverá a projecção de 10 filmes longa metragem, 22 curta-metragens e um documentário. Ao todo estarão envolvidos 12 países: África do Sul, Costa do Marfim, Marrocos, Tunísia, Ruanda, Egipto, Itália, entre outros.  Se o lema do ano passado era a energia (que a África, os africanos emanam), este ano é a mulher a ser posta em relevo e a ser tema da mesa redonda no dia 12, a cargo do grupo “Bianco, Nero, a Colore” (Brancos, Preto, a Cores) sobre a multiculturalidade e a multietnicidade no feminino. O objectivo– como confirma Cleophas Adrien Dioma – é chamar a atenção dos media para o cinema feminino em Itália de forma geral e para o papel das “novas italianas”.

[A mesa redonda] está a cargo das novas gerações de afrodescendentes. Há este movimento de mulheres que decidiu falar da sua presença no território italiano. São actrizes, realizadoras… que vivem em Itália e que encontram muitas dificuldades em emergir pelas mais diversas razões e às quais é dado sempre um determinado tipo de papeis a interpretar. Então,  estão a procurar mudar essa perspectiva e narrar a sua presença de forma diferente. Vimos [isso] ultimamente no Festival de Cannes, onde as mulheres actrizes negras, e não só africanas, diziam que a sua profissão não é ser mulheres negras, mas sim actrizes, sobretudo.”

Colectivo N e Prémio "Italien Black Movie Award" 

Para além do grupo “Bianco, Nero, a Colore” sobre a questão da multiculturalidade e etnicidade no cinema, o RAFF  será também enriquecido no dia 13 com as produções de jovens italianos afrodescendentes. Esta parte estará a cargo do chamado “Colectivo N”, realidade artística, social e cinematográfica empenhada a fim de que no mundo multicultural de hoje a sua existência seja respeitada nas produções cinematográficas. No último dia do Festival, uma comissão premiará as melhores curta-metragens da secção “Colectivo N”, com um prémio proporcionado pela RAI, Radio Televisão Italiana, que também este ano apoia o Festival. O prémio será “Italien Black Mouvie Award”.

Dificuldades e perspectivas

Muitas novidades, mas também vário obstáculos. Cléophas Adrien Dioma falou-nos das dificuldades e das perspectivas:

As dificuldades são, antes de mais, económicas, porque um Festival deste tipo custa muitíssimo: custa trabalho, empenho, custa vontade de fazer, mas custa também o facto de ter de encontrar filmes de qualidade, ter de fazer legendas porque quase todos os filmes que encontramos são em inglês ou em francês, espanhol, árabe… por isso, há todo um trabalho a fazer de legendas e isto custa muito. E há também o custo do aluguer das salas onde fazemos o evento. Estas são as maiores dificuldades que temos. Depois, ter um festival significa também tecer relações internacionais e, significa, portanto, viajar, viajar ao Burkina-Faso para participar no FESPACO [Festival Pan-africano de Cinema de Ouagadougou], ir ao Festival de Luxor, no Egipto; este ano fomos  apresentar o nosso festival em Cannes. E são tantos esses eventos importantes para nós e nos quais devemos estar presentes, e, isto requer meios financeiros. E, por último, há também a tarefa de encontrar filmes de qualidade. Às vezes é difícil porque o cinema africano, é claro, corre veloz, mas tem dificuldades de financiamento e isto se reflecte na qualidade dos filmes que vemos.

A perspectiva é resistir e continuar a narrar a África com a voz de realizadores e actores africanos e narrar a Itália com a voz e o olhar dos afro-italianos e abrir-se, claramente, ao mundo para fazer compreender  que o único modo para comunicar e conhecer-se é usar a cultura, e, o cinema é parte dela.”

E que são os parceiros nesta aventura do RAFF?

O Festival nasce de um grupo de realidades diferentes. Temos  “Itale 20”, Internationalia; a Associação “Le Reseau”, Nina International. Estes são os quatro organismos que organizam o evento. E isto mostra também a sinergia entre italianos e afro-italianos para narrar a África em Itália. Temos como principal patrocinador a ENI [Empresa italiana de Energia] que neste momento está a olhar muito para a África e está a investir na comunicação cultural para dar a conhecer não só a sua presença em África, como também as excelências do continente. Depois temos o suporte do Ministério italiano dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, da Governo da Região do Lácio, da RAI, etc., etc. Temos também colaborações a nível internacional, FESPACO, Luxor, Egipto e muitas outras realidades, tudo para trazer algo ao Festival seja a nível económico, seja em termos de apoio institucional. A nível de colaboradores, todos os anos o FESPACO e Luxor oferecem ao RAFF, um filme e isto justifica a colaboração. Além disso, todos os anos somos convidados aos seus eventos. Este ano, fomos ao FESPACO e desde quando estamos em colaboração com a Luxor, somos convidados ao Egipto.”

E quem são os hóspedes importantes este ano no RAFF, vindos de fora?

De fora temos alguns realizadores sul-africanos, do Burkina-Faso…. Este ano não temos tantos a nível de presença internacional. Temos muita presença desta nova realidade de realizadores e actores ítalo-africanos. Quisemos dar muito espaço a eles porque estão aqui e diziam-nos:  “porque é que vocês convidam sempre gente de fora e nós que estamos aqui não somos convidados”. Então, procuramos dar espaço ao “Colectivo N” assim como também a esse grupo  “Bianco, Nero, a Colore”. Procuramos dar espaço muito espaço a essa realidade próxima de nós, pois, são importantes e narram a Itália a nível nacional e internacional.”

Esta portanto, a 5ª edição do RAFF que arranca no serão do dia 11, na Embaixada do Egipto e continua depois até ao dia 14, com entrada gratuita, na Casa do Cinema, no jardim público de Roma, Villa Borghese. Nos três dias, das 15 horas à meia noite. Poder-se-á ver filmes como Hepta, Wulu, Vent du Nord, Ruanda, L’Interdpree, Sofia, entre outros.

Oiça

 

 

10 julho 2019, 13:05