Vatican News

O incansável trabalho dos franciscanos em Aleppo

A ameaça do coronavírus frustrou as esperanças de um recomeço da vida em Aleppo, martirizada por uma longa guerra. Em meio aos escombros dos prédios destruídos, os franciscanos do “Franciscan care center” buscam levar um pouco de conforto às famílias, mas não só. Por meio do centro "Arte Terapêutica", querem devolver às crianças mutiladas, desfiguradas ou órfãs o sentido de uma vida digna.

Cidade do Vaticano

Voluntários trabalham incansavelmente pelas ruas e casas em ruínas de Aleppo. Nos últimos dias, distribuíram mais de 300 pacotes de alimentos para famílias carentes. A longa guerra já havia prostrado milhares de famílias, privando-as de trabalho e meios de subsistência e reduzindo-as à pobreza. Agora quando se começa um lento caminho de recuperação, a pandemia do Covid-19 representa um golpe inesperado, frustrando as esperanças que restavam do recomeço de uma vida digna, na qual os pais possam suprir as necessidades da vida cotidiana e, por outro lado, possam cuidar das crianças enquanto frequentam a escola, recuperando a "normalidade" de uma vida feita de sorrisos, amizades, brincadeiras.

Os 140 voluntários do Centro de Assistência Franciscano (“Franciscan care center”) estão envolvidos em uma obra que, com a ajuda material, oferece também uma esperança ao drama que se abate sobre a vida dessas famílias há anos.

A assistência chega a crianças, jovens, adultos e idosos que vivem em dificuldades, com a distribuição de pacotes de alimentos, mas também de livros escolares, materiais de saúde e kits de informações com as medidas necessárias para lidar com a pandemia de coronavírus.

Reconstruir o tecido social

 

O ímpeto de solidariedade dos frades franciscanos em Aleppo pretendia ajudar a reconstruir o tecido social de uma cidade dividida em duas pelo conflito. Assim, há três anos surgia o “Franciscan care center”, como uma iniciativa para ajudar as crianças das regiões leste e oeste de Aleppo. A primeira, a área mais pobre, que havia sofrido a destruição mais evidente, com o consequente imenso sofrimento da população ali residente.

Os “filhos de terroristas”

 

Um drama dentro do drama atinge a vida de muitas mulheres e crianças naquela área: centenas nasceram durante a guerra, fruto da violência e estupros cometidos pelos milicianos, mas estão abandonadas à própria sorte, por serem consideradas "filhos dos terroristas"

Mesmo existindo real e concretamente, essas crianças não são reconhecidas pelos cartórios. É como se não existissem. Muitas estão mutiladas, desfiguradas ou órfãos. E partindo precisamente dessa realidade da infância violada ou negada, que os franciscanos criaram um centro para reunir e prover o necessário a esses pequenos.

Cura por meio da arte

 

Com a ajuda de Binan Kayyali, uma das poucas psicólogas que restaram em Aleppo, ganhou corpo o primeiro projeto promovido pelo Centro, chamado "Arte Terapêutica", nasceu com o objetivo de tratar os traumas e as feridas mais ocultas mediante a arte, a música, o esporte, o teatro e atividades intelectuais.

O objetivo é lidar com a emergência psicológica das crianças afetadas por sérias dificuldades e estresse, nascidas em um contexto marcado pela violência e marginalização. “É uma cura por meio da beleza. Graças a uma estrutura que permite diversas atividades, com três campos para atividades esportivas, uma piscina e um teatro, é possível ajudar as crianças a desenvolver seus talentos. Desde o início, 500 crianças chegaram ao local. Depois de um ano, elas se tornaram mais de 2000", conta Binan Kayyali.

O segundo projeto promovido pelo Centro, conduzido pelo frei Firas Lutfi, chama-se "Um nome, um futuro" e é voltado, em particular, à acolhida de crianças de rua, sem rosto, sem nome, sem família, restituindo a eles a dignidade perdida, calor humano e um local onde possam ser cuidados, tanto em tempos de guerra, como de pandemia.

L’Osservatore Romano

17 abril 2020, 10:28