Cerca

Vatican News
Encontro sobre "A proteção dos menores na Igreja" Encontro sobre "A proteção dos menores na Igreja" 

Briefing Encontro menores: concretude e escuta

No Instituto Patrístico Augustinianum de Roma, foi realizado o primeiro “briefing” dedicado ao Encontro sobre "A proteção dos menores na Igreja". Entre os temas a proximidade com as vítimas, as "diretrizes" sugeridas pelo Papa Francisco e o "compromisso do coração" dos bispos.

Barbara Castelli, Silvonei José - Cidade do Vaticano

"A prevenção é fundamental, caso contrário, a hemorragia não será detida"; e ainda, "quando escutamos com o coração, somos transformados". Essas duas frases, respectivamente de Dom Charles J. Scicluna, arcebispo de Malta, secretário adjunto da Congregação para a Doutrina da Fé e membro da Comissão organizadora, e do padre Hans Zollner, presidente do Centro para a Proteção dos menores da Pontifícia Universidade Gregoriana, membro da Pontifícia Comissão para a Proteção dos menores e referente da Comissão, definem a atmosfera que se respirou na manhã desta quinta-feira (21/02) na Sala Nova do Sínodo, onde foi inaugurado o Encontro sobre "a Proteção dos menores na Igreja". Durante o “briefing”, no Instituto Patrístico Augustinianum, o bispo e o jesuíta esclareceram que a concretude e a escuta caracterizaram, os trabalhos, realizados em uma atmosfera intensa, com os participantes desejosos de caminhar juntos, conscientes da importância do compromisso.

A escuta das vítimas, um terreno sagrado

Os testemunhos das vítimas, salienta o arcebispo de Malta, são "vozes poderosas" e todos nós "precisávamos ouvir a experiência dos sobreviventes, um terreno sagrado". Tocar "as feridas de Cristo" significa assumir as próprias "responsabilidades" e entender que é fundamental "agir em conjunto", sem "deixar sozinhos os “bispos para enfrentar os casos de abusos", especialmente quando se trata de pequenas realidades . "O bispo", insiste o membro da Comissão Organizadora, "deve ser amigo da segurança e inimigo daqueles que ameaçam a inocência das crianças". "A cultura do silêncio" pode ser "compreensível", mas não "aceitável": é preciso ter coragem e humildade para condenar o "mau comportamento". "Estamos falando de uma nova maneira de ser Igreja", acrescenta, em seu discurso, o arcebispo de Brisbane, Dom Mark Benedict Coleridge: "nós precisamos de uma visão, do contrário trata-se de simples administração, e de uma tática, porque sem concretude tudo evapora".

Bispo pastor e não administrador

O prelado australiano destacou o ar de "exploração" que se respira entre os presentes no Encontro, provenientes de diferentes contextos e com diferentes abordagens, e o desejo que existe de "abraçar todas as diferenças culturais". Como bispos, enfatizou, devemos ser "pastores" e tocar as feridas daqueles que, antes de tudo, querem ser ouvidos, acreditados; mas não raramente, e "não por escolha", o bispo acaba se tornando mais administrador do que pastor". Também neste contexto, é importante aceitar a ajuda dos leigos e criar "uma real colaboração com o Estado" no que diz respeito às investigações.

As diretrizes do Papa Francisco

Durante os discursos individuais, bem como durante as perguntas dos jornalistas presentes, emergiu a importância das diretrizes sugeridas pelo Papa Francisco: uma espécie de "mapa do caminho", como definido por Dom Charles J. Scicluna. Também Paolo Ruffini, prefeito do Dicastério para a comunicação, e o padre Federico Lombardi, presidente da Fundação vaticana Joseph Ratzinger - Bento XVI e moderador do Encontro, falaram sobre os 21 pontos apresentados pelo Papa, "fortes impulsos" que "devem sair desse Encontro", permitindo também uma revisão dos" protocolos "já existentes.

Categorias e pecados

Entre os vários temas tocados, também o do celibato dos sacerdotes e o da homossexualidade. Solicitado pelas perguntas dos jornalistas sobre o tema do celibato e uma possível conexão com os abusos, o Arcebispo de Malta ressalta que, em sua opinião, "não há categorias que se predisponham ao pecado", porque todos estamos expostos às tentações.

21 fevereiro 2019, 17:06