2019.04.08 Keitirele Mathapi, Presidente della UAR-AUB, nell'Assemblea Generale a Marrkech, 25-29-3-19 2019.04.08 Keitirele Mathapi, Presidente della UAR-AUB, nell'Assemblea Generale a Marrkech, 25-29-3-19 

Keitirele Mathapi satisfeita com 1º ano de mandato na UAR-AUB

Presidente da UAR-AUB está satisfeita com os frutos conseguidos no seu primeiro ano de mandato e está confiante noutras conquistas. Keitirele Mathapi apela aos parceiros e às organizações irmãs a apoiarem a UAR-AUB. Às mulheres pede para ocuparem o seu lugar à mesa da sociedade porque têm o necessário para isso.

Dulce Araújo - Cidade do Vaticano 

Umas das mulheres de proa hoje em África é Keitirele Mathapi. Natural do Botswana, é Presidente da UAR-AUB, União Africana de Radiodifusão. Foi eleita a 1 de Fevereiro de 2018, por ocasião da 11ª Assembleia Geral desta organização em Kigali, capital do Ruanda, para um mandato de dois anos, reelegível uma só vez. No final da 12ª Assembleia que teve lugar em Marrakech, no Marrocos, de 25 a 29 de Março findo, aproveitamos para lhe perguntar como foi esse primeiro ano de trabalho.

Oiça

Desafiador, mas satisfatório

Foi desafiador, mas satisfatório. Quando estivemos na Assembleia anterior, no Ruanda, em Março de 2018, estabelecemos metas para nós mesmos: três questões-chave  que queremos que sejam concretizados durante o nosso mandato:

Em primeiro lugar, fomos então desafiados pelo Presidente do Ruanda, Paul Kagame, que era Presidente de turno da UA a nos apropriarmo-nos da nossa voz, a pararmos de permitir a outras pessoas contar a nossa história. Então, estabelecemos como meta pôr de pé um projecto de plataforma para troca de programas e informações.

Agrada-me dizer fizemos progressos nesta matéria: temos a AUB-Vision que é esse plataforma de troca de informações e programas. Foi começado por 16 membros [em Janeiro de 2019] e estamos esperançosos de que outros aderirão à medida que avançarmos. Estamos também convictos de que seremos capazes  de estabelecer o sistema de transmissão desses conteúdos  para que não tenhamos de assinar acordos com outros para ter informações mesmo da África.

Em segundo lugar dissemos que precisamos também de conhecer a cultura de cada um de nós como continente. Então estabelecemos um Festival musical – o AUB-SafariShow que terá lugar na Costa do Marfim. Logo que a logística esteja toda pronta anunciaremos a data. Estamos um pouco atrasados, porque o director geral na Costa do Marfim foi elevado e foi-lhe dado um outro encargo e estamos felizes com isso.

Outro ponto em linha com a questão de nos apropriarmo-nos da nossa voz e contar a nossa própria história é a questão da aquisição dos direitos de emissão. Pedimos apoio político através da AUB e estamos felizes por poder dizer que 31 países membros activos deram o mandato à UAR-AUB para que negocie em nome deles todos os direitos desportivos em questão. Estamos gratos e felizes que, pela primeira vez, a CAF [Confederação Africana de Futebol] tenha aberto canais para designar o organismo que vencerá a comercialização dos direitos de transmissão para o período 2020-2023 e por termos sido incluídos na lista. Estamos a acompanhar o desenvolvimento disto para ver como se concluirá, mas acho que é um passo importante e na direcção certa. Também já fizemos o possível por hospedar alguns dos eventos da CAF: tivemos o CAF AWords, no Senegal, tivemos Beach Soccer;  e a “Bola de Ouro”.

Estou, portanto, feliz, por ter conseguido, num ano,  levar avante algumas coisas. Não é suficiente. Estou a meio do mandato e estou confiante de que chegaremos a bom fim.”

Prioridades para o segundo ano de mandato

À pergunta, quais serão as suas prioridades para o segundo ano do seu mandato e na sequência da 12ª Assembleia Geral de Marrakech, Keitirele Mathapi recorda que houve nessa assembleia um simpósio em que convidaram peritos para falar do impacto das novas tecnologias na radiodifusão e encontrar soluções para os desafios que isto comporta, pois que o desenvolvimento tem sempre lados positivos e negativos. E acrescentou:

Então a minha prioridade é fazer com que a África migre serenamente do analógico para o digital e façamos com que isto não nos divida, mas nos ajude a unir-nos e a encontrar uma base comum em que as nossas questões sejam tidas em conta e cheguemos a uma situação win, win em que todos tenham benefícios. Esta é a principal das minhas prioridades: fazer com que essa migração seja completa e fazer com que o sistema digital de radiodifusão nos traga benefícios.

Completar o que se tem na agenda

Keitirele Mathapi considera que os objectivos pré-fixados estão atingidos a cerca de 60% e que precisam de ser completados. Não é, portanto, necessário fixar novos objectivos de cada vez que há um encontro. O importante é completar o que se tem em cima da mesa. Por isso, o seu sonho é este:

Então, o meu sonho é que quando nos encontrarmos para a 13ª Assembleia Geral, tenhamos progredido e possamos dizer: em termos de aquisição de direitos de transmissão eis onde estamos, eis o que conseguimos. Sentir-me-ei feliz se avançarmos com isto porque completará parte dos nossos objectivos. Estou feliz com a plataforma de troca de programas, quero fazer com que todos os Estados membros estejam nessa plataforma quando nos encontrarmos na próxima Assembleia Geral. Desejo que tenhamos mais trocas culturais, tenhamos mais eventos em torno de trocas culturais.”

Próxima Assembleia Geral da UAR-AUB em 2020 no Botswana

A próxima Assembleia Geral da UAR-AUB ficou marcada para daqui a um ano no Botwana, terra natal de Keitirele Mathapi. Um anuncio que deu com alegria e que considera ser um ganho para a sua presidência da UAR-AUB.

Sim, a próxima Assembleia Geral será no Botswana. A última vez que se fez ali foi em 2009, já lá vão dez anos, estou feliz que a próxima seja na minha terra natal e poder então dizer estes são os resultados que obtive, creio que temos conseguido algo, sentir-me-ei feliz, brilhante no país e dou, desde já, as boas-vindas a todos, espero que teremos um melhor desempenho do que pudemos ter aqui”.

Uma equipa essencialmente feminina

Keitirele Mathapi é uma mulher à frente da UAR-AUB. O Director Geral da Organização é um homem: Gregoire Ndjaka, (dos Camarões). Com ele trabalha um importante grupo de mulheres. O mandato de Gregoire Ndjaka e da sua equipa do secretariado, com sede em Dakar, foi renovado para mais quatro anos a partir de Janeiro. E no momento foi enaltecido o papel dessa equipa em grande parte feminina. Perguntamos à Presidente se essa importante presença feminina é uma força, ou mesmo o segredo do sucesso da UAR-AUB. Eis a sua resposta:

Certo, de facto acho que não se trata apenas de um desenvolvimento positivo para a União, mas de toda a Árica no conjunto. Sabe, riem-se sempre quando digo que na minha cultura há idiomas que dizem que os homens conduzem e as mulheres seguem. E no Conselho Executivo da UAR-AUB há dez homens, eu sou a única mulher e estou no leme desse Conselho. Isto mostra como estamos a fazer com que haja equilíbrio de género e igualdade em África. Não podemos dizer que já se conseguiu na totalidade, mas estamos a caminho. O Secretariado tem apenas dois homens e oito ou nove mulheres. Isto é positivo! O nosso trabalho fala por nós mesmos. As mulheres estavam cá, vocês viram-nas, foram elas que montaram esta Assembleia. Estou orgulhosa e quero ver mais mulheres em lugares de responsabilidade. Não acho que as coisas nos devem ser confiadas apenas por sermos mulheres. Temos de demonstrar que merecemos tal ou tal encargo.

Quero que a União seja um projecto viável em que sejamos capazes de acolher novos membros, viu que admitimos mais três, é positivo, e quero construir nessa linha. Quero mostrar que somos uma força com a qual se pode contar, que pode fazer coisas por si própria.”

Pagamento quotas anuais 

Um dos problemas da UAR-UAB é que muitos Estados membros não pagam as suas quotas anuais. Será que a chefia da organização tem alguma estratégia para os levar a cumprir esse dever?

Creio que isto está relacionado também com o que se oferece. O meu país tem sempre pago a sua quota e oiço dizer em muitas outras organizações que sempre paga. Mas há países que não têm boa vontade em pagar quotas. Temos feito o possível, não só através de convites, mas também de visitas da nossa parte a esses países. Vamos entrar num processo em que procuraremos, com o pouco dinheiro que temos, visitar os países membros e dizer: este é o AUB, esta é a nossa missão, estes são os benefícios que podemos ter se os membros estiverem numa boa relação com a UAB. Espero, no fim do meu mandato ver que mais membros activos preencheram os seus deveres e que possamos ir para a frente no desenvolvimento, fazendo mais formações; e não excluímos ninguém, que tenha pago ou não as próprias quotas. Mas dado que temos de engajar, a pagamento, peritos para as formações – esta é uma forma de motivar ao pagamento da quota. Outro mecanismos é que se não se paga totalmente as próprias quotas não pode aspirar a lugares de relevo na Organização, no Conselho Executivo. Esta é uma pequena motivação que estamos a usar. Mas que tenham as quotas pagas ou não, continuam a beneficiar da UAB. Acho que a presença física, mostrar, explicar aos nossos Estados membros  as razões pelas quais devem pagar as quotas, é muito importante.”

Apelos aos parceiros, oranizações irmãs e às mulheres

Na conclusão da conversa com a Rádio Vaticano, no final da Assembleia Geral da UAR em Marrakech, a Presidente Keitirele Mathapi deixou dois apelos:

Queria apelar aos parceiros  e organizações irmãs a apoiar-nos. Estamos a tentar refazer-nos, vimos da URTNA [União de Rádios e Televisões Nacionais da África], temos muitos desafios pela frente, mas estou esperançosa, vejo o futuro brilhante, podemos fazer mais do que estamos a fazer, não nos deixemos levar pela competição, mas pela colaboração. Então, apelo às organizações irmãs a juntarem as suas mãos às nossas para ver a melhor forma de nos complementarmos.

Às mulheres da África só quero dizer “temos o necessário”! Não sejamos tímidas em erguer a cabeça. É importante que dialoguemos com as situações que se nos apresentam. Estou contente porque alguns dizem que algumas culturas não me permitiriam estar neste lugar. Mas estou feliz porque tenho o apoio de homens da África. Portanto, mulheres, paremos de dizer que os nossos homens não nos apoiam. Eles apoiam! Por vezes, somos nós que não ocupamos o nosso lugar à mesa. Sentemo-nos à mesa, temos o necessário para isso”.

Keitirele Mathapi, que nos falava no final da Assembleia Geral da UAR, Marrakech, 25-29 de Março, em que estiveram também  organizações irmãs, como a UER, União Europeia de Radiodifusão. A próxima Assembleia será, recordamos, daqui a um ano, no Botwana, país natal da Keitirele e onde ela esteve, no passado, à frente da televisão nacional. Tal como ela, também o Director Geral da UAR-AUB, Gregoire Ndjaka vem do mundo da televisão nacional dos Camarões.

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08 abril 2019, 12:52