Manifestação contra a morte violenta de crianças numa escola em Kumba Manifestação contra a morte violenta de crianças numa escola em Kumba 

O Papa recorda assassinato em Camarões: que gestos semelhantes nunca mais se repitam

Pelo menos oito crianças morreram e 12 ficaram feridas por golpes de facões e tiros executados por um grupo de homens armados não identificados que entraram numa escola em Kumba.

Mariangela Jaguraba - Vatican News

No final da Audiência Geral desta quarta-feira, o Papa Francisco fez um apelo em prol da República de Camarões por causa do massacre de crianças numa escola em Kumba.

 

Pelo menos oito crianças morreram e 12 ficaram feridas por golpes de facões e tiros executados por um grupo de homens armados não identificados.

Uno-me à dor das famílias dos jovens estudantes barbaramente assassinados no sábado passado em Kumba, Camarões. Estou perplexo diante desse ato tão cruel e sem sentido, que ceifou a vida desses pequeninos inocentes enquanto eles estavam tendo aulas na escola. Que Deus ilumine os corações, para que gestos semelhantes nunca mais se repitam e para que as martirizadas regiões no Noroeste e Sudoeste do país possam finalmente encontrar a paz! Espero que as armas se calem e que a segurança de todos, o direito de cada jovem à educação e ao futuro possam ser garantidos. Manifesto o meu afeto às famílias, à cidade de Kumba e a toda República de Camarões e invoco o conforto que só Deus pode dar.

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Os agradecimentos do Bispo de Kumba

“Gostaria de agradecer ao Santo Padre por condenar este ato bárbaro.” Este foi o comentário ao apelo do Papa Francisco feito pelo Bispo de Kumba, dom Agapitus Enuyehnyoh Nfon. “O povo de Kumba se sentiu verdadeiramente consolado pelas palavras do Papa”, disse o prelado ao Vatican News. “A notícia do massacre foi um golpe no coração de toda a comunidade, que agora está de luto”, disse ele, “tanto que as pessoas agora estão com medo de mandar seus filhos à escola”. Sobre a situação geral do país, dom Nfon enfatizou a situação dos deslocados que vivem na miséria por causa do conflito e lembrou o apelo dos bispos de Camarões por um diálogo inclusivo a fim de acabar com o conflito: “Não podemos encontrar paz, justiça e tranquilidade enquanto se combate”, sublinhou.

Três mil mortos em confrontos

Há três anos, os confrontos entre separatistas e forças governamentais causaram mais de 3 mil vítimas e pelo menos 70 mil deslocados no oeste do país. “Peço a todos os envolvidos armados que se abstenham de ataques contra civis e respeitem o direito humanitário internacional e o direito internacional dos direitos humanos”, sublinha o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, numa declaração.

As vítimas têm entre 9 e 12 anos

O presidente de Camarões, Paul Biya, condenou “o crime bárbaro e covarde contra crianças inocentes” e assegurou ter mobilizado todas as forças de segurança para encontrar os culpados e levá-los a julgamento. As vítimas do ataque, que ainda não foi reivindicado, são alunos do Ensino Fundamental e tinham entre 9 e 12 anos. Os feridos foram levados ao hospital e estão em condições estáveis. Alguns deles perderão o uso das pernas.

Reações do Conselho Mundial de Igrejas

“O Conselho Mundial de Igrejas (CMI) está horrorizado com a notícia do ataque brutal contra as crianças da Academia Internacional Madre Francisca de Kumba”, lê-se num comunicado do CMI e “se une às Igrejas e a todas as pessoas de boa vontade na República de Camarões e do mundo na condenação deste ato abominável”, expressando também “proximidade às famílias e comunidades afetadas” e uma oração “pela cura das crianças feridas”.

 

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28 outubro 2020, 10:17