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Anúncio de possível sepultamento de Francisco Franco na Catedral de Almudena provocou onda de protestos em Madri Anúncio de possível sepultamento de Francisco Franco na Catedral de Almudena provocou onda de protestos em Madri 

Comunicado da Santa Sé sobre exumação de Francisco Franco

A Sala de Imprensa da Santa Sé informou nesta terça-feira que o cardeal Pietro Parolin não se opõe à exumação do corpo do militar espanhol Francisco Franco, mas não se pronunciou a respeito do local do sepultamento.

Jackson Erpen - Cidade do Vaticano

O Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Greg Burke, divulgou a seguinte declaração referente à exumação do corpo de Francisco Franco na Espanha:

"Quanto à reunião realizada ontem [segunda-feira] pelo secretário de Estado da Santa Sé e pelo vice-presidente do Governo da Espanha, gostaria de declarar o seguinte: O Cardeal Pietro Parolin não se opõe à exumação de Francisco Franco, se as autoridades competentes assim decidirem, mas em nenhum momento se pronunciou sobre o local do novo sepultamento”.

“É verdade – continua o comunicado - que a Sra. Carmen Calvo expressou sua preocupação com o possível sepultamento na Catedral de Almudena e seu desejo de explorar outras alternativas, também através do diálogo com a família. O cardeal secretário de Estado achou que essa solução era apropriada".

A polêmica que envolve a exumação

 

O encontro da vice-presidente Carmen Calvo com o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Parolin, foi em função da polêmica que envolve a exumação dos restos mortais de Francisco Franco do “Valle de los Caídos” – distante 50 km da capital Madrid – por iniciativa do Governo de Pedro Sánchez.

Por desejo da família de Franco, seus restos mortais deveriam ser sepultados na cripta da Catedral de La Almuneda, onde está enterrada sua filha Carmen. Já a esposa de Franco está sepultada no discreto cemitério de Mingorrubio.

Esta intenção encontrou forte reação. Grupos enviaram cartas ao Governo de Pedro Sánchez e ao arcebispo de Madrid Dom Carlos Osoro, demostrando “estupor e grande indignação” caso isso se concretizasse. O mesmo fez um grupo de eurodeputados em carta enviada ao Papa.

Entre outros motivos, também muitos temem a concentração de franquistas na zona turística no coração de Madri, no aniversário da morte do Generalíssimo Franco em 20 de novembro.

Segundo o Executivo, somente a Igreja teria como impedir o sepultamento na Catedral. Por isso, o encontro no Vaticano.

A Guerra Civil espanhola entre 1936 e 1939 provocou mais de 500 mil mortes e deixou muitas feridas ainda abertas na sociedade espanhola. Franco governou a Espanha com mão de ferro até novembro de 1975.

 

 

30 outubro 2018, 17:21