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"A corrida armamentista pode ser combatida, em primeiro lugar, se as atividades no espaço sideral se desenvolverem em bases multilaterais", disse Dom Bernardito Auza "A corrida armamentista pode ser combatida, em primeiro lugar, se as atividades no espaço sideral se desenvolverem em bases multilaterais", disse Dom Bernardito Auza  (AFP or licensors)

Santa Sé na ONU: não à corrida armamentista no espaço

O Observador Permanente da Santa Sé na ONU, Dom Bernardito Auza, pronunciou-se na quarta-feira em Nova York sobre o tema "Prevenção da corrida armamentista no espaço sideral". A chave - defendeu ele - está em uma abordagem multilateral baseada em mecanismos eficazes de transparência.

Lisa Zengarini - Cidade do Vaticano

"A corrida armamentista pode ser combatida, em primeiro lugar, se as atividades no espaço sideral se desenvolverem em bases multilaterais". Foi o que destacou Dom Bernardito Auza, Observador Permanente da Santa Sé na ONU, intervindo na quarta-feira no Palácio de Vidro em Nova Iorque em um debate sobre esta questão.

"O envolvimento multilateral - disse o prelado - visa a transparência, construindo a confiança de que as atividades dos Estados no espaço não tenham a finalidade de militarizá-lo".

Sim às medidas de transparência e à construção da confiança no espaço (Tcbm)

 

Em seu discurso, o representante do Papa destacou a importância de assegurar que as atividades no espaço sejam destinadas à segurança, pesquisas ou desenvolvimento de novas tecnologias, não induzindo Estados a entrarem em competição uns com os outros, alimentando assim a corrida armamentista.

Isso requer mútua confiança, que só pode ser garantida se tais operações forem realizadas às claras. Neste sentido – afirmou - "a Santa Sé saúda com favor o início este ano dos trabalhos da Comissão para o Desarmamento das Nações Unidas (Undc) sobre medidas para a transparência e a construção da confiança no espaço (TCBM)".

Isto "não substitui as outras iniciativas juridicamente vinculantes que regem as atividades no espaço para fortalecer a estabilidade e a paz no mundo, mas podem dar um apoio significativo a esse objetivo".

Estabelecer um sistema internacional de monitoramento recíproco

 

A transparência poderia ser implementada por meio de um sistema de monitoramento recíproco, confiado a um organismo internacional independente.

A este propósito, Dom Auza lançou novamente a proposta discutida nos anos 70 pela Organização das Nações Unidas de instituir uma Agência Internacional para o controle de satélites (Isma), com o objetivo de recolher e difundir informações sobre as atividades ligadas ao lançamento de objetos no espaço ou o envio de energia a satélites e outros dispositivos espaciais.

Os Estados poderiam, ademais, concordar em divulgar seus locais de lançamento. Isso também implicaria a presença nesses lugares de observadores de outras nações.

Estipular um acordo para limitar os testes dos sistemas balísticos

 

O observador vaticano, então, chamou a atenção para a necessidade de regulamentar também atividades no campo de mísseis balísticos e defesa antibalística.

Um acordo que comprometa os Estados a não testar tais sistemas contra satélites e outros objetos no espaço, completou ele, "seria outra medida importante para fomentar a confiança".

Controle internacional efetivo garantindo a paz no espaço

 

Por fim, os votos de que as Medidas de transparência e construção da confiança no espaço promovidas pela ONU, possam ser transformadas em tempo devido em acordos vinculantes.

"O ambiente espacial poderia assim permanecer uma área em que o objetivo de um desarmamento geral e completo sob um controle internacional rígido e eficaz é quase inteiramente alcançado", concluiu Dom Auza.

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25 outubro 2018, 18:33