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Arcebispo Bernardito Cleopas Auza, Observador permanente da Santa Sé  junto às Nações Unidas Arcebispo Bernardito Cleopas Auza, Observador permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas  

Auza à ONU: paz frágil entre Israel e Palestina, em equilíbrio entre poder e medo

O arcebispo Bernardito Auza, Observador permanente da Santa Sé junto à ONU falou sobre a situação do Oriente Médio, na sessão realizada ontem (22/01) em Nova York

Cidade do Vaticano

A paz no Oriente Médio é “uma frágil flor que procura desabrochar por entre as pedras da violência”. Com esta imagem, retomada da mensagem do Papa para o recente Dia Mundial da Paz, o arcebispo Bernardito Auza entrou no coração do debate a portas abertas, promovido no âmbito do Conselho de Segurança da ONU.

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Retórica, provocações, violências e violações

“Nós sabemos – sublinhou o núncio apostólico – o quanto é frágil a paz” entre Israel e Palestina e “quanto a sua frágil existência seja constantemente ameaçada por uma retórica prejudicial, por provocações e ataques, por violações dos direitos humanos e ações unilaterais que bloqueiam os esforços para uma resolução, levando a sofrimentos indescritíveis e causando a morte de civis inocentes e indefesos”.

Uma Terra santa para judeus, cristãos e islâmicos

Nesta triste e infinita situação”, a Santa Sé renova com fervor o seu apelo às autoridades tanto de Israel quanto da Palestina “para retomar o diálogo e recomeçar o caminho de paz – como pediu Papa Francisco na mensagem Urbi et Orbi do Natal passado – que coloque fim a um conflito que dura há mais de 70 anos”. É uma terra que “não é apenas a casa destes dois povos, mas também de grande importância histórico-cultural para o mundo inteiro e casa espiritual para três religiões monoteístas: o Judaísmo, o Cristianismo e o Islã”. Por isso a Santa Sé “tenta conseguir garantias internacionais” para a cidade de Jerusalém, como foi recomendado pela resolução aprovada em 1947 pela Assembleia Geral da ONU.

Um conflito político transformado em guerra de religião

“Apesar da importância fundamental daqueles lugares sagrados – advertiu o representante do Vaticano – há o risco de transformar o atual conflito territorial e político em um conflito de religião e identidade”. Por isso chamamos as lideranças políticas a exercerem “a própria autoridade de maneira responsável, para superar as disputas comprometendo-se em um diálogo aberto e honesto para garantir uma paz verdadeira e duradoura. Bem mais do que simplesmente manter uma paz ilusória que essencialmente é apenas um equilíbrio entre poder e medo”.

Garantir ajudas humanitárias aos refugiados palestinos

Deve ser dada uma atenção particular, solicitou Dom Auza, para a grave crise humanitária em Gaza e nos outros territórios ocupados, elogiando a generosa resposta da comunidade internacional em financiar no ano passado a dívida da UNRWA, a agência da ONU responsável pela assistência aos refugiados palestinos. “Essas ajudas – pediu o prelado – devem poder continuar sem obstáculos até que a situação seja resolvida”.

A solidariedade das populações libanesas e jordanas

Referindo-se enfim às dramáticas condições de vida em várias partes do Oriente Médio, o arcebispo Auza reiterou o agradecimento do Papa Francisco pela ajuda oferecida pelo Líbano e pela Jordânia, com o sacrifício dos próprios cidadãos, para aliviar os sofrimentos das populações envolvidas nos conflitos daquela região.

 

23 janeiro 2019, 15:44