Schevchuk: além do batismo por imersão, a Igreja primitiva conheceu o batismo com sangue.

"Conversando com muitos representantes das Igrejas e organizações religiosas, entendemos que hoje o cristianismo, as Igrejas cristãs são as comunidades religiosas mais perseguidas no mundo. Juntos recordamos que a primitiva Igreja de Cristo, além do batismo por imersão nas águas batismais, além do batismo com água, conhecia outro tipo de batismo: o batismo com sangue."

Cristo nasceu!

Queridos irmãos e irmãs em Cristo, hoje é quinta-feira, 26 de janeiro de 2023, e nós, na Ucrânia, já estamos no 337º dia de uma grande guerra sangrenta em vasta escala.

Também no dia de ontem, na noite passada e até esta manhã, a Ucrânia vive ao som de sirenes de ataque aéreo. Sirenes foram ouvidas e continuam a soar em toda a Ucrânia, e há perigo de ataques aéreos. Neste preciso momento estão relatando que mísseis foram disparados contra a Ucrânia. O primeiro deles já foi abatido por meios de defesa aérea da Ucrânia. Mais uma vez, a Ucrânia se encontra sob um ataque maciço de mísseis da Rússia. Ontem, além de mísseis, a Ucrânia foi alvo de muitos outros tipos de armas mortais. Dez ataques com foguetes foram realizados em Zaporizhzhia, Dnipro, Kherson, Kharkiv. Ouvimos falar de um aumento significativo das hostilidades, do aumento de sua intensidade, principalmente na região de Donetsk, perto de Bakhmut e Vuhledar.

Embora tenhamos sido alvo de assassinos russos, continuamos vivos e agradecemos a Deus e às Forças Armadas da Ucrânia por poder ver esta manhã, poder rezar e servir, servir a Deus e ao nosso amado povo ucraniano. Portanto, mesmo diante do perigo de novos ataques mortais com mísseis, hoje queremos que o mundo inteiro nos ouça. Queremos dizer que a Ucrânia está viva. A Ucrânia resiste. A Ucrânia luta. A Ucrânia reza.

 

Ontem o meio religioso ucraniano viveu um dia histórico e especial: chegaram a Roma os membros do Conselho Pan-Ucraniano de Igrejas e organizações religiosas. Encontramos o Santo Padre, o Papa Francisco. Participamos da conclusão da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, juntamente com representantes de diversas Igrejas, de diversas confissões de todo o mundo. Ontem, todo o mundo cristão, toda a Igreja de Cristo, embora hoje dividida, reuniu-se em torno do túmulo do Apóstolo Paulo. E rezamos juntos para que a unidade volte a reinar entre nós. Sabíamos que a unidade é sobretudo dom de Deus, dom do Espírito Santo. Estávamos unidos, juntos no ecumenismo espiritual, naquele movimento espiritual pela unidade dos corações e mentes dos filhos e filhas de nosso Pai Celestial.

Ontem, conversando com muitos representantes das Igrejas e organizações religiosas, entendemos que hoje o cristianismo, as Igrejas cristãs são as comunidades religiosas mais perseguidas no mundo. Juntos recordamos que a primitiva Igreja de Cristo, além do batismo por imersão nas águas batismais, além do batismo com água, conhecia outro tipo de batismo: o batismo com sangue. Aquele que não foi batizado, mas deu a vida por Cristo como testemunha de fé na ressurreição de Cristo, era considerado pelos cristãos como irmão ou irmã. Um mártir de Cristo era considerado um membro da Igreja de Cristo que, por sua vez, aceitava o batismo com sangue. Hoje, portanto, quero recordar a todos que existe também o ecumenismo dos mártires, o movimento de pessoas santas em diversas partes do globo que deram a vida por Cristo como testemunhas da fé em sua ressurreição.

Gostaria de recordar hoje o Beato Hieromártir Omelyan Kovch, proclamado pela nossa Igreja o Santo Padroeiro dos párocos da nossa Igreja. Ele foi assassinado por alemães nazistas no campo de concentração de Majdanek, na atual Polônia, por salvar judeus. Sua Beatitude Lubomyr delineou o testemunho do seu martírio como filho de uma nação, a ucraniana, que salvou os filhos e filhas de outra nação, a judaica, e foi martirizado no território de uma terceira nação, a polaca, unindo-se na sua pessoa todas estas diferentes realidades nacionais, espirituais e religiosas. Ali, no campo de concentração de Majdanek, o padre Omelyan sentiu-se o pároco das almas dos prisioneiros, o pároco de Majdanek, e dali escreveu as seguintes palavras à sua mulher e filhos: "Aqui vejo Deus, que é Um e o mesmo para todos. Quando celebro a liturgia, todos rezam comigo: ucranianos e poloneses, lituanos e russos, representantes de outras igrejas, religiões e nacionalidades”.

Tanto o sangue dos santos mártires, que invoca o Senhor Deus desde a terra da Ucrânia, como a força interior dos cristãos da Ucrânia que querem encontrar entre nós vários tipos de unidade. Que os nossos santos mártires rezem hoje pelas nossas Igrejas, pelo povo ucraniano, para que a pregação do Evangelho de Cristo toque o coração do homem moderno e o conduza ao batismo; enquanto entre as Igrejas cristãs, movimente com o Espírito Santo o desejo de restabelecer a unidade da Igreja de Cristo.

Deus abençoe a Ucrânia. Deus abençoe nossos meninos e meninas no front. Deus, neste momento, quando dezenas de mísseis russos estão vindo sobre a Ucrânia, proteja-nos da morte que nosso inimigo está nos enviando. Deus, abençoe a Ucrânia com Sua paz celestial.

Que a bênção do Senhor esteja sobre vocês por meio de Sua graça e amor pela humanidade, agora e para todo e sempre, amém!

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Svyatoslav+

Pai e Primaz da Igreja Greco-Católica Ucraniana
26.01.2023

 

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26 janeiro 2023, 21:43