Audiência do Papa Francisco a Fra’ Marco Luzzago e séquito, em 25 de junho de 2021 Audiência do Papa Francisco a Fra’ Marco Luzzago e séquito, em 25 de junho de 2021 

Amor à Igreja e luminoso testemunho cristão: Papa recorda Fra' Marco Luzzago, falecido nesta quarta-feira

Um mal súbito levou à morte daquele que ocupava provisoriamente a liderança da Ordem de Malta, enquanto se aguardava a nomeação do novo dirigente máximo. Ele havia sido reconfirmado no cargo pelo Papa no ano passado.

Vatican News

Ao tomar conhecimento da morte ocorrida nesta quarta-feira, 8, do Lugar Tenente de Grão Mestre da Ordem Soberana e Militar de Malta, Fra' Marco Luzzago, o Papa enviou um telegrama de pesar ao seu delegado especial para a Ordem, cardeal Silvano Maria Tomasi.

Ao participar espiritualmente da dor pelo seu repentino falecimento, o Santo Padre apresenta suas condolências aos familiares e à toda Ordem, recordando seu “compromisso generoso no exercício do alto encargo a serviço da instituição, bem como seu amor à Igreja e o luminoso testemunho cristão”.

O Pontífice invoca para o falecido a paz eterna e de coração concede a bênção ao cardeal, ao Lugar-Tenente interino, Fra Ruy Gonçalo do Valle Peixoto, ao Grande Magistério e a todos os membros da Ordem Soberana e Militar de Malta.

A instituição havia anunciado "com profundo pesar" nesta quarta-feira a morte do Lugar-Tenente, em decorrência de um mal-estar repentino. Portanto, de acordo com o Art. 17 da Constituição da Ordem, quem assume de forma interina as funções do Lugar-Tenente é o Grão Comendador Fra’ Ruy Gonçalo do Valle Peixoto de Villas-Boas, que analogamente aos seu predecessor permanecerá na chefia da Ordem até a eleição do novo Grão Mestre. Fra' Marco Luzzago havia sido eleito em 8 de novembro de 2020.

Na Ordem de Malta desde 1975

 

Nascido em Bréscia em 1950, Fra' Marco Luzzago, depois de estudar nos Frades Franciscanos, estudou medicina nas Universidades de Pádua e Parma, antes de ser chamado para administrar os interesses de propriedade de sua família. Ele havia sido admitido na Soberana Ordem de Malta em 1975 no Grão Priorado da Lombardia e Veneza.

Em 2003 fez os votos religiosos solenes. Participou de inúmeras peregrinações internacionais da Ordem de Malta a Lourdes e as peregrinações nacionais a Assis e Loreto. Desde 2010 dedicava toda a sua vida à Ordem de Malta, mudando-se para a região italiana das Marchas para cuidar de uma das Comendas da Ordem, a de Villa Ciccolini. Desde 2011 era Comendador de Justiça no Grão Priorado de Roma, onde ocupou o cargo de Delegado das Marcas Norte e chefe da biblioteca. Entre 2017 e 2020 foi conselheiro da Associação Italiana da Ordem de Malta.

No ano passado, o Papa Francisco havia confirmado Fra' Marco Luzzago como Lugar Tenente de Grão-Mestre "até a conclusão do Capítulo Geral Extraordinário e posterior eleição de um novo Grão-Mestre pelo Conselho de Estado".

Em uma carta ao cardeal Tomasi, delegado especial do Pontífice junto à Ordem, Francisco havia explicado sua escolha ao mesmo tempo em que mostrava seu apoio e encorajamento à Família Giovannita "nas muitas obras de caridade que realiza com o trabalho louvável", por meio de seus membros e voluntários em diferentes partes do mundo, na fidelidade às finalidades da Ordem, isto é, a defesa da fé e o serviço aos pobres, aos doentes e aos mais fracos.

A Ordem de Malta: desde as suas origens até os dias de hoje

 

O nascimento da comunidade religiosa dos Hospitalários de São João – lê-se no site da Soberana Ordem de Malta – remonta a 1048 na Terra Santa. Em 1291, após a queda de Acre e a perda da Terra Santa, a Ordem transferiu sua sede e hospital para Limassol, na ilha de Chipre. Em 1307 sob a liderança do Grão-Mestre Fra’ Foulques de Villaret, os cavaleiros da Ordem de São João desembarcaram em Rodes. Em 1310 eles mudaram sua sede para lá. Em 1523, após seis meses de cerco e batalhas sangrentas com a frota e o exército do sultão Solimão, o Magnífico, os cavaleiros foram forçados a se render e abandonar Rodes. A Ordem permaneceu sem território por alguns anos até 1530, quando tomou posse da ilha de Malta. Em 1565 os cavaleiros, liderados pelo Grão-Mestre Fra' Jean de la Vallette, defenderam a ilha dos otomanos durante o Grande Cerco de Malta. No ano seguinte, começou a construção da cidade fortificada e do porto de Valletta, que leva o nome do Grão-Mestre Fra' Jean de la Vallette. Algumas décadas depois, a frota da Ordem participou da Santa Liga, promovida pelo Papa Pio V para combater o avanço do Império Otomano. Em 7 de outubro de 1571 contribuiu para a vitória da frota cristã na batalha de Lepanto.

Em 1834 a Ordem estabeleceu-se em Roma no então Estado Pontifício. Durante os séculos XIX e XX, a Ordem atualizou profundamente os seus estatutos, a sua carta constitucional e o código. A reorganização da Ordem coincide com o nascimento das associações nacionais.

Na segunda metade do século XIX, a missão original de assistência médica e social voltou a ser a principal atividade da Ordem. As atividades hospitalares e assistenciais são realizadas em grande escala durante a Primeira Guerra Mundial e durante a Segunda Guerra Mundial.

Atualmente, a Ordem Soberana de Malta mantém relações diplomáticas com mais de 100 Estados e com a União Europeia e tem estatuto de observador permanente junto das Nações Unidas. É neutra, imparcial e apolítica. Hoje a Ordem de Malta opera em 120 países onde presta assistência a pessoas necessitadas através de atividades médicas, sociais e humanitárias.

Site da Ordem Soberana e Militar de Malta: www.orderofmalta.int

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08 junho 2022, 19:38