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Cardeal Kurt Koch no Memorial Yad Vashem Cardeal Kurt Koch no Memorial Yad Vashem 

Cardeal Koch: abrir-se aos outros para conter o antissemitismo

O 5° Fórum Mundial sobre o Holocausto foi promovido pela World Holocaust Forum Foundation no Memorial Yad Vashem. A delegação da Santa Sé foi guiada pelo presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, cardeal Kurt Koch.

Chrtistine Seuss – Cidade do Vaticano

Concluiu-se, em Jerusalém, no Memorial Yad Vashem, nesta quinta-feira (23/01), o 5° Fórum Mundial sobre o Holocausto.

O evento foi promovido pela Fundação Fórum Mundial do Holocausto (World Holocaust Forum Foundation). A delegação da Santa Sé foi guiada pelo presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, cardeal Kurt Koch, dentro do qual existe a Comissão Vaticana das Relações Religiosas com o Judaísmo.

Entrevistado pelo programa alemão do Vatican News, o cardeal explica o significado forte desse encontro.

Cardeal Koch: Acredito que o fato de terem vindo muitos representantes de Estado, seja um sinal de que, também do ponto de vista histórico, se quis lançar um sinal contra o antissemitismo. Foi dito claramente, em vários discursos, que devemos aprender da história e que algo assim não deve mais acontecer. Acredito que o antissemitismo não seja apenas um capítulo da história que pode ser arquivado, mas é um fenômeno que está emergindo novamente hoje. Neste sentido, foram citados muitos exemplos, que devem fazer pensar.

Cardeal Koch quais são as causas do antissemitismo?

Cardeal Koch: As causas são certamente muito diferentes e não podem ser resumidas. Existem várias razões pelas quais as pessoas têm medo dos estrangeiros, dos outros, por causa dos muitos desafios que enfrentam, e isso é transferido aos judeus, por exemplo. Hoje, também temos fortes tendências nacionalistas, um novo ressurgimento do nacionalismo, que também pode ser expressado de forma antissemita. As causas também variam de um país para outro. Penso que o nacionalismo e o populismo sejam as causas principais.

O que os católicos podem fazer para conter o antissemitismo?

Cardeal Koch: Primeiramente, eu diria que o medo das pessoas também deve ser levado a sério. Porém, temos de levar o medo das pessoas a sério a fim de ajudá-las a superá-lo. Como Jesus nos diz no Evangelho de João: “No mundo vocês terão aflições, mas tenham coragem: eu venci o mundo!” Devemos fazer as duas coisas: considerar o medo das pessoas, na certeza de vencer esse medo na fé, abrindo-nos ao outro. Obviamente, a Igreja Católica é chamada de modo especial a aprofundar o patrimônio comum com o judaísmo, as tradições comuns, os valores partilhados, e sobretudo a “Nostra Aetate”, a grande declaração do Concílio Vaticano II sobre o diálogo judeu-cristão, para continuar neste caminho.

24 janeiro 2020, 16:23