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Sínodo: 7ª Congregação geral na presença do Santo Padre

Na Solenidade de Nossa Senhora Aparecida a reflexão de dom Sérgio Eduardo Castriani, arcebispo de Manaus: “Temos uma mãe e Aparecida é prova disto. Temos para quem correr nos momentos em que a crueldade quer nos aniquilar. Uma mãe que vela seus filhos”.

Silvonei José – Cidade do Vaticano

Sexto dia de trabalhos do Sínodo do Bispos dedicado à região Pan-amazônica, que teve início no último domingo com a Santa Missa presidida pelo Papa Francisco na Basílica Vaticana. Depois de dois dias de trabalhos nos Círculos Menores os padres sinodais retornaram à Sala sinodal para a 7ª Congregação geral na presença do Santo Padre. Na solenidade de Nossa Senhora Aparecida a oração da Hora Média teve a reflexão de dom Sérgio Eduardo Castriani, arcebispo de Manaus. Dom Sérgio não está presente no Sínodo, por motivo de saúde, mas enviou a sua reflexão, lida por dom José Albuquerque de Araújo, bispo-auxiliar de Manaus.

Na introdução de suas palavras, Dom Sérgio fala do imenso privilégio, em ter a sua reflexão lida na Aula Sinodal. “Hoje 12 de outubro é o dia de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil”, continua o texto. “Imagem pequenina, achada miraculosamente nas águas do rio Paraíba, por pescadores que deviam oferecer a melhor de seus peixes a um viajante, o governador da Província de São Paulo. Mais tarde vários milagres aconteceram, e aquela imagem pequenina enegrecida pela ação das águas se tornou o símbolo do amor maternal da mãe de Jesus pelo povo brasileiro”. 

Dom Sérgio escreve que o lugar onde foi encontrada a imagem se tornou meta de romarias e muito cedo se tornou a casa da mãe, onde se vai não apenas para passear, mas também, e sobretudo, nos momentos de dor e sofrimento que são tantos nesta vida. A grande multidão vai agradecer as graças recebidas. “Ao redor da pequena imagem, ergue-se um templo ornamentado com mosaicos que lembram a teologia da criação e da história”. 

O arcebispo de Manaus afirma que em Aparecida, todos se sentem em casa, a vontade para exprimir os seus sentimentos em relação a vida, e a presença da mãe de Jesus é evidente. “Nos alegramos com as maravilhas que Deus realiza na vida das pessoas, - continua -, tomamos consciência dos nossos pecados e da necessidade de conversão, pedimos as bênçãos de Maria para nós, para as pessoas que amamos e para o Brasil”. 

Quantas vezes nós rezamos pela Amazônia, pela Igreja que ai está e pelos povos que ai vivem? Uma Igreja – afirma Dom Sérgio - que nas escutas em preparação do Sínodo se mostrou de rosto feminino, porque coordenada nas suas bases por mulheres.

Destaca em seguida que o culto dominical, sinal da presença de uma comunidade cristã é celebrado na maioria das comunidades por mulheres, que fizeram a transição de uma vivência da fé puramente devocional, para a celebração do mistério pascal. Cada domingo – sublinha o arcebispos de Manaus na sua reflexão -, milhares de comunidades se reúnem lideradas por catequistas, ministras da palavra e da comunhão eucarística para ao redor da proclamação da Palavra, louvar o Senhor pelo mistério da nossa salvação. Depois são sobretudo elas que assumem as consequências deste anúncio para a vida comunitária organizando e pondo em prática programas de desenvolvimento sustentável. Uma Igreja assim lembra-nos a presença de Maria na história da evangelização. 

Em outro momento de sua refelxão Dom Sérgio destaca que não foi por acaso que a Conferência de Aparecida colocou a Amazônia como uma das grandes preocupações pastorais dos bispos do continente latino americano. “Em Aparecida cercou-nos a religiosidade do povo, que tem uma relação muito próxima com os seus santos e com a mãe de Jesus. Esta relação que quando chega a Jesus nos transforma em discípulos missionários. Temos uma mãe e Aparecida é prova disto. Temos para quem correr nos momentos em que a crueldade quer nos aniquilar. Uma mãe que vela seus filhos”. 

Somos marianos e isto faz a diferença, afirmou o arcebispo. “Rezamos o rosário, a oração dos pobres que não necessitam livros, nem roupas especiais, nem rituais, mas simplesmente rezar a oração que Jesus nos ensinou e saudar Maria com a primeira saudação na qual seu filho é reconhecido como Senhor”. Os puxadores de terço foram essenciais na manutenção de uma Amazônia católica. 

Na conclusão de sua reflexão, dom Sérgio pede que a Mãe de Jesus, frágil como as mulheres amazônicas, mas uma fragilidade aparente que se transforma em força gigantesca quando se trata de defender a vida, nos proteja da tentação de fazer da Amazônia uma terra de ganho e lucro, transformando o dom em mercadoria. “Que a Igreja com suas mulheres reconhecidas na sua ministerialidade seja sempre uma mãe que cura e que liberta. Mãe Aparecida, rogai por nós”. 

 

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12 outubro 2019, 10:13