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Papa Francisco e o prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini Papa Francisco e o prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini  (Vatican Media)

Ruffini: do Sínodo a mensagem de uma Igreja unida em anunciar o Evangelho

Paolo Ruffini, nomeado em julho passado pelo Papa como o novo prefeito do Dicastério para a Comunicação, conduziu os briefing para os jornalistas credenciados ao Sínodo dos Bispos sobre os jovens. Nesta entrevista, ele explica como o Sínodo comunicou a beleza de uma Igreja que sabe caminhar juntos, ouvindo o que o Espírito diz hoje.

Antonella Palermo e Sergio Centofanti - Cidade do Vaticano

Um evento de fé e de comunhão para compreender o que o Espírito Santo nos diz hoje para levar o Evangelho ao mundo inteiro: este foi o Sínodo sobre os jovens, que concluiu-se no domingo, segundo Paolo Ruffini, prefeito do Dicastério para a Comunicação.  Como presidente da Comissão para a Informação do Sínodo, ele moderou os briefings diários para os jornalistas credenciados.

Paolo Ruffini, na sua opinião, o que este Sínodo comunicou aos jovens da Igreja e de todo o mundo?

Creio que ele comunicou acima de tudo a beleza de caminhar juntos e a possibilidade de uma Igreja jovem, sem medo, cheia de entusiasmo, unidade.

O senhor começou seu trabalho como prefeito do Dicastério para a Comunicação com um compromisso muito forte. Como foi sua experiência pessoal?

Foram dias muito cheios, muito cansativos, mas belíssimos. Eu vi muita fé, muito espírito de comunhão. Tanta oração, tanta paciência no ouvir-se. Eu vi a possibilidade de um futuro melhor. Vi como o Papa guia a Igreja acompanhando os pastores, tranquilizando-os, rezando com eles, e como os pastores são apoiados pelo povo de Deus.

Como foi o trabalho da comunicação no Sínodo?

Eu acredito que bem. No sentido de que construímos um diálogo constante com a mídia de todo o mundo. Dia após dia. Não há comunicação se não houver diálogo. E os briefings diários foram isso: um diálogo com múltiplas vozes. Feito de perguntas e respostas. Em um mundo acostumado a outros mecanismos, onde o debate não é um momento de confronto, de escuta, de discernimento, e onde o que se busca não é a comunhão, mas o confronto, não nos foi fácil explicar a singularidade deste acontecimento, em que a oração se entrelaçava com as intervenções, e à medida que os dias passavam a assembleia se tornava cada vez mais uma só coisa, e sob o impulso dos jovens auditores, sempre mais jovens. No final, no entanto, acredito que a mensagem tenha passado. No texto do documento final, mas não apenas nele. Passou na experiência vivida e contada por todos os Padres sinodais. Por todos os jovens. Por um mês a Sala sinodal foi - como disse o Papa - um espaço protegido onde o protagonista nunca foi a opinião do padre ou do auditor individualmente, mas o discernimento de uma assembleia em comunhão, que com os jovens procurou entender o que o Espírito nos diz hoje, para incarnar a mensagem de Jesus e do Evangelho em nossos dias. É isso que tentamos comunicar. Espero que tenhamos conseguido o suficiente, mas também sei que nunca se deve pensar em ter feito o suficiente.

Há um ponto no Documento final sobre o desafio digital, onde se fala de um convite do Sínodo para habitar o mundo digital, promovendo seu potencial comunicativo e a impregnar de Evangelho as suas culturas dinâmicas. E depois faz votos da criação de escritórios e organismos para a cultura digital e a evangelização digital, justamente para promover o intercâmbio, as boas práticas e para combater a disseminação de "fake news" em relação à Igreja ...

Eu diria que este é um ponto fundamental. Na verdade, eu quase nem diria que é um tema entre outros, mas de algo que inervou todos os outros tópicos de discussão. O digital não é uma ferramenta, é um ambiente. É o ambiente do nosso tempo. Não é um mundo à parte, não é um novo continente. É um pouco o lugar dos lugares. É o ambiente onde todas as línguas e todos os continentes se unem, anulando tempo e espaço. É o lugar onde são formadas identidades, conhecimentos, amizades, amores, rancores. Tudo isso nos desafia. E nós devemos nos deixar ajudar pelo jovens para habitar neste mundo. Mais de um Padre Sinodal citou o Santo Cura d'Ars para dizer com ele: "Ajude-me a encontrar o caminho e eu lhe direi então o caminho maior, que é o da santidade, do amor, da Verdade, do Paraíso, de seguir Jesus". A mesma coisa nós deveríamos dizer aos jovens de hoje: eles podem nos guiar neste mundo, mas precisamos mudar a perspectiva deste mundo. Em uma sociedade digital tão frequentemente construída com base na negação do outro,  no rancor, na falsidade, nós podemos restituir verdades e  possibilidades de encontro, podemos tornar o ambiente digital - o mundo digital, o lugar digital - um belo lugar para ser vivido. 

29 outubro 2018, 17:12