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O foco principal do congresso em Assis foi a pastoralidade da liturgia, ou seja, a liturgia não simplesmente enquanto essência teológica, mas aplicação pastoral. O foco principal do congresso em Assis foi a pastoralidade da liturgia, ou seja, a liturgia não simplesmente enquanto essência teológica, mas aplicação pastoral.  

Congresso internacional em Assis - Embrião pastoral da SC

Em 1956, o primeiro Congresso Internacional de Pastoral Litúrgica foi celebrado em Assis, com um verdadeiro encontro de especialistas e troca de experiências que teve sua culminância na reforma litúrgica do Vaticano II. Para o Congresso, Papa Pio XII fez um precioso e excelente discurso.

Jackson Erpen – Cidade do Vaticano

No nosso espaço Memória Histórica – 50 anos do Concílio Vaticano II, vamos continuar a falar sobre Liturgia.

A reforma litúrgica trazida pelo Concílio Vaticano II com a Sacrosanctum Concilium, é fruto também do Movimento Litúrgico surgido bem antes, como já tratado em programas anteriores. Em 1956, poucos anos antes de o Concílio ser convocado pelo Papa João XXIII, realizou-se em Assis o primeiro Congresso Internacional de Pastoral Litúrgica. Para esse Congresso, "o Papa Pio XII fez um precioso discurso, excelente complemento da anterior Encíclica sobre a música sagrada, colocando a excelência e elevada significação da liturgia católica, como símbolo da graça e da pessoa de Cristo".

No programa desta quarta-feira, Padre Gerson Schmidt, que tem nos acompanhado neste percurso dos documentos conciliares, nos fala sobre o Congresso Internacional em Assis, embrião pastoral da Sacrosanctum Concilium:

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“Já falamos em nosso resgate histórico que o movimento litúrgico começou a fervilhar antes do Concílio Vaticano II. A Sacrosanctum Concilium não caiu do céu, de uma hora pra outra. Houve várias iniciativas anteriores, uma delas foi o primeiro Congresso Internacional de Liturgia que aconteceu em Assis, na cidade onde viveu São Francisco de Assis, 3 anos antes da convocação do Concílio Vaticano II. Aconteceu de 18 a 21 de setembro de 1956, concluindo-se em Roma, com a audiência pontifícia no dia 22 de setembro.

Quem teria dito que depois desse congresso internacional, que reivindicou mudanças na Liturgia, e que por meio das mesmas pessoas de Assis, teriam encontrado plena realização justamente no esplendor do Concílio?[1] O elemento novo foi a oficialidade resultante do congresso a partir da intervenção do cardeal Gaetano Cicognani – prefeito da Sagrada Congregação dos Ritos, da qual era presidente. Participaram desse congresso, que anunciou uma aurora resplandecente, 5 cardeais (um por língua) como vice-presidentes, 80 bispos e abades, e mais de 1400 sacerdotes provenientes do mundo inteiro. Foi um verdadeiro embrião para a Sacrosanctum Concilium, já sendo cozinhado poucos anos antes.

 

O foco principal do congresso foi a pastoralidade da liturgia, ou seja, a liturgia não simplesmente enquanto essência teológica, mas aplicação pastoral. Desta forma se lançava a liturgia como elemento determinante na vida da Igreja. Para esse fim pastoral, objetivo principal da renovação que se estava costurando, duas intervenções e conferências no Congresso foram determinantes:

1.       A Primeira do Pe. André Jungmann – A Pastoral, chave da História Litúrgica

2.       A segunda do Pe. Agostinho Bea – O valor Pastoral da Palavra de Deus.

Os princípios expostos por esses dois conferencistas ainda perduram na SC. No congresso de Assis dois pontos foram objeto de preocupação e polêmica: a língua vernácula e a reforma do Ofício Divino, a Liturgia das Horas.

O cardeal Cicognani, por motivos médicos, teve que adiantar seu retorno a Roma, deixando a presidência ao cardeal Lercaro. Não se sabia até então os motivos da volta prematura do cardeal presidente dos sagrados Ritos. Embora houvesse controvérsias e até discussões sobre o uso da língua latina, Pio XII, em Roma, no dia 22 de setembro, fez um belo discurso conclusivo com a seguinte frase histórica:

“O movimento Litúrgico apareceu como um sinal das disposições providenciais de Deus em relação ao tempo presente, como uma passagem do Espírito Santo na Igreja[2]”

A reforma do Oficio foi tratada pelo cardeal Giacomo Lercaro por meio da aplaudíssima conferência “A simplificação das rubricas e a reforma do Breviário”. Houve sugestões na Liturgia das Horas para a distribuição dos salmos, das leituras, dos hinos.

Essas indicações e ideias hoje concretizadas revelam como a renovação proposta pelo Concílio teve seu germe embrionário e um longo período de maturação, realizado na meditação e na oração por espíritos eleitos e especialistas e, pouco a pouco, transmitida para todo o povo de Deus.”

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[1]De Annibale Bugnini, “A reforma Litúrgica(1948-1975)”, tradução de Paulo F. Valério, 2ª Edição, Editoras Paulus, Paulinas e Loyola, SP, 2018, p.43. 

[2] La restaurszione litúrgica nell’opera di Pio XII. Atti del primo Congresso Internacionale di pastorale litúrgica. Assisi-Roma,18-22 settembre 1956, Genova, Centro de Azione litúrgica, 1957,35-48. In: De Annibale Bugnini, “A reforma Litúrgica(1948-1975)”, tradução de Paulo F. Valério, 2ª Edição, Editoras Paulus, Paulinas e Loyola, SP, 2018, p.44. 

18 dezembro 2019, 14:42