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Cardeal Laurent Monsengwo Pasinya Cardeal Laurent Monsengwo Pasinya 

Card. Monsengwo: implementar 'Acordo de S. Silvestre' e superar impasse

Meses depois do que parecia ser um avanço histórico, com a assinatura de um acordo em 31 de dezembro de 2016, a República Democrática do Congo encontra-se ainda numa situação de impasse político.

Vatican News - Cidade do Vaticano

O Arcebispo de Kinshasa, na República Democrática do Congo, o Cardeal Laurent Monsengwo Pasinya, fez um apelo apaixonado pela plena implementação do Acordo de 31 de dezembro de 2016, conhecido por “Acordo de S. Silvestre”, para que o País saia do actual impasse político.

“Neste momento, estamos numa situação de 'esperar para ver'. O Presidente Kabila é alguém que sempre quer resolver os problemas nos seus próprios termos. No entanto, ele tem que lidar com o Acordo de 31 de dezembro. Precisamos prosseguir com a implementação desse Acordo, que pedia a Kabila para não se candidatar e não emendar a Constituição”, disse o Cardeal Monsengwo ao pessoal da comunicação do Vaticano, em Roma, no último fim de semana, falando na Sala Marconi da Rádio Vaticano.

No dia 31 de dezembro de 2016, os Bispos Católicos da RDC, sob a Conferência Episcopal Nacional do Congo (CENCO), mediaram a assinatura de um acordo entre o governo e os partidos políticos da oposição. O acordo garantia, entre outras coisas, que o Presidente Joseph Kabila não procuraria um terceiro mandato inconstitucional.

O acordo nunca foi realmente implementado, e houve manifestações nas principais cidades da RDC, lideradas principalmente pela Igreja. O Cardeal Monsengwo revelou que o Santo Padre consideraria a possibilidade de visitar a RDC se não fosse pela crise política neste País.

Papa Francisco gostaria de ver uma RDC pacífica

“O Santo Padre quer que rezemos pelo povo e com o povo. Ele disse claramente que precisamos garantir que as pessoas evitem se acostumar a matar outras pessoas simplesmente porque querem progredir na sua vida política. O Papa mostrou-nos que está constantemente a rezar pela paz na República Democrática do Congo ”, disse o cardeal Monsengwo.

Na semana passada, o Primeiro Ministro da República Democrática do Congo, Bruno Tshibala, disse à imprensa internacional que o Presidente Kabila não procuraria um terceiro mandato nas eleições do País, programadas agora para dezembro de 2018.

Igreja na RDC pode influenciar os jovens positivamente

O Cardeal Monsengwo aproveitou também a oportunidade para falar aos jornalistas do Vaticano sobre a situação dos jovens na RDC.

"A Igreja está cheia de jovens, e a Igreja no Congo gostaria que os seus jovens se tornassem cidadãos convencidos das suas responsabilidades cívicas", disse o Cardeal. Segundo o Cardeal Monsengwo, a Igreja na RDC está preocupada com o bem-estar dos seus jovens. Em Kinshasa, com 10 milhões de habitantes, a Igreja ocupa uma posição única para influenciar positivamente os jovens.

“Só na capital Kinshasa, temos 590 escolas que estão nas mãos da Igreja Católica em nome do governo. Além disso, a Igreja tem também mais de 50 escolas particulares pertencentes a paróquias ou Congregações Religiosas. O que isto significa é que, se a Igreja em Kinshasa ou na RDC em geral trabalha bem com estes jovens nas nossas escolas, temos a oportunidade de mudá-los e transformá-los em cidadãos melhores”, rematou o Cardeal.

19 junho 2018, 16:57