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Vatican News
2018.08.11 P. Camilo Torassa - Cappuccino, Missionario italiano a Capo Verde dal 1960. Deceduto nell isola di Fogo, il 10-8-18 P. Camilo Torassa, Missionário Capuchinho italiano, desde 1960 em Cabo Verde, onde faleceu a 10 de agosto de 2018 

Cabo Verde - faleceu P. Camilo Torassa. Deixa boas recordações

Faleceu em Cabo Verde, o frade capuchinho Camilo Torassa. Tinha 89 anos. Vivia desde 1960 no arquipélago, onde favoreceu a educação, promoveu a língua do país, impulsionou a Radio - recorda o Custódio dos Capuchinos em Cabo Verde, Frei António Fidalgo, com uma nota na sua pagina fb que aqui transcrevemos.

Dulce Araujo (com Frei António Fidalgo) 

“Combati o bom combate, terminei a corrida, conservei a fé” (2Tm 4,7)

Frei Camilo Torassa, nasceu na cidade de Saluzzo (Itália) a 17 de Outubro de 1929, filho de Giuseppe e Margherita Torassa. Entrou na Ordem dos Capuchinhos, definitivamente, em Setembro de 1941 e foi ordenado sacerdote em novembro de 1945. A Paixão por Cristo e o desejo de levar Seu Nome às terras distantes, levou-o a escolher Cabo Verde como campo de acção, juntando-se a outros confrades que já se encontravam nestas ilhas. Antes, porém, de vir para Cabo Verde, trabalhou em Lisboa como procurador da Ordem capuchinha, ao serviço dos missionários que labutavam em Moçambique, Angola e Cabo Verde. A sua vinda para Cabo Verde deu-se em 1960, tendo sido colocado em S. Lourenço do Fogo até o ano seguinte, altura em que foi transferido para S. Filipe, onde trabalhou primeiro como Vice-Pároco e depois como Pároco até 1992.

30 anos que marcaram a sua vida sacerdotal

Foram 30 anos que marcaram a sua vida de capuchinho e de sacerdote e marcaram também a freguesia de Nossa Senhora da Conceição. A obra mais emblemática do Padre Camilo nesta cidade é de todos conhecida: Escola Materna S. Francisco de Assis, construída na década de 60. Entre as capelas desenhadas e construídas pelo frei Camilo temos a emblemática capela de Nossa Senhora Rainha de Cabo Verde de Chã das Caldeiras, que infelizmente foi devorado pelas chamas, na mais recente erupção. Frei Camilo ficou conhecido como um grande formador de homens e mulheres e não foi somente através da Escola Materna. Toda a sua obra de pastor nas Paróquias foguenses onde trabalhou (Nª Sª da Conceição sobretudo), tinha por fim a formação integral das pessoas. Notável também foi o seu esforço para introduzir o Crioulo na Eucaristia, traduzindo para a língua materna os textos bíblicos da Liturgia Eucarística, textos esses que também foram utilizados em S. Lourenço e em Boston.

Capuchinhos deixam a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição 

Em 1992, os capuchinhos deixam a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição e frei Camilo é chamado para outras tarefas, desta feita em S. Vicente, onde contribuiu para dar identidade e vigor à primeira rádio privada de Cabo Verde, do período pós-independência - a Rádio Nova - Emissora Cristã de Cabo Verde. Foi eleito Superior dos Capuchinhos de Cabo Verde em 1996, cargo que exerceu até 2002. Terminado esse serviço, o Padre Camilo foi transferido para Brava onde recebeu a nomeação de Pároco, da parte do Bispo D. Paulino.

De novo em São Lourenço

Voltamos a encontrá-lo mais tarde em S. Lourenço do Fogo, 6 anos mais tarde, mas já com a saúde débil. Da ilha do Fogo passou para a fraternidade capuchinha da Achada S. Filipe, na cidade da Praia. Só que o coração continuava a bater forte pela sua ilha do Fogo. Os superiores perceberam. O povo desta ilha também insistia: “queremos de volta o nosso padre Camilo”. E foi assim que ele voltou de novo para a sua ilha do Fogo, tendo sido acolhido em S. Filipe, no Centro Madre Teresa de Calcutá das irmãs Franciscanas que tão bem souberam cuidar dele até à última hora, até este dia 10 de Agosto de 2018, Festa litúrgica de S. Lourenço, diácono e mártir. Acreditamos que em nenhuma outra ilha ele se sentiria tão em casa. De facto, ele podia dizer com toda a propriedade: “Ê li qui ê nha tchon”. E é esse seu chão que agora vai receber, agradecido, os seus restos mortais, enquanto a alma é entregue a Deus.

Frei António Fidalgo de Barros

11 agosto 2018, 13:51