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VATICAN-POPE Papa Francisco no encontro com os jovens de sábado  (AFP or licensors)

#Synod2018: devemos pensar a juventude junto com ela, diz bispo

Dom Eduardo Pinheiro da Silva, bispo de Jaboticabal (SP), fala sobre o texto final do Sínodo: "nosso anseio é de que não seja somente mais um documento falando de juventude, ou, pior ainda, para a juventude, mas que seja um momento em que se pense a juventude junto com a juventude. E que se evite essa concepção de que estamos falando como se o jovem estivesse fora da Igreja".

Silvonei José e Amábile Corrêa – Cidade do Vaticano

Prosseguem, no Vaticano, os trabalhos da XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, dedicada aos jovens. Iniciada em 3 de outubro, a mesma terá seu encerramento no próximo dia 28. Desde sábado passado, os Padres sinodais estão se reunindo também nos Círculos menores, pequenos grupos de aprofundamento nos quais estes foram subdivididos. E com isso, o português, pela primeira vez, foi incluído como uma das línguas oficiais do Sínodo.

No momento de reflexão dos Círculos menores foram apresentadas as sínteses do grupo de língua portuguesa, dentre as quais o grande crescimento das seitas nos países lusófonos, a iniciação cristã como processo de encontro pessoal com Cristo, desafios antropológicos e culturais, o papel fundamental da família e o valor das jornadas mundiais, nacionais e diocesanas da juventude, onde os jovens ficam no centro da ação eclesial.

“ A Igreja se sente mãe educadora, pastora de todos os jovens. ”

O Bispo de Jaboticabal (SP), Dom Eduardo Pinheiro da Silva, disse que o grupo é similar tendo em vista os anseios de uma evangelização da juventude mais arrojada.

“O nosso grupo é um grupo muito homogêneo não só pela língua, mas já vamos percebendo que os anseios em vista de uma evangelização da Juventude mais arrojada é o mesmo, e com Dom João Aviz como moderador nós nos sentimos muito à vontade de explicitar. Percebemos a riqueza também dessa diversidade até dos lugares onde se fala a língua portuguesa e a gente percebeu também que todos nós juntos pudéssemos falar mais aos jovens aquilo que eles desejam. Quero destacar aqui das nossas reflexões esse elemento de escutar, que já é - vamos dizer assim - um fio condutor desses Sínodo e ao escutar os jovens a gente entende a variedade cultural que nós temos na área política, na área social, na área de participação, a concepção de família. Então o trabalho está sendo muito produtivo e a gente acredita mesmo que esse documento, ou o texto que dele vier, vai ser muito rico também com a participação dos outros 13 grupos”.

Já focados no documento final, o grupo preocupa-se com uma linguagem que atinja os jovens do mundo todo. Olhando o jovem que está fora da Igreja, aquele que está na Igreja, a família como primeira base e a Igreja como educadora.

 “Nós ainda estamos - e eu percebo isso até da organização - pensando que tipo de material vai sair daqui. Nós sabemos que o Sínodo é sempre um espaço, um momento sinodal colegial onde o Papa quer escutar para depois decidir o que vai fazer, mas a gente percebe que há um anseio de se ter alguma coisa, mas que não seja algo complicado, que seja de fácil acesso numa linguagem inclusive juvenil, que o que sair daqui também traga como consequência outros materiais pastorais. Então, um anseio nosso de que não fique somente mais um documento falando de juventude, ou, pior ainda, para a juventude, mas que seja uma Igreja. Esse tem sido um ponto que se ouve sempre - que seja um momento em que pense a juventude junto com a juventude e sentimo-nos, fazendo parte de uma mesma Igreja e evitar essa concepção de que nós estamos falando de fora ou olhando o jovem como se tivesse fora da Igreja. É o jovem que está conosco, é o jovem que está fora também, e quem sabe até grupos que nunca estarão conosco. Em todo caso, a Igreja se sente mãe educadora, pastora de todos os jovens”.

Por sua vez, de acordo com o bispo auxiliar de Lisboa e presidente da Comissão Episcopal do Laicato e Família em Portugal, Dom Joaquim Augusto da Silva Mendes,“os jovens clamam por uma Igreja que seja mãe, por uma liturgia viva e mais próxima que os faça experimentar o sentido de comunidade, de família e de Corpo de Cristo”.

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10 outubro 2018, 14:01