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Cristãos aguardam a celebração dominical na Igreja al-Tahira-al-Kubra, em Qaraqosh Cristãos aguardam a celebração dominical na Igreja al-Tahira-al-Kubra, em Qaraqosh  (AFP or licensors)

A nova Aliança com o novo Povo de Deus

"Ele é o Povo de Deus: Deus não pertence, como propriedade, a nenhum povo. Mas adquiriu para si um povo dentre os que outrora não eram um povo: "Uma raça eleita, um sacerdócio régio, uma nação santa" (1Pd 2,9). Se rezamos “Pai-Nosso” se cumpre a promessa da nova e eterna Aliança em Cristo: nós nos tornamos seu Povo e Ele é, doravante, "nosso" Deus."

Jackson Erpen - Vatican News

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Padre Gerson Schmidt*, em nosso último programa, falou sobre “A Igreja como Povo de Deus”, ilustrando sua reflexão com a carta do Papa Francisco ao presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina (CAL) e prefeito da Congregação para os Bispos, cardeal Marc Ouellet, em que recordava alguns trechos da Lumen Gentium, como o segundo capítulo, que diz que “a Igreja não é uma elite de sacerdotes, consagrados, bispos, mas que todos formamos o Santo Povo fiel de Deus”. Nessa carta, o Papa recordou o valor do laicato e o combate ao clericalismo na América Latina. No programa de hoje, o sacerdote incardinado na Arquidiocese de Porto Alegre nos fala sobre “A nova Aliança com o novo Povo de Deus”:

 

“O Capítulo primeiro e segundo da Lumen Gentium nos fala das diversas imagens da Igreja. Falamos ainda da imagem da igreja como Povo de Deus. No número 9 da LG diz assim: “... aprouve a Deus salvar e santificar os homens, não individualmente, excluída qualquer ligação entre eles, mas constituindo-os em povo que O conhecesse na verdade e O servisse santamente. Escolheu, por isso, a nação israelita para Seu povo. Com ele estabeleceu uma aliança; a ele instruiu gradualmente, manifestando-Se a Si mesmo e ao desígnio da própria vontade na sua história, e santificando-o para Si. Mas todas estas coisas aconteceram como preparação e figura da nova e perfeita Aliança que em Cristo havia de ser estabelecida e da revelação mais completa que seria transmitida pelo próprio Verbo de Deus feito carne. Eis que virão dias, diz o Senhor, em que estabelecerei com a casa de Israel e a casa de Judá uma nova aliança... Porei a minha lei nas suas entranhas e a escreverei nos seus corações e serei o seu Deus e eles serão o meu povo... Todos me conhecerão desde o mais pequeno ao maior, diz o Senhor (Jer. 31, 31-34). Esta nova aliança instituiu-a Cristo, o novo testamento no Seu sangue (cfr. 1 Cor. 11,25), chamando o Seu povo de entre os judeus e os gentios, para formar um todo, não segundo a carne, mas no Espírito e tornar-se o Povo de Deus”.

O Catecismo da Igreja Católica, referendando a LG, aponta diversas características desse Novo Povo de Deus, como imagem da Igreja de Cristo. O Povo de Deus tem características que o distinguem nitidamente de todos os agrupamentos religiosos, étnicos, políticos ou culturais da história. Vejamos essas particularidades (CIC 782-786):

1. Ele é o Povo de Deus: Deus não pertence, como propriedade, a nenhum povo. Mas adquiriu para si um povo dentre os que outrora não eram um povo: "Uma raça eleita, um sacerdócio régio, uma nação santa" (1Pd 2,9). Se rezamos “Pai-Nosso” se cumpre a promessa da nova e eterna Aliança em Cristo: nós nos tornamos seu Povo e Ele é, doravante, "nosso" Deus.

2. A pessoa torna-se membro deste povo não pelo nascimento físico, mas pelo "nascimento do alto", "da água e do Espírito" (Jo 3,3-5), isto é, pela fé em Cristo e pelo Batismo. “Das fontes batismais nasce o único povo de Deus da nova aliança, que supera todos os limites naturais ou humanos das nações, das culturas, das raças e dos sexos” (CIC 1267).

3. Este povo tem por Chefe (Cabeça) Jesus Cristo (Ungido, Messias); pelo fato de a mesma Unção, o Espírito Santo, fluir da Cabeça para o Corpo, ele é "o Povo messiânico”. Cristo é a Igreja, eis, portanto, o "Cristo total" ("Christus totus"). A Igreja é una com Cristo (CIC 695).

4. A condição deste povo é a dignidade da liberdade dos filhos de Deus: nos corações deles, como em um templo, reside o Espírito Santo. “É para a liberdade que Cristo nos libertou" (Gl 5,1). Nele comungamos da "verdade que nos torna livres". O Espírito Santo nos foi dado e, como ensina o apóstolo, "onde se acha o Espírito do Senhor, aí está a liberdade" (2 Cor 3,17). Desde agora participamos da "liberdade da glória dos filhos de Deus" (CIC 1741)

5. "Sua lei é o mandamento novo de amar como Cristo mesmo nos amou[a87]". É a lei "nova" do Espírito Santo. Nova Lei é também denominada lei de amor, porque ela leva a agir pelo amor infundido pelo Espírito Santo e não pelo temor; uma lei de graça, por conferir a força da graça para agir por meio da fé e dos sacramentos (CIC 1972)

6. Sua missão é ser o sal da terra e a luz do mundo. “Ele constitui para todo o gênero humano o mais forte germe de unidade, esperança e salvação". Esse Povo tem um Tríplice Munus recebido no batismo: Jesus Cristo é aquele que o Pai ungiu com o Espírito Santo e que constituiu "Sacerdote, Profeta e Rei". O Povo de Deus inteiro participa dessas três funções de Cristo e assume as responsabilidades de missão e de serviço que daí decorrem.

7. A meta desse povo é "o Reino de Deus, iniciado na terra por Deus mesmo, Reino a ser estendido mais e mais, até que, no fim dos tempos, seja consumado por Deus mesmo".

*Padre Gerson Schmidt foi ordenado em 2 de janeiro de 1993, em Estrela (RS). Além da Filosofia e Teologia, também é graduado em Jornalismo e é Mestre em Comunicação pela FAMECOS/PUCRS.

12 maio 2021, 08:16