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Tratamento paliativo é um direito Tratamento paliativo é um direito 

Congresso de Doha. Dom Paglia: reagir à cultura do descarte

Teve início nesta terça-feira (22/01) em Doha, no Catar, o Congresso “Muçulmanos e cristãos: perspectivas sobre os tratamentos paliativos”. Presença da Santa Sé.

Cidade do Vaticano

Na manhã de 22 de janeiro, o Presidente da Pontifícia Academia para a Vida, Dom Vincenzo Paglia, saudou os participantes do congresso internacional em Doha, no Catar sobre os tratamentos paliativos e o fim de vida nas perspectivas islâmico-cristãs. Para o evento foi assinada uma Joint Declaration on End of Life and Palliative Care, por parte da World Innovation Summit for Health (WISH) do Catar e a Pontifícia Academia para a Vida.

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Tratamentos paliativos como direito

Os tratamentos paliativos “representam um direito humano”, reagem à “cultura do descarte” que promove a normalidade da eutanásia e o desinteresse pelos outros. São palavras de Dom Vincenzo que recordou cronologicamente todos os passos históricos para a aplicação dos tratamentos paliativos a partir da metade do século passado. O prefeito do dicastério reiterou também a importância de ser um tema “dentro e fora da medicina”, principalmente nos dias de hoje nos quais “é evidente a marginalização, a discriminação, a eliminação dos seres humanos mais frágeis como os que sofrem de uma doença grave, incurável ou incapacitante”. Portanto devemos reagir à “cultura do descarte” promovendo uma “cultura de tratamentos paliativos”. Para realizar isso – disse Dom Paglia – “considero urgente intensificar a reflexão para enfrentar de maneira completa as grandes questões antropológicas e os enormes desafios éticos que temos diante das questões que se referem ao fim da vida. Por esta razão, os trabalhos destes dois dias serão direcionados na exploração da contribuição dada pelos tratamentos paliativos em relação às necessidades da pessoa que nascem das dinâmicas do espírito humano”.

A contribuição única das religiões

Ao falar sobre o tema da contribuição das religiões “em dar impulso concreto a esta forma de acompanhamento da pessoa doente ou doente terminal”, Dom Vincenzo evidenciou “a capacidade das próprias religiões de chegar às periferias da humanidade”, mas também a própria essência das religiões definidas como uma das “forças verdadeiras dos tratamentos paliativos”. “O reconhecimento da constitutiva abertura à transcendência da pessoa”, explicou, “consente de afirmar que a vida humana, mesmo quando é frágil e aparentemente derrotada pela doença, há uma preciosidade inviolável”. “Os tratamentos paliativos – disse ainda Dom Vincenzo – encarnam uma visão do homem do qual as grandes tradições religiosas são guardiãs e promotoras: é essa a contribuição mais profunda e incisiva que podem receber, em termos de motivação e de inspiração”.  Também “representam uma proposta concreta que se coloca num contexto de pobreza de amor pelo ser humano e de crise das relações sociais que de um desinteresse geral está chegando a uma verdadeira desintegração social que envolve todas as formas comunitárias a partir da família”.

Uma nova fraternidade

“Reinventar uma nova fraternidade é o desafio antropológico e social dos nossos dias e o mandato específico que o Papa Francisco entregou à Pontifícia Academia para a Vida por ocasião do 25º aniversário da sua instituição. Também por este lado – disse Dom Vincenzo Paglia no seu discurso em Doha – as religiões têm uma palavra muito especial a ser dita. A tarefa de “custodiar” o outro e a criação é bem diferente das atitudes prevaricadoras, predatórias e destruidoras que são frequentes nos homens (não somente contra a natureza e a terra, mas também contra o irmão, principalmente quando é visto como um obstáculo ou sem utilidade para seus próprios objetivos). A comunidade dos tratamentos paliativos testemunha um novo modo de conviver que coloca no centro a pessoa e o seu bem estar ao qual não apenas o indivíduo, mas tende toda a comunidade, na reciprocidade. Nesta comunidade o bem de cada um é perseguido como o bem de todos. Os tratamentos paliativos representam um direito humano e vários programas internacionais estão se organizando para colocá-los em ação. Mas o verdadeiro direito humano é continuar a ser reconhecido e acolhidos como membros da sociedade, como parte de uma comunidade”.

 

23 janeiro 2019, 11:23