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Manifestação contra ataque brutal em Kumba Manifestação contra ataque brutal em Kumba 

Camarões: CMI horrorizado com o massacre de crianças em Kumba

Pelo menos oito crianças morreram e 12 ficaram feridas por golpes de facões e tiros executados por um grupo de homens armados não identificados, mas presumivelmente pertencentes a grupos separatistas da região anglófona.

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“O Conselho Mundial de Igrejas (CMI) está horrorizado com a notícia do ataque brutal contra as crianças da Academia Internacional Madre Francisca em Kumba, em 24 de outubro,” e “se une às Igrejas e a todas as pessoas de boa vontade na República de Camarões e no mundo inteiro na condenação deste ato abominável”.

É o que afirma o secretário-geral interino do CMI, reverendo Ioan Sauca, numa declaração divulgada, nesta segunda-feira (26/10), na qual expressa “proximidade às famílias e comunidades afetadas e reza pela cura das crianças feridas”.

Sofrimento da população

Pelo menos oito crianças morreram e 12 ficaram feridas por golpes de facões e tiros executados por um grupo de homens armados não identificados, mas presumivelmente pertencentes a grupos separatistas da região anglófona.

“O sofrimento da população nas regiões sudoeste e noroeste de Camarões ultrapassou os limites da compreensão. Esta atrocidade cometida contra estudantes inocentes acrescenta dor em cima de dor, sendo ainda insuportável”, escreve o reverendo Sauca, lembrando a firme condenação expressa pelo Bispo de Kumba, dom Agapitus Nfon, que na segunda-feira fez um apelo ao Governo e à Comunidade internacional para que tomem medidas para pôr fim às numerosas matanças de civis no noroeste e sudoeste por causa do conflito armado sangrento entre os separatistas anglófonos do norte e o Governo de Iaundê.

Um apelo ao qual se une o CMI para que sejam feitos “esforços por um diálogo global e mais inclusivo a fim de enfrentar os atuais problemas de segurança, humanitários e de direitos humanos nas regiões afetadas”. O comunicado conclui com as palavras da oração do reverendo Fonki Samuel Forba, moderador da Igreja Presbiteriana nos Camarões, para que todas as partes envolvidas “ouçam sua consciência e se esforcem para pôr um fim a esta guerra”.

Conflito tem raízes antigas

O conflito separatista dos Camarões já dura três anos, mas tem raízes antigas: as relações entre a maioria francófona e a minoria anglófona são tensas desde a independência do país, em 1961, após a unificação dos Camarões francês e britânico. As relações se degeneraram em 2016, depois dos protestos reprimidos em sangue contra a decisão de Iaundê de impor apenas a língua francesa nos tribunais e escolas anflófonas.

A partir daquele momento, o confronto, que até então estava confinado no debate político, resultou em confrontos muito sérios entre separatistas e o Exército regular. Em 2017, a proclamação da independência pelos irredentistas e o nascimento da República de Ambazônia exacerbaram ainda mais o conflito, que causou a morte de mais de 3 mil pessoas e obrigou meio milhão de camaroneses a fugir para as regiões de língua francesa ou para a vizinha Nigéria.

Vatican News Service - LZ/MJ

27 outubro 2020, 15:19