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Enfermeira cuida de recém-nascido no Hotel Veneza, em Kiev Enfermeira cuida de recém-nascido no Hotel Veneza, em Kiev  (AFP or licensors)

Maternidade de substituição é um escândalo, diz bispo ucraniano

“A pandemia de coronavírus trouxe à luz muitas patologias na vida da sociedade contemporânea. Uma delas é a maternidade de substituição, ou seja, tratar as pessoas como mercadorias que podem ser encomendadas, produzidas e vendidas ". Trata-se de "pisar na dignidade humana", haviam dito em um comunicado conjunto os bispos latinos e greco-católicos da Ucrânia, referindo-se ao que está acontecendo no Hotel Venezia, em Kiev.

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Continua a provocar debates na Ucrânia o caso do Hotel Venezia, de Kiev, onde 46 crianças, fruto da maternidade de substituição, estão abandonadas, à espera de um destino.

O bloqueio de viagens internacionais devido à pandemia de coronavírus, de fato, impediu que os casais "clientes" fossem buscar os bebês recém-nascidos, subtraídos das mães naturais após o parto, conforme exigido pela legislação ucraniana.

Após o apelo conjunto dos bispos locais católicos e greco-latinos, agora é a Arquidiocese Metropolitana Ortodoxa de Kiev, por meio de seu vigário Teodósio, a levantar a voz para que se coloque um fim a essa prática dramática.

"É um escândalo – afirma o arcebispo, citado pela agência Cath. O Estado deve intervir para combater esse tráfico de seres humanos, promulgando uma lei que proteja o país da humilhação do comércio de crianças".

"Os recém-nascidos não são uma mercadoria - reitera o expoente ortodoxo. O Estado deve assumir a responsabilidade de resolver esse problema por meio de uma legislação específica, como acontece nos países civilizados".

Um ulterior apelo é lançado para que também as mulheres ucranianas sejam tuteladas dessa visão que as vê como meras "máquinas" para a produção de crianças.

Recordando então, como na maior parte das nações desenvolvidas existe uma proibição de praticar a maternidade de aluguel, Teodósio sublinha a "dor e consequências dramáticas" que esse fenômeno causa, infelizmente muitas vezes mantidas em silêncio porque o chamado "útero de aluguel" é um negócios muito próspero do ponto de vista econômico.

"Qualquer mulher ou jovem com problemas financeiros pode obter disso uma vantagem monetária - conclui o arcebispo ortodoxo -, mas transgredir a lei natural da maternidade provoca sofrimento". (IP)

29 maio 2020, 07:44