Milhões de pessoas no mundo não têm acesso à energia elétrica (©silvapinto - stock.adobe.com) Milhões de pessoas no mundo não têm acesso à energia elétrica (©silvapinto - stock.adobe.com) 

Dom Gallagher na ONU: os pobres precisam de acesso a energia segura

Dom Paul Gallagher, Secretário das Relações com os Estados do Vaticano fala no Diálogo de Alto Nível da ONU sobre Energia: precisamos de preços razoáveis e práticas comerciais éticas, o processamento de combustíveis fósseis está arruinando o ecossistema

VATICAN NEWS

Apertar o interruptor e acender a luz: o gesto mais normal do dia-a-dia não é assim para um mundo de pessoas. Há 759 milhões de pessoas "vivendo sem eletricidade". Este é um número absurdo que nos faz pensar como pode ser a vida destas pessoas que são forçadas a práticas diárias medievais. O arcebispo Richard Paul Gallagher, que se está na ONU participando de vários encontros, citou este número enquanto falava no Diálogo de Alto Nível da ONU sobre Energia. A Agenda para o Desenvolvimento Sustentável de 2030 visa eliminar a pobreza e a fome, mas isto, diz o Secretário das Relações com os Estados, deve caminhar de mãos dadas com "a garantia de que cada família e núcleo familiar tenha acesso suficiente a energia a um preço conveniente e confiável".

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Pensando nos consumidores finais

O acesso à energia, observa o prelado, "também depende da abordagem e da determinação dos preços". Os pobres, mesmo os da periferia da sociedade dos países desenvolvidos, muitas vezes não podem arcar com a energia de que necessitam para a vida diária. Preços razoáveis, práticas comerciais éticas e subsídios para os mais pobres são essenciais para isso". Trata-se portanto, continua Dom Gallagher, de "promover sistemas de energia e micro redes para ‘consumidores finais’ em nível local e fornecer às comunidades estruturas energéticas duradouras". Além disso, acrescenta, é "vital" incutir "respeito pelas culturas locais e assegurar que elas sejam capazes de administrar e manter seus próprios recursos energéticos, de acordo com o princípio de subsidiariedade", de modo a evitar "dependências exploradoras de grandes redes energéticas e burocracias".

Impacto desproporcional

Dom Paul Gallagher então desloca a questão para o impacto que a produção de energia tem sobre o meio ambiente. A extração, processamento, transporte e consumo de combustíveis fósseis e energia, afirma, "polui através de danos ao ar, água, solo, ecossistemas e clima", "perturba o setor agrícola" e essencialmente leva grande número de pessoas à imigração. Como se por um curto-circuito perverso, "assim como o acesso à energia não é distribuído igualmente, também não são os efeitos negativos da produção energética". Seu impacto desproporcional sobre os pobres e pessoas em situações vulneráveis leva, em algumas circunstâncias, à agitação social, efeitos negativos à saúde, conflitos e muitas violações dos direitos humanos".

A energia é para a civilização, e não o contrário

O Bispo Gallagher termina citando a Laudato si' e pedindo uma "transição energética justa" que, como tal, "deveria buscar uma produção, gestão e consumo de energia mais inteligente, eficaz e pacífica, especialmente em áreas onde o desperdício de energia é mais provável". A conclusão é confiada às palavras do Papa pronunciadas em 2018 durante uma reunião com executivos da indústria relacionada ao petróleo, gás e outras fontes de energia: "A civilização requer energia, mas o uso da energia não deve destruir a civilização!".

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25 setembro 2021, 15:49