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“É necessária uma maior cooperação, bem como o fornecimento de assistência aos países nas rotas do tráfico de seres humanos”, defende a Santa Sé “É necessária uma maior cooperação, bem como o fornecimento de assistência aos países nas rotas do tráfico de seres humanos”, defende a Santa Sé  (ANSA)

Fortalecimento da parceria entre os Estados para combater tráfico de pessoas, defende Santa Sé

"No mundo existem mais de 40 milhões de vítimas do tráfico ou da exploração, das quais um quarto, 10 milhões, têm menos de 18 anos, enquanto uma criança em cada vinte vítimas de exploração sexual no mundo, tem menos de oito anos", recordou Dom Janusz Urbańczyk

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Fortalecer a parceria e a cooperação entre os Estados: esta é uma das “armas” mais eficazes para combater o tráfico de seres humanos. Quem defende é o Observador Permanente da Santa Sé junto à Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), Dom Janusz Urbańczyk, ao se pronunciar na 1.277ª reunião do Conselho Permanente da Organização.

Realizado em Viena durante um mês - de 30 de julho a 31 de agosto - o encontro dedicou uma sessão de reflexão sobre o “Dia Mundial contra o Tráfico de Seres Humanos”, celebrado em 30 de julho. Uma tema particularmente importante para a Santa Sé - disse Dom Urbańczyk - destacando como as vítimas do tráfico estão "entre as pessoas mais desumanizadas e descartadas do mundo hoje, em todos os cantos da terra".

O tráfico de seres humanos “é uma chaga terrível, uma peste aberrante, uma ferida aberta no corpo da sociedade contemporânea”, continuou o Observador Permanente, fazendo eco às palavras tantas vezes proferidas pelo Papa Francisco.

O tráfico transforma as pessoas em “mercadorias compradas, vendidas e exploradas de formas diferentes e inimagináveis”. Além disso, existe uma "ignorância generalizada" sobre a natureza do problema que é percebido como "espinhoso e vergonhoso". E ainda – recordou Dom Urbańczyk - “no mundo existem mais de 40 milhões de vítimas do tráfico ou da exploração, das quais um quarto, 10 milhões, têm menos de 18 anos, enquanto uma criança em cada vinte vítimas de exploração sexual no mundo, tem menos de oito anos".

E não só: a pandemia de Covid-19 "mudou os padrões habituais de tráfico e exploração", intensificando o uso da comunicação e da manipulação online, e "também exacerbou e trouxe à tona as desigualdades econômicas e sociais sistêmicas e profundamente enraizadas, que estão entre as causas do tráfico de pessoas”.

O que fazer então? O representante da Santa Sé recordou que “a luta contra o tráfico tem sido frequentemente descrita na forma de três “pês”: prevenção, proteção e perseguição”. No entanto, existe também um quarto “P”, nomeadamente a parceria, “que não é menos importante e deve ser fortalecida”, sublinhou Dom Urbańczyk, pois “a falta de cooperação entre os vários atores estatais torna frequentemente ineficazes as políticas e programas animados por boas intenções”.

Neste sentido os votos de que os Estados compartilhem entre eles "informações relevantes sobre o tráfico de seres humanos" e desenvolvam "respostas comuns". “É necessária uma maior cooperação - reiterou o Observador Permanente - bem como o fornecimento de assistência aos países nas rotas do tráfico de seres humanos”.

O chamado é válido para todos: “Para serem eficazes, a cooperação e a coordenação - concluiu o prelado - deveriam envolver também a sociedade civil, as organizações e lideranças religiosas, bem como o setor econômico e os meios de comunicação”, justamente como acontece - concluiu - para o Grupo Santa Marta.

Fundado em 2014 a pedido do Papa Francisco, de fato, o Grupo Santa Marta reúne uma centena de delegados provenientes de 30 países ao redor do mundo com o objetivo de combater “a chaga social do tráfico de pessoas, ligada às novas formas de escravidão”. O órgão reúne bispos, policiais, sacerdotes, religiosos, representantes de organizações que lutam contra o tráfico, sobretudo escutando as vozes das vítimas.

Vatican News Service - IP

31 agosto 2020, 13:57