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Dom Pioppo na Conferência sobre os oceanos, em Bali, Indonésia Dom Pioppo na Conferência sobre os oceanos, em Bali, Indonésia 

Indonésia: a voz da Santa Sé na proteção dos oceanos

O objetivo comum da proteção dos oceanos é garantir uma defesa real sobre o que a Convenção das Nações Unidas para o Direito do Mar define como “patrimônio comum da humanidade”.

Cidade do Vaticano

“Os oceanos exigem a nossa atenção e colaboração voluntária para a implementação de uma abordagem interdisciplinar séria e do princípio da subsidiariedade, envolvendo os contextos locais, nacionais, regionais e internacionais.”

Foi o que disse o responsável pela delegação da Santa Sé na Conferência “O nosso oceano”, dom Piero Pioppo, núncio apostólico na Indonésia, onde se concluiu, nesta terça-feira (30/10), em Bali, o evento.

O objetivo comum da proteção dos oceanos é garantir uma defesa real sobre o que a Convenção das Nações Unidas para o Direito do Mar define como “patrimônio comum da humanidade”.

“A questão dos mares é importante para a Santa Sé e para a Igreja Católica. Isto é demonstrado pelas numerosas iniciativas empreendidas pela Igreja, incluindo: cuidado pastoral oferecido aos marítimos, apoio ao desenvolvimento das comunidades pesqueiras e a proteção de seus direitos, o trabalho incessante com e para os migrantes em muitos países, as atividades com comunidades ameaçadas pelo aumento do nível do mar, bem como a conscientização sobre iniciativas que podem danificar o fundo do mar”, disse dom Pioppo.

Atividades nos oceanos guiadas por princípios éticos

Para o prelado, o interesse e as atividades que envolvem os oceanos aumentaram significativamente. Basta olhar a realidade dos fluxos migratórios, a exploração dos recursos marinhos, e as questões relativas ao comércio e transportes marítimos.

“Para que tais interesses e atividades sejam realmente a serviço do bem comum, de toda a família humana, da integração e do desenvolvimento harmonioso de toda pessoa e comunidade é importante que sejam orientados por princípios éticos justos. Em particular, uma antropologia saudável deve iluminar a nossa relação com este dom maravilhoso e impressionante: os oceanos.

Privilegiar o papel da pessoa humana

A visão dos oceanos não deve se limitar a uma abordagem puramente tecnológica, de segurança ou busca de lucro, nem deve concentrar-se apenas na biodiversidade e nos ecossistemas, porque colocaria de lado o papel da pessoa humana.

“Devemos enfrentar as ameaças aos nossos oceanos de maneira corajosa e adequada. Muitas vezes, as causas dessas ameaças são encontradas na terra firme: a migração perigosa e forçada, o flagelo de várias formas de tráfico criminoso e a poluição dos mares. Considere, por exemplo, os problemas causados pelo desperdício de produtos químicos e de plásticos.”

“Na gestão dos recursos marinhos e oceânicos é necessário adotar comportamentos responsáveis, bem como facilitar a assistência e a cooperação necessárias para o desenvolvimento das comunidades vulneráveis e garantir um monitoramento efetivo dos compromissos assumidos a fim de tutelar o bem-estar da humanidade e da biodiversidade”.

Papa: educar para a aliança entre humanidade e ambiente

No final de seu discurso, dom Pioppo lembrou a mensagem do Papa Francisco na precedente conferência “O nosso Oceano”, realizada em Malta, um ano atrás, quando disse que “os oceanos nos lembram a necessidade de educar para a aliança entre a humanidade e meio ambiente” (cfr. Laudato si’ 209-215).

“Nesse sentido, devemos nos esforçar para formar os jovens ao cuidado dos oceanos, mas também ajudá-los a crescer no conhecimento, valorização e contemplação de sua vastidão e grandeza, pois a contemplação da criação pode nos dar lições preciosas e ser uma fonte inexaurível de inspiração” (cfr. Laudato si’ 85)”.

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30 outubro 2018, 20:05