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Mulheres e crianças abandonam Baghouz, um dos últimos redutos do Estado Islâmico na Síria Mulheres e crianças abandonam Baghouz, um dos últimos redutos do Estado Islâmico na Síria  (AFP or licensors)

Síria: fases finais da ofensiva contra o Estado Islâmico

O vilarejo de Baghouz, na fronteira com o Iraque, é o cenário atual de ferozes combates. Padre Ibrahim de Alepo: "O Estado islâmico não é o único monstro”, trabalhamos para “reconstruir o homem ferido na sua dignidade"

Cidade do Vaticano

Na Síria, continua a fase final da ofensiva das Forças da Síria Democrática (FSD),em aliança com as milícias curdas e apoiadas pela coalizão internacional guiada pelos Estados Unidos, contra o último reduto do Estado Islâmico. Depois da derrota no Iraque alguns meses atrás, alguns grupos de guerrilheiros islâmicos ainda controlam alguns vilarejos no sudeste do país.

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Milhares de jihadistas

Nestas horas, o cenário dos combates é o vilarejo de Baghuz, na fronteira com o Iraque. Há milhares de milicianos do Estado Islâmico entre o Iraque e a Síria, afirmou o general americano Joseph Votel, chefe do Comando central americano. Estão “espalhados por todo o território”, mas há uma liderança, comentou o general, reforçando que o retiro dos 2 mil soldados americanos é possível nas próximas semanas, mas está subordinado aos resultados obtidos em campo.

Instabilidade, corrupção e pobreza

A conclusão da ofensiva tinha sido fixada para a metade de fevereiro, mesmo se a derrota do Estados islâmico provavelmente não levará ao fim da guerra na Síria. “Além do Estado Islâmico há milhares e milhares de milicianos de grupos armados até os dentes que terrorizam o povo”, explica ao Vatican News o padre Ibrahim Alsabagh, franciscano de Alepo. “O Estado Islâmico “não é o único monstro”, afirma, porque ainda há muita corrupção e pobreza. Além disso, com relação ao cenário internacional, ainda faltam acordos entre os vários países. A instabilidade é o verdadeiro monstro que temos que combater para dar uma perspectiva de esperança às pessoas. Quase todo o povo está em uma situação desesperada”.

Ainda bombardeios em Alepo

Uma situação ainda desesperada que não exime a cidade de Alepo, um dos lugares símbolos do conflito: “O povo sofre, e sofre muito”, explica padre Ibrahim, “há bairros no lado oeste da cidade que continuam a ser atingidos pelos mísseis: há vários grupos armados em ação. Além disso, não há trabalho, a inflação é muito alta; quase não se encontra gás e a diesel, indispensáveis no clima frio do inverno.

Edifícios em péssima condições

Muitas edifícios em condição precárias estão desmoronando. “Em menos de duas semanas, desmoronaram dois edifícios devido os abalos sofridos depois dos fortes bombardeios e também, infelizmente pela infiltração da água. No primeiro foram encontrados dois corpos sem vida, no segundo morreram onze pessoas sufocadas” explica padre Ibrahim. “Acreditávamos que tínhamos reconstruído mais de 1300 casas, que tínhamos feito alguma coisa, e ao invés, vemos que é preciso começar a consolidar os alicerces e resolver os problemas dos edifícios. Mais do que as estruturas, nos interessamos em reconstruir o homem ferido, ferido na sua dignidade, através da nossa ajuda, dando-lhe condições de vida mais humana”.

Os cristãos sem perspectiva

Uma situação que atinge também a minoria cristã da cidade. “Sem uma perspectiva clara para o futuro, vendo que a situação não  muda, eles estão sempre preocupados”, afirma padre Ibrahim. “Querem abandonar o país: é um sofrimento, uma amargura, uma desilusão, e um desencorajamento que leva todos a abandonar a Síria”.

13 fevereiro 2019, 11:04