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"Os leigos, em virtude de sua consagração a Cristo e da unção do Espírito Santo, recebem a vocação admirável e os meios que permitem ao Espírito produzir neles frutos sempre mais abundantes." "Os leigos, em virtude de sua consagração a Cristo e da unção do Espírito Santo, recebem a vocação admirável e os meios que permitem ao Espírito produzir neles frutos sempre mais abundantes."  (AFP or licensors)

“O múnus sacerdotal do Cristão”

“Todos os seus trabalhos, orações e empreendimentos apostólicos, a vida conjugal e familiar, o trabalho de cada dia, o descanso do espírito e do corpo, se forem feitos no Espírito, e as próprias incomodidades da vida, suportadas com paciência, se tornam em outros tantos sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo", diz o Concílio Vaticano II ao falar dos fiéis leigos.

Jackson Erpen – Vatican News 

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No nosso espaço Memória Histórica – 50 anos do Concílio Vaticano II, vamos falar hoje sobre “O múnus sacerdotal do Cristão”. 

Neste ano de 2021 que se inicia, daremos continuidade a este nosso espaço dedicado ao aprofundamento dos documentos conciliares, sempre contando com a preciosa contribuição do padre Gerson Schmidt*, que tem nos acompanhando na exposição destes temas. 

Neste primeiro programa do ano, o sacerdote incardinado na Arquidiocese de Porto Alegre nos fala sobre o “múnus sacerdotal do cristão”, dando assim continuidade ao programa precedente, quando falou da “Tríplice missão do Povo de Deus”:

"O Concílio Vaticano II deu destaque a tríplice missão do leigo – o múnus sacerdotal, profético e real. Na exortação Pós-Sinodal Cristhifidelis Laici, João Paulo II salienta a missão sacerdotal do cristão leigo, afirmada pela Lumen Gentium no número 34: “Os fiéis leigos participam no múnus sacerdotal pelo qual Jesus se ofereceu a Si mesmo sobre a Cruz e continuamente Se oferece na celebração da Eucaristia para glória do Pai e pela salvação da humanidade. Incorporados em Cristo Jesus, os batizados unem-se a Ele e ao Seu sacrifício, na oferta de si mesmos e de todas as suas atividades (cf. Rom 12, 1-2)”.

 

Ao falar dos fiéis leigos, o Concílio diz: “Todos os seus trabalhos, orações e empreendimentos apostólicos, a vida conjugal e familiar, o trabalho de cada dia, o descanso do espírito e do corpo, se forem feitos no Espírito, e as próprias incomodidades da vida, suportadas com paciência, se tornam em outros tantos sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo (cf.1Pd 2, 5); sacrifícios estes que são piedosamente oferecidos ao Pai, juntamente com a oblação do corpo do Senhor, na celebração da Eucaristia. E deste modo, os leigos, agindo em toda a parte santamente, como adoradores, consagram a Deus o próprio mundo”.

A constituição Dogmática Lumen Gentium, falando da consagração do mundo pelo apostolado dos leigos, ainda diz: “O supremo e eterno sacerdote Cristo Jesus, querendo também por meio dos leigos continuar o Seu testemunho e serviço, vivifica-o pelo Seu Espírito e sem cessar os incita a toda a obra boa e perfeita. E assim, àqueles que intimamente associou à própria vida e missão, concedeu também participação no seu múnus sacerdotal, a fim de que exerçam um culto espiritual, para glória de Deus e salvação dos homens. Por esta razão, os leigos, enquanto consagrados a Cristo e ungidos no Espírito Santo, têm uma vocação admirável e são instruídos para que os frutos do Espírito se multipliquem neles cada vez mais abundantemente”. 

Portanto, trabalhos, orações, empreendimentos, vida conjugal e familiar, incomodidades da vida, sacrifícios outros, tudo oferecido ao Pai, na Eucaristia... serão maneiras de exercer o múnus sacerdotal do leigo, participando da missão sacerdotal de Cristo.

O Catecismo da Igreja Católica também fala sobre a participação dos leigos na missão sacerdotal de Cristo: No número 901 diz assim: "Os leigos, em virtude de sua consagração a Cristo e da unção do Espírito Santo, recebem a vocação admirável e os meios que permitem ao Espírito produzir neles frutos sempre mais abundantes. Assim, todas as suas obras, preces e iniciativas apostólicas, vida conjugal e familiar, trabalho cotidiano, descanso do corpo e da alma, se praticados no Espírito, e mesmo as provações da vida, pacientemente suportadas, se tornam 'hóstias espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo' (l Pd 2,5), hóstias que são piedosamente oferecidas ao Pai com a oblação do Senhor na celebração da Eucaristia. É assim que os leigos consagram a Deus o próprio mundo, prestando a Ele, em toda parte, na santidade de sua vida, um culto de adoração".

No número 784 do Catecismo acentua-se essa vocação sacerdotal do Povo de Deus: “Ao entrar no Povo de Deus pela fé e pelo Batismo, recebe-se participação na vocação única deste povo, em sua vocação sacerdotal: "Cristo Senhor, Pontífice tomado dentre os homens, fez do novo povo 'um reino e sacerdotes para Deus Pai'. Pois os batizados, pela regeneração e unção do Espírito Santo, são consagrados para ser uma morada espiritual e sacerdócio santo”.

No número 902 do Catecismo diz ainda assim: “De maneira especial, os pais participam do múnus de santificação "quando levam uma vida conjugal com espírito cristão e velando pela educação cristã dos filhos"."

*Padre Gerson Schmidt foi ordenado em 2 de janeiro de 1993, em Estrela (RS). Além da Filosofia e Teologia, também é graduado em Jornalismo e é Mestre em Comunicação pela FAMECOS/PUCRS.

 

06 janeiro 2021, 08:38