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Vatican News
2018.11.22 Sahrdn, southern africa human rights defenders networks Emblema da Rede da África Austral para a Defesa dos Direitos Humanos  

Angola - P. Jacinto Pio Wacussanga premiado pela SAHRDN

O Padre Jacinto Pio Wacussanga, angolano, foi galardoado no passado dia 13 do corrente mês pela Rede da África Austral para a Defesa dos Direitos Humanos – SAHRDN.

Dulce Araújo - Cidade do Vaticano

Num comunicado, o organismo sublinha que o P. Jacinto tem vindo, há décadas, a defender os direitos das pessoas em áreas rurais marginalizadas. Ele ajuda a colmatar o vazio entre o Movimento dos Direitos Humanos (HRM) e os movimentos sociais, pois os líderes comunitários nem sempre são vistos como defensores dos direitos humanos. Isto em consequência da forma como o Movimento dos Direitos Humanos surgiu e tem evoluído.

Por muito tempo – lê-se no comunicado – as pessoas ligadas à defesa dos direitos humanos em Angola foram etiquetadas de ser membros de partidos de oposição ou de ser agentes de forças estrangeiras. Neste contexto, os defensores dos direitos humanos têm enfrentado todos os tipos de ameaças, sobretudo em termos de burocracia, detenções arbitrárias, tortura e prisão, proibição de viajar, controlo de chamadas telefónicas, entre outros.

Esforços de melhoramento

A SAHRDN diz-se encorajada pelos esforços  do novo Presidente da República de Angola no sentido de abrir espaços cívicos e de deixar transparecer a forma como a coisa pública é gerida. Diz-se igualmente esperançosa de que esse reconhecimento ao P. Jacinto Wacussanga encoraje as autoridades a ver os defensores dos direitos humanos como parceiros no desenvolvimento sustentável de Angola.

Um estímulo para o melhoramento dos direitos nos PALOP

A SAHRDN espera também que esse galardão a uma pessoa de um país africano de língua oficial portuguesa ajude a melhorar a Defesa dos Direitos Humanos nesses países da África que foram negligenciados por muito tempo.

A SAHRDN exprime amargura por o P. Wacussanga ter defendido os direitos humanos ao preço de muito sacrifício pessoal; que não tenha recebido o devido reconhecimento e de se encontrar agora numa situação precária do ponto de vista da saúde.  A Rede deseja que este galardão ajude a chamar a atenção para a situação dele a fim de que tenha uma adequada assistência sanitária e possa levar avante a sua paixão pela defesa dos direitos dos outros.

P. Wacussanga satisfeito

O Padre Wacussanga exprimiu satisfação por este reconhecimento "tão inspirador". E considerou que é uma honra igualmente para todos os países africanos de língua oficial portuguesa, pois é a primeira vez que tal prémio é outorgado a alguém dessa área da África.  O Padre Jacinto diz-se igualmente consciente do peso dos desafios que esse reconhecimento implica.

Continuar pelo bem de Angola, da África e do mundo

Ele pede a todos aqueles que o têm apoiado nessa tarefa de defesa dos direitos humanos, para continuem a fazê-lo,  a lutar pela dignidade e pelos direitos da pessoa humana, em Angola, em África e no mundo. O Padre jacinto informa ainda que lhe foi dado um apoio de 500 dólares americanos que vai utilizar em cuidados pessoais de saúde. 

22 novembro 2018, 14:03