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Ao centro, o arcebispo e renomado teólogo italiano, Dom Bruno Forte Ao centro, o arcebispo e renomado teólogo italiano, Dom Bruno Forte  (© 2018 Catholic News Service)

Dom Forte: Sínodo inaugura novo estilo de Igreja sinodal e à escuta

O Papa Francisco fez de modo que todos tivessem a possibilidade de contribuir, pronunciando-se com a máxima liberdade. A começar pelos jovens que estavam presentes como auditores e que deram uma contribuição fundamental”, disse o arcebispo e renomado teólogo italiano Bruno Forte.

Cidade do Vaticano

“Em primeiro lugar, quero ressaltar a força do evento, o significado que teve para nossa Fé e para a Igreja inteira”: afirmou ao Vatican News o arcebispo italiano de Chieti-Vasto e renomado teólogo, Dom Bruno Forte, ao retornar à sua arquidiocese após ter passado um mês em Roma participando da XV Assembleia geral ordinária do Sínodo dos Bispos, dedicada aos jovens com o tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”, durante a qual trabalhou também na Comissão para o Documento final.

Sínodo dos jovens foi verdadeiro evento de Graça

“Foi um verdadeiro evento de Graça – explicou –, um evento sinodal, como propriamente deveria ser definido. Ou seja, um evento em que se caminhou juntos ‘cum Petro e sub Petro’: com a guia de Pedro, sob ele e com ele.”

“Nós percebemos propriamente isso e o Papa Francisco fez de modo que todos tivessem a possibilidade de contribuir, pronunciando-se com a máxima liberdade. A começar pelos jovens que estavam presentes como auditores e que deram uma contribuição fundamental”, contou o teólogo.

“Justamente por isso, parece-me que surja realmente o rosto de uma Igreja ‘à escuta’, a começar pelo Santo Padre que se colocou à escuta de todos. Mas consideramos também estes 270 bispos, representando todos os continentes, que ouviram, se deixaram estimular, de certo modo também provocar e conduzir pelos jovens do mundo inteiro que tinham  sido convidados”, acrescentou.

“Pois bem, estes pastores são o sinal de uma Igreja que se colocou à escuta junto com o Sucessor de Pedro, uma Igreja que reconhece que nos ‘sinais dos tempos’, também nestes jovens que são em muitos aspectos o presente e o futuro do mundo, o Espírito Santo está falando.”

Uma Igreja da alegria

“Outro aspecto que me impressionou particularmente é que vivemos a experiência de uma Igreja da alegria. Aquilo que se viu dessa reflexão e discussão com os jovens e que traz em si uma força de futuro, esperança e alegria, apesar de tudo, está profundamente sintonizado com a alegria que Cristo dá ao coração e à Igreja”, frisou ainda o arcebispo-teólogo.

Trata-se, portanto, “não somente de um Sínodo como os outros, mas um Sínodo totalmente único em que a juventude da Igreja se manifestou como sinal de esperança para o mundo”, evidenciou.

“E também o Documento final, com sua articulada complexidade, registrou os vários aspectos que a realidade dos jovens no mundo apresenta e inclusive os desafios, os apelos que lança à Igreja e os compromissos que todos somos chamados a viver como batizados a fim de que essa Igreja seja obediente em relação aos sinais que o Espírito Santo nos está dando.”

Para além do Sínodo, a aposta na ‘sinodalidade’

“Ademais, é preciso ressaltar que este foi o primeiro Sínodo a realizar-se segundo as normativas da Constituição apostólica ‘Episcopalis communio’, disse o prelado. “A diretriz a ser seguida não é somente o procedimento de um Sínodo em que a Igreja se reúne por algumas ocasiões, mas de uma inteira Igreja sinodal em que, sob a guia dos Pastores, todos têm direito de palavra, todos podem ser ouvidos e juntos, no discernimento dos pastores, se pode construir o futuro que Cristo pede a sua Igreja.”

“Creio que a ‘sinodalidade’ constitui a grande aposta na qual também o Papa Francisco está guiando a Igreja, acrescentou. “E a sinodalidade não tolhe em nada a autoridade do Bispo de Roma e dos bispos que estão em comunhão com ele. Aliás, enriquece esta com a contribuição de todos, porque onde há sinodalidade é preciso discernimento e guia: essa é a responsabilidade do Sucessor de Pedro na Igreja universal e de todo bispo na Igreja local a ele confiada.”

Para além do Documento final, um novo estilo

“Ao término dos trabalhos do Sínodo o Papa recordou que seu resultado não pode limitar-se a um documento e que o Documento final, redigido e aprovado pelo Sínodo, agora é confiado pelo Espírito aos mesmos padres sinodais a fim de que seja trabalhado em seus corações”, afirmou Dom Forte.

“Na prática, o Papa nos disse que os verdadeiros destinatários deste documento somos nós. Francisco quis dizer-nos que estas não são palavras escritas. São palavras de vida que devem arder em nosso coração, e devem mudar nosso coração e o coração da Igreja para mudar o coração da humanidade.”

“O Santo Padre não se contenta com um texto escrito, mesmo porque se sabe que já produzimos muitos, mais ou menos eficazes ou assimilados”, explicou o teólogo. “O que o Papa tem a peito é um processo a ser ativado, um caminho a ser vivido. E me parece que esse é o grande mandato que esse Sínodo dá a toda a Igreja.”

“Não se tratou de um Sínodo setorial que disse respeito a um aspecto particular da pastoral da Igreja. Tratou-se de um Sínodo que lançou um novo estilo de Igreja à escuta, uma Igreja sinodal em caminho com todos, começando com os jovens.”

Igreja em saída sem medo do futuro

“Ainda, uma Igreja que vive a comunhão sob os pastores, começando com a comunhão com o Sucessor de Pedro, e vivendo-a neste modo intenso a enriquece com a contribuição de todos.”

“Eis, portanto, um caminho que teve início e que deverá continuar se abrindo às surpresas de Deus. O Papa Francisco não tem medo do futuro, não tem medo de uma Igreja em saída e gostaria de contagiar – essa foi a sensação que tive – todos nós com esta atitude de profunda confiança e esperança, de entrega ao sopro do Espírito Santo, que mediante as palavras do Documento final nos fala, mas certamente nos pede para ir além e vivê-las: ser suas alegres testemunhas para o futuro da Igreja e do mundo”, concluiu Dom Forte.

31 outubro 2018, 15:53