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Ao centro, o secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos, Dom Protase Rugambwa Ao centro, o secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos, Dom Protase Rugambwa 

Santa Sé: a Igreja, família de Deus, exclui todo etnocentrismo

Secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos, Dom Rugambwa evidencia a necessidade, dentro da Igreja na África Ocidental, de líderes cristãos bem preparados, determinados a trabalhar em vários setores da vida social e pastoral, para levar adiante a obra de evangelização na África Ocidental

Cidade do Vaticano

“A Santa Sé é grata pelas muitas e louváveis iniciativas comuns que vocês empreenderam e continuam levando adiante para a promoção da evangelização holística da Região da África Ocidental”, disse o secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos, Dom Protase Rugambwa, em seu pronunciamento nos trabalhos da 3ª Assembleia Plenária dos Bispos da CERAO/RECOWA (Conferência Regional Episcopal da África Ocidental), em andamento do dia 13 até a próxima segunda-feira, 20 de maio, em Uagadugu, capital de Burkina Fasso.

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Na cerimônia de abertura, na presença do chefe do Estado burquinense, do primeiro-ministro e de várias autoridades civis e religiosas, o arcebispo tanzaniano levou aos participantes uma mensagem do prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, cardeal Fernando Filoni.

Promover o desenvolvimento humano integral

O texto, pronunciado por Dom Rugambwa, baseia-se no tema do encontro “A nova evangelização e a promoção do desenvolvimento humano integral na Igreja, Família de Deus na África Ocidental”.

“A Igreja, família de Deus na África Ocidental, apresenta alguns elementos de esperança, mas também de preocupação para nós Pastores chamados por Deus em nosso ofício, do qual a Ele devemos prestar contas”, ressaltou o secretário de Propaganda Fide.

“As vocações para a vida sacerdotal e religiosa aumentam, ao tempo que cresce a presença de várias associações e movimentos laicais de apostolado e de orações. Destaca-se também o desenvolvimento do espírito missionário rumo às Igrejas-irmãs da mesma nação, bem como rumo às nações vizinhas, e rumo ao Ocidente. A Igreja é vivaz e ativa no testemunho da fé cristã. Goza de estima por sua proximidade ao povo, em particular aos mais pobres e por seu compromisso social, sem distinção, em favor dos necessitados”, frisou Dom Rugambwa.

Dificuldades na região

Todavia, ressaltou o prelado tanzaniano, “tanto no nível civil quanto religioso as dificuldades complicam a missão da Igreja: entre elas, a ausência de paz e de segurança, a falta de democracia e de desenvolvimento, a pobreza, as discriminações sociais, o tribalismo, o etnicismo, o fundamentalismo religioso, o terrorismo e a violação dos direitos humanos. A nível religioso o sincretismo, o retorno às crenças tradicionais, a bruxaria; a apostasia em favor das seitas ou de outras religiões freiam o caminho da fé”.

Não ficar indiferentes às injustiças

“Por ocasião da 2ª Assembleia Plenária, realizada em 2006 em Acra, República de Gana – recordou o arcebispo –, tinham sido identificados reconciliação, desenvolvimento e família como atuais desafios particulares para a evangelização na África Ocidental. Hoje vemos oportuno acrescentar a promoção do desenvolvimento humano integral, porque há um laço estreito e forte com a obra de evangelização e a promoção social.”

“Não podemos ser indiferentes às injustiças, ao roubo de tantas riquezas por parte de um neocolonialismo de grupos privados e potentes econômicos ocidentais e orientais, enquanto milhares de nossos filhos tentam com a emigração fugir da pobreza e das guerras”, ressaltou o secretário do referido Dicastério vaticano.

Evangelização e missão

“A evangelização se confunde com a própria missão da Igreja no mundo, enquanto anunciadora do mistério da pessoa de Cristo morto e ressuscitado e agora presente entre nós. É a vocação própria da Igreja e indica, não somente o primeiro anúncio a quem não crê, mas toda atividade eclesial, tanto em seu aspecto religioso-sacramental quanto no aspecto do anúncio da libertação humana. A evangelização é, em primeiro lugar, o modo de ser da Igreja”, recordou.

“Entre os desafios que temos à frente encontra-se a promoção humana integral”, disse o arcebispo, observando que a “evangelização e promoção humana não se opõem, mas são complementares e convergem para a mesma finalidade: a salvação do homem”.

Edificar a Igreja como família, não ao etnocentrismo

“No contexto da RECOWA (Conferência Regional Episcopal da África Ocidental) a evangelização, nova no ardor e no zelo, tenderá a edificar a Igreja como família, excluindo todo e qualquer etnocentrismo e particularismo excessivo, buscando, ao invés, promover a reconciliação e uma verdadeira comunhão.”

“As Igrejas locais de vocês devem unir evangelização e humanização, fé e ação social, culto e compromisso concreto. Essa tarefa, repito, não deve ser reservada unicamente à hierarquia eclesial, aos bispos e aos sacerdotes, mas cabe a todos os batizados”, afirmou.

O secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos evidenciou a necessidade, dentro da Igreja na África Ocidental, de líderes cristãos bem preparados, determinados a trabalhar em vários setores da vida social e pastoral, para levar adiante a obra de evangelização na África Ocidental.

(Fides)

15 maio 2019, 14:35