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"O próprio testemunho da vida cristã e as boas obras feitas em espírito sobrenatural possuem a força de atrair os homens para a fé e para Deus." (Catecismo da Igreja Católica) "O próprio testemunho da vida cristã e as boas obras feitas em espírito sobrenatural possuem a força de atrair os homens para a fé e para Deus." (Catecismo da Igreja Católica) 

O múnus profético do cristão

Unidos a Cristo, o “grande profeta”, e constituídos no Espírito “testemunhas” de Cristo Ressuscitado, os fiéis leigos tornam-se participantes quer do sentido de fé sobrenatural da Igreja que “não pode errar no crer” quer da graça da palavra; eles são igualmente chamados a fazer brilhar a novidade e a força do Evangelho na sua vida quotidiana, familiar e social, e a manifestar, com paciência e coragem, nas contradições da época presente, a sua esperança na glória “também por meio das estruturas da vida secular”. (São João Paulo II)

Jackson Erpen – Vatican News

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No nosso espaço Memória Histórica – 50 anos do Concílio Vaticano II, vamos falar hoje sobre “o múnus profético do cristão”.

Pelos Batismo, os fiéis participam do sacerdócio de Cristo, de sua missão profética e régia. Jesus quis “um povo santo e sacerdotal, uma raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido por Deus para anunciar os seus louvores” (1 Pedro 2, 4-10).

Essa tríplice missão do povo de Deus foi de modo particular destacada no Concílio Vaticano II, motivo pelo qual, padre Gerson Schmidt - que tem nos acompanhado na exposição dos documentos conciliares – a ela tem dedicado alguns programas. Naquele da última semana, por exemplo, nos falou sobre “o múnus sacerdotal do cristão”. E hoje, nos fala sobre “o múnus profético do cristão”: 

 

"O Concílio Vaticano II deu destaque a tríplice missão do leigo – o múnus sacerdotal, profético e real. No encontro anterior falamos da missão sacerdotal do Povo de Deus. Hoje falamos da missão profética laical. A constituição Conciliar Lumen Gentium, no número 35, aponta essa missão evangelizadora e profética do leigo: “Do mesmo modo que os sacramentos da nova lei, que alimentam a vida e o apostolado dos fiéis, prefiguram um novo céu e uma nova terra (cf. Apoc. 21,1), assim os leigos tornam-se valorosos arautos da fé naquelas realidades que esperamos (cf. Hebr. 11,1), se juntarem sem hesitação, a uma vida de fé, a profissão da mesma fé. Este modo de evangelizar, proclamando a mensagem de Cristo com o testemunho da vida e com a palavra, adquire um certo carácter específico e uma particular eficácia por se realizar nas condições ordinárias da vida no mundo”.  

Na exortação Pós-Sinodal Cristhifidelis Laici, João Paulo II salientando também a missão profética do cristão leigo, afirmava assim: A participação no múnus profético de Cristo, “que, pelo testemunho da vida e pela força da palavra, proclamou o Reino do Pai”, habilita e empenha os fiéis leigos a aceitar, na fé, o Evangelho e a anunciá-lo com a palavra e com as obras, sem medo de denunciar corajosamente o mal. Unidos a Cristo, o “grande profeta” (Lc 7, 16), e constituídos no Espírito “testemunhas” de Cristo Ressuscitado, os fiéis leigos tornam-se participantes quer do sentido de fé sobrenatural da Igreja que “não pode errar no crer” quer da graça da palavra (At 2, 17-18; Ap 19,10); eles são igualmente chamados a fazer brilhar a novidade e a força do Evangelho na sua vida quotidiana, familiar e social, e a manifestar, com paciência e coragem, nas contradições da época presente, a sua esperança na glória “também por meio das estruturas da vida secular”.

O Catecismo da Igreja Católica também fala sobre a participação dos leigos na missão profética de Cristo. Diz assim no número 905: “Os leigos exercem sua missão profética também pela evangelização, "isto é, o anúncio de Cristo feito pelo testemunho da vida e pela palavra". Nos leigos, "esta evangelização... adquire características específicas e eficácia peculiar pelo fato de se realizar nas condições comuns do século".

Também exercem um anúncio profético pelo testemunho, conforme o número 2044 do Catecismo, que afirma: “A fidelidade dos batizados é condição primordial para o anúncio do Evangelho e para a missão da Igreja no mundo. Para manifestar diante dos homens sua força de verdade e de irradiação, a mensagem da salvação deve ser autenticada pelo testemunho de vida dos cristãos: "O próprio testemunho da vida cristã e as boas obras feitas em espírito sobrenatural possuem a força de atrair os homens para a fé e para Deus. Este apostolado não consiste apenas no testemunho da vida: o verdadeiro Apóstolo procura as ocasiões para anunciar Cristo pela palavra, seja aos descrentes... seja aos fiéis. No número 906 do Catecismo ainda afirma: “Os leigos que forem capazes e que se formarem para isto podem também dar sua colaboração na formação catequética, no ensino das ciências sagradas e atuar nos meios de comunicação social. "

*Padre Gerson Schmidt foi ordenado em 2 de janeiro de 1993, em Estrela (RS). Além da Filosofia e Teologia, também é graduado em Jornalismo e é Mestre em Comunicação pela FAMECOS/PUCRS.

13 janeiro 2021, 08:23