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Em Yangon, jovens preparam-se para enfrentar a polícia em protestos contra o golpe militar Em Yangon, jovens preparam-se para enfrentar a polícia em protestos contra o golpe militar  (ANSA)

Em Mianmar, o apelo do cardeal Bo para jovens não cederem à violência

“Perguntem-se se a luta armada poderia ser a melhor resposta à repressão diária e à brutalidade que vocês enfrentam”, sugeriu o arcebispo de Yangon. O apelo por protestos pacíficos chega em um momento em que o número diário de mortos continua aumentando e os militares intensificaram a ação repressiva contra manifestantes pró-democracia no país do sudeste asiático. De acordo com a Associação de Assistência a Prisioneiros Políticos, desde o golpe de 1º de fevereiro, pelo menos 275 pessoas foram mortas em Mianmar.

Anna Poce - Vatican News

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O cardeal Charles Bo, arcebispo de Yangon e presidente da Federação das Conferências Episcopais da Ásia, em uma declaração divulgada em 24 de fevereiro - informa a UCA News -, lançou um apelo aos jovens para trilharem o caminho da não-violência para restaurar a democracia no país, precipitado em desordens após o golpe militar de 1° de fevereiro.

Dirigindo-se aos jovens estudantes que lideram o movimento pró-democracia, o purpurado listou alguns dos muitos desafios que devem ser enfrentados hoje, como "a violência brutal contra o povo que torna cada vez mais difíceis as assembleias pacíficas; o medo, a depressão e a ansiedade pelo futuro", e reconheceu o valor e a contribuição de seu movimento para o país.

Ainda que “o de vocês seja um movimento nacional, alicerçado nos valores da democracia, da não violência, da igualdade e da solidariedade e procura levar justiça a todos” – disse o purpurado - hoje, com o número crescente de mortes, “perguntem-se se a luta armada poderia ser a melhor resposta à repressão diária e à brutalidade que vocês enfrentam”, sugeriu. Mas o caminho da luta violenta, mesmo que inicialmente motivará alguns, a longo prazo - acrescentou - vai alienar a maioria, e vai perder apoio não só na pátria, mas também na comunidade internacional, ponderou.

O cardeal - recordando como o movimento dos jovens "tenha conquistado até agora a atenção, a solidariedade, a admiração e o apoio de todo o mundo graças à sua natureza pacífica" - exortou os jovens a não cederem à violência. “Eu faço um apelo a você - disse ele - para permanecerem determinados e disciplinados na não violência”, acrescentando que ele, pessoalmente, “continuará a apoiar todos os esforços e intervenções não violentas e pacíficas”. “Estou totalmente comprometido em todos os níveis para reduzir a violência nas ruas e proteger a vida das pessoas”, assegurou.

Foto tirada por fonte anônima mostra forças de segurança em rua de Taunggyi
Foto tirada por fonte anônima mostra forças de segurança em rua de Taunggyi

O apelo chega em um momento em que o número diário de mortos continua aumentando e os militares intensificaram a ação repressiva contra manifestantes pró-democracia no país do sudeste asiático. De acordo com a Associação de Assistência a Prisioneiros Políticos, desde o golpe de 1º de fevereiro, pelo menos 275 pessoas foram mortas em Mianmar.

Diante dessa dramática situação, também a Federação das Conferências Episcopais da Ásia se uniu aos fervorosos apelos pelo fim da violência no país.

"Por favor, iniciem um diálogo para encontrar uma solução, uma saída", escreveram os 12 cardeais asiáticos em sua declaração publicada em 23 de março, dirigida aos militares, políticos, manifestantes, todos os líderes religiosos e à Igreja.

Eles também expressaram sua proximidade ao cardeal Bo, compartilhando sua dor e angústia. “Ao nosso querido irmão, o cardeal Bo, dizemos: estamos contigo. Nós nos unimos a ti enquanto guias o teu povo em oração a Deus por uma rápida resolução do conflito e para que todos vejam o caminho que leva a uma solução, condenando a violência militar contra civis inocentes.”

Visto que "a violência nunca é uma solução, a força nunca é uma solução, que levam apenas a mais dor e sofrimento, mais violência e destruição", os cardeais convidaram "todos os líderes religiosos de Mianmar" a se unirem a esta oração e a este apelo em favor da paz, pedindo a intercessão da Virgem Maria pela paz e pela liberdade no país.

Vatican News Service - AP

25 março 2021, 11:56