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Papa Francisco preside Santa Missa na Festa de Nossa Senhora de Guadalupe Papa Francisco preside Santa Missa na Festa de Nossa Senhora de Guadalupe  (Vatican Media)

Os pilares da Sacrosanctum Concilium

A Constituição Sacrosanctum Concilium abriu novos horizontes para uma reflexão bíblica e teológica acerca da liturgia. Todo o movimento litúrgico pré-conciliar foi o ventre materno que, a partir da promulgação da teologia da SC, gerou o dinamismo de nossas celebrações e plasmou, no coração do povo, a certeza de que a liturgia não é uma cerimônia ou espetáculo teatral, mas um meio especial de encontro com a Trindade.

Jackson Erpen – Cidade do Vaticano

No nosso Espaço Memória Histórica – 50 anos do Concílio Vaticano II, vamos falar no programa de hoje sobre “Os pilares da Sacrosanctum Concilium”.

A Constituição apostólica Sacrosanctum Concilium sobre a sagrada liturgia, é uma das quatro Constituições do Concílio Vaticano II. Ela trata da liturgia da Igreja Católica e coloca-se em continuidade com a Encíclica Mediator Dei do Papa Pio XII. Ela foi solenemente promulgada por Paulo VI em 4 de dezembro de 1963 e está na base da reforma litúrgica implementada nos anos seguintes. Seus sete capítulos são dedicados, entre outros, ao Mistério Eucarístico, aos Sacramentos e Sacramentais, ao Ano Litúrgico e à Música Sacra.

Na edição de hoje, o padre Gerson Schmidt – incardinado na Arquidiocese de Porto Alegre – que tem nos acompanhado neste percurso dos documentos conciliares, nos fala sobre: “Os pilares da Sacrosanctum Concilium”:

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"Juan Javier Flores, no seu livro introdução a teologia litúrgica, afirmou: “A Constituição Sacrosanctum Concilium, promulgada no dia 04 de dezembro, pode ser considerada como o acontecimento fundamental na história contemporânea da liturgia e como a melhor resposta ao movimento litúrgico. Não é fruto improvisado, mas uma consequência madura dos estudos doutrinais, dos esforços pastorais e das decisões das autoridades competentes” ¹.

A Constituição Sacrosanctum Concilium abriu novos horizontes para uma reflexão bíblica e teológica acerca da liturgia. Todo o movimento litúrgico pré-conciliar foi o ventre materno que, a partir da promulgação da teologia da SC, gerou o dinamismo de nossas celebrações e plasmou, no coração do povo, a certeza de que a liturgia não é uma cerimônia ou espetáculo teatral, mas um meio especial de encontro com a Trindade.

A liturgia é experiência do mistério trinitário que demarca e envolve toda a história salvífica, esclarece nossa razão de existência no mundo, fonte e cume de todas as atividades pastorais da Igreja. A partir do Concílio Vaticano II se inaugura uma nova etapa para a vida litúrgica de nossas comunidades, considerada a liturgia à luz da revelação de Deus, sobretudo tendo o Mistério Pascal como eixo polarizador de todo o ato litúrgico.

A Constituição Sacrosanctum Concilium deixa claro, no começo, o lugar da liturgia no mistério da Igreja, que deve se encontrar no mistério da revelação, conforme aponta o número 02 da SC: “ A liturgia, com efeito, mediante a qual, especialmente no divino sacrifício da eucaristia, “se atua a obra da nossa redenção” (SC, 02). Na liturgia, sobretudo na Eucaristia, se atualiza a obra da redenção.  Assim, a encarnação de Cristo e o seu mistério pascal atualizam a obra salvífica de Deus, que se tona presente de modo simbólico e real na liturgia da Igreja. Cristo, portanto, é o sujeito primário da obra litúrgica. Dele emana toda sacramentalidade da Igreja. Por isso, “a liturgia é o exercício do ministério sacerdotal de Cristo. O fundamento da liturgia é o sacerdócio batismal de todos os fiéis” ². A liturgia como um todo desempenha uma função sacramental, tendo a Eucaristia como o ápice, em conjunto com os outros sacramentos e os sacramentais. Então, no documento conciliar, recupera-se na teologia litúrgica a sacramentalidade da liturgia.

Por isso, aponta assim o número 07 da SC: “Com razão, portanto, a liturgia é considerada como exercício da função sacerdotal de Cristo. Ela simboliza através de sinais sensíveis e realiza em modo próprio a cada um a santificação dos homens; nela o corpo místico de Jesus Cristo, cabeça e membros, presta a Deus o culto público integral. Por isso, toda celebração litúrgica, como obra de Cristo sacerdote e do seu corpo, que é a Igreja, é uma ação sagrada por excelência, cuja eficácia nenhuma outra ação da Igreja iguala, sob o mesmo título e grau”.  

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¹ J.J. Flores, Introdução à teologia litúrgica, Paulinas, 2006,p.289.

 

² [1] Helmut Hoping, A Constituição Sacrosanctum Concilium. In: As constituições do Vaticano II, Ontem e Hoje, org. Geraldo B. Hackmann e Miguel de Salis Amaral, Edições CNBB, 2015, p.115. 

 

13 dezembro 2018, 14:48