Foto de arquivo do Papa Francisco com o arcebispo-mor Shevchuk, durante encontro com bispos ucranianos no Vaticano (ANSA) Foto de arquivo do Papa Francisco com o arcebispo-mor Shevchuk, durante encontro com bispos ucranianos no Vaticano (ANSA)  (ANSA)

Shevchuk: crimes de guerra na Ucrânia devem ser condenados

O líder da Igreja Greco-Católica ucraniana, o arcebispo-mor de Kiev, Sviatoslav Shevchuk, insiste que os crimes de guerra devem ser condenados, durante encontro promovido pela Fundação de direito pontifício "Ajuda à Igreja que Sofre", que também contou com a presença do núncio apostólico na Ucrânia.

Por Deborah Castellano Lubov

O dia 24 de fevereiro marcará o segundo aniversário da guerra na Ucrânia com a invasão em grande escala pela Rússia, em 2022. O número de mortes continua a aumentar, assim como o nível de destruição no conflito que na verdade remonta a dez anos, com a anexação da Crimeia pela Rússia.

Os apelos do Papa Francisco pelo país martirizado são demasiados para serem contabilizados, e incluem aquele da Audiência Geral da última quarta-feira, quando pediu mais uma vez o fim do sofrimento.

Refletindo sobre a situação atual durante uma coletiva de imprensa organizada pela Fundação de direito pontifício Ajuda à Igreja que Sofre (ACN, sigla em inglês), o arcebispo-mor Sviatoslav Shevchuk, líder da Igreja Greco-Católica ucraniana, lamentou a tragédia que continua a prejudicar o seu povo e o seu país.

A coletiva foi organizada para assinalar o 10º aniversário do início do conflito armado na Ucrânia, precisamente com a invasão da Crimeia e de partes do Leste da Ucrânia, em 20 de fevereiro de 2014, bem como dois anos da invasão em grande escala da Ucrânia em fevereiro de 2022. A fundação, que dedicou a sua Campanha da Quaresma de 2024 à Ucrânia, organizou o evento para saber mais sobre a situação que os cristãos enfrentam no país.

Sofrimento pelas mortes que continuam

 

Nos quase dois anos desde o início da invasão em grande escala pela Rússia, o número de baixas militares subiu para cerca de meio milhão, segundo estimativas não oficiais da agência.

Quase 22 mil vítimas civis foram infligidas por combates e ataques aéreos, e cerca de 17,6 milhões de ucranianos necessitam enormemente de assistência humanitária.

Cerca de 6,2 milhões de pessoas fugiram da Ucrânia e mais de 5 milhões estão deslocadas internamente, à medida que os bombardeamentos continuam todos os dias.

Condenação de crimes de guerra

 

Durante a coletiva, Sua Beatitude afirmou que  “é muito importante condenar os crimes de guerra”, recordando por exemplo o massacre de Bucha, Ele alertou que se passarem despercebidos, os crimes de guerra serão replicados em todo o mundo.

Esta condenação, insistiu o arcebispo-mor de Kiev, significa reiterar um firme não à guerra.

“As pessoas na Ucrânia”, continuou o líder da Igreja Greco-Católica Ucraniana, “estão sendo mortas porque são ucranianas”.

Sua Beatitude Shevchuk lamentou em particular as crianças e famílias mortas, recordou as mais de 500 crianças que morreram e as mais de 1.200 que ficaram feridas desde o início da guerra. Ele também lamentou o fato de numerosas crianças ucranianas terem sido deportadas para a Rússia e as muitas famílias que foram separadas.

Ele também falou sobre como nas áreas mais devastadas do país é proibida a presença de sua Igreja, observando que no leste da Ucrânia não há sacerdotes e as pessoas não podem entrar nas igrejas, cujas portas foram fechadas.

Apesar do imenso sofrimento, observou que, como Igreja, “estamos levando esperança ao nosso povo” ao expressar gratidão pelo fato de, através da solidariedade mundial, “ninguém na Ucrânia ter morrido por causas humanitárias”, como por fome ou sede.

'Traumatizado demais para falar'

 

No encontro, também se pronunciou o núncio apostólico na Ucrânia, dom Visvaldas Kulbokas, que destacou que aqueles que visitam a Ucrânia voltam para casa “sem poder falar”, porque “ficam muito traumatizados com o que viram”.

O arcebispo Kulbokas também alertou contra a crise educacional no país, destacando que,  já por quatro anos, “em grande parte do país, entre a pandemia no início e depois a invasão em grande escala”, “não há escolas presentes."

Ademais, destacou o excelente trabalho das organizações humanitárias, especialmente da "Ajuda à Igreja que Sofre", mas lamentou que as entidades de caridade menores "tiveram de desistir", porque muitas vezes ficavam sem fundos e tinham problemas para atravessar fronteiras ou entregar mantimentos.

O núncio, de modo especial, recordou os sacerdotes greco-católicos ucranianos que foram mantidos em cativeiro depois da guerra iniciada há dez anos, afirmando: “Estamos com eles e começamos o dia rezando por eles”.

Ataques a crianças e famílias

 

De acordo com a Missão de Monitorização dos Direitos Humanos das Nações Unidas na Ucrânia (HRMMU), que monitoriza e reporta publicamente sobre a situação dos direitos humanos no país, pelo menos 641 civis foram mortos ou feridos na Ucrânia em janeiro de 2024, continuando uma tendência de dezembro de 2023 de aumento.

As estatísticas da ONU também mostram que as vítimas civis em janeiro foram 37 por cento superiores às de novembro de 2023, principalmente devido aos ataques intensificados das forças armadas russas em todo o país com mísseis e munições ociosas.

Dado que estes ataques afetaram áreas distantes da linha do front, houve um aumento no número de crianças mortas e feridas.

As famílias também constituem uma proporção maior de vítimas longe das linhas do front, porque muitas famílias com os seus filhos foram evacuadas das comunidades do front.

A missão da ONU verificou que 40 crianças foram mortas ou feridas em janeiro, contra 18 em novembro.

Apoio da Ajuda à Igreja que Sofre à Ucrânia

 

Dois anos após a invasão em grande escala, em 24 de fevereiro, a ACN aprovou 630 projetos, incluindo 117 projetos de subsídios de Missa, no valor de mais de 16,5 milhões de euros, para apoiar a Igreja Católica de ambos os ritos em toda a Ucrânia.

Graças à generosidade, às orações e ao sacrifício dos benfeitores da fundação de direito pontifício, tanto em 2022 como em 2023, a Ucrânia foi o país que mais recebeu apoio da ACN a nível mundial.

Mais de 2.200 pessoas deslocadas beneficiaram de ajuda humanitária direta graças aos benfeitores da organização.

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16 fevereiro 2024, 07:00