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"Exorto todos a evitar, por razões humanitárias, comportamentos prejudiciais à população no exercício do direito ao protesto pacífico." "Exorto todos a evitar, por razões humanitárias, comportamentos prejudiciais à população no exercício do direito ao protesto pacífico." 

Colômbia: Papa pede diálogo sério para encontrar soluções justas

O Papa disse que reza para que "o amado povo colombiano saiba acolher os dons do Espírito Santo", e que por meio de "um diálogo sério" sejam encontradas "soluções justas para os numerosos problemas que fazem sofrer especialmente os mais pobres". Francisco exortou todos "a evitar, por razões humanitárias, comportamentos prejudiciais à população no exercício do direito ao protesto pacífico".

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Logo após rezar o Regina Coeli, o Papa Francisco voltou a se referir à grave crise pela qual atravessa a Colômbia:

Confio à oração de vocês a situação na Colômbia, que continua preocupante. Nesta solenidade de Pentecostes, rezo para que o amado povo colombiano saiba acolher os dons do Espírito Santo, para que, por meio de um diálogo sério, se possa encontrar soluções justas para os numerosos problemas que fazem sofrer especialmente os mais pobres, devido à pandemia. Exorto todos a evitar, por razões humanitárias, comportamentos prejudiciais à população no exercício do direito ao protesto pacífico.

Ouça os apelos do Papa neste domingo

Desde 28 de abril, de fato, o país sul-americano é abalado por protestos, marcados por confrontos violentos entra manifestantes e forças da ordem, acusadas de dura repressão e de atirar contra manifestantes. Segundo dados oficiais da Procuradoria Geral da República e do Ministério da Defesa, das 42 mortes denunciadas às autoridades foram confirmadas 15, enquanto a ONG Temblores e outras fontes relatam que a violência policial é responsável por 43 homicídios ocorridos durante as manifestações.

Novo apelo do episcopado colombiano

 

Os bispos colombianos fizeram um novo apelo para que os conflitos entre o governo e as partes sociais sejam logo superados, na esteira dos confrontos que já causaram várias vítimas.

“O diálogo é a principal caminho para reconhecer aquilo que sempre deve ser respeitado. É fundamental ouvir, compreender e resolver com eficácia as solicitações daqueles que protestaram pacificamente. Somente assim é possível construir juntos a paz que todos desejamos”.

 

Na mensagem assinada pelo arcebispo de Villavicencio e presidente da Conferência Episcopal da Colômbia (CEC), Dom Óscar Urbina Ortega, pelo arcebispo de Medellín Dom Ricardo Tobón Restrepo e por Dom Elkin Fernando Álvarez Botero, bispo de Santa Rosa de Osos, é destacado o apreço e os avanços registados nos últimos dias quer a nível nacional como local, esclarecendo que “para além das diferenças, o que deve prevalecer é um debate fecundo. O verdadeiro diálogo é a busca do bem por meios pacíficos”. “Isso – escrevem os prelados - requer paciência e confiança. Deve prevalecer a firme vontade de recorrer a todas as fórmulas possíveis de negociação, procurando sempre dar espaço ao que une e não ao que divide”.

Os prelados colombianos lamentam o estado de desespero em que se encontra o país, denunciando "o sofrimento e a pobreza generalizados" também na sequência da violência que irrompeu após as greves e, a este propósito, expressaram a sua proximidade a todas as vítimas.

Por fim, encorajam toda a comunidade católica a continuar a rezar, implorando a sabedoria de Deus para aqueles que se sentam à mesa de negociações cheguem a um acordo comum que ponha fim ao clima de ódio existente na Colômbia.

Neste meio tempo, o Comitê Nacional de Greve convocou dois novos dias de protestos nacionais para 26 e 28 de maio. O anúncio foi feito há poucos dias pelo presidente da organização sindical Central Unitaria de Trabajadores (CUT), Francisco Maltés, pouco antes de participar da terceira reunião de diálogo com o governo para superar a onda de protestos no país que já duram semanas. O presidente Ivan Duque, por sua vez, surpreendentemente anunciou a nomeação de um novo ministro da Cultura, em uma iniciativa julgada por analistas como uma tentativa de responder às preocupações de muitos jovens que aderiram aos protestos das últimas semanas.

Vatican News Service

23 maio 2021, 12:43