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Editorial: O grande valor do “ouro azul”

Comemora-se neste sábado, 1º de setembro o 4º Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, instituído pelo Papa Francisco em 2015.

Silvonei José - Cidade do Vaticano

Na última quarta-feira o Papa Francisco recordou que neste sábado celebra-se o quarto Dia Mundial de Oração pelo cuidado da criação, "que - disse ele no final da audiência geral - celebramos em união com os irmãos e irmãs ortodoxos e com o adesão de outras Igrejas e comunidades cristãs ".

Na Mensagem deste ano, acrescentou, "gostaria de chamar a atenção para a questão da água, um bem primário a ser protegido e disponibilizado a todos. Sou grato – disse ainda - pelas várias iniciativas que em vários lugares as Igrejas particulares, os Institutos de vida consagrada e as agregações eclesiais prepararam. Convido todos a unirem-se na oração pela nossa casa comum, pelo cuidado da nossa casa comum".

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A proteção do que hoje é chamado de "ouro azul" está no centro da preocupação do Papa há algum tempo. Ao Workshop sobre a Água, organizado pela Pontifícia Academia das Ciências, em 24 de fevereiro de 2017, Francisco dizia: "Eu me pergunto se, em meio a essa 'terceira guerra mundial em pedaços' que estamos vivendo, não estamos indo em direção à grande guerra mundial pela água".

O direito de ter acesso a água potável e segura

O Papa enfatizava fortemente que "toda pessoa tem o direito de ter acesso a água potável e segura": de fato, trata-se de "um direito humano essencial e uma das questões cruciais do mundo atual". De um direito, mas também um dever de protegê-la. Francisco então pediu o compromisso dos Estados para garantir o acesso à água potável, lembrando a dramática cifra: mil crianças morrem todos os dias devido a doenças relacionadas à água.

Durante uma catequese na habitual audiência geral, ele já havia reiterado a importância da água que "nos dá vida" e que porém frequentemente é poluída. Assim, se corrompe a criação, porque o orgulho humano, explorando a criação, destrói. São Francisco de Assis chama a água de "irmã", recordava o Papa em uma mensagem dirigida ao encontro internacional sobre a água e o clima, organizado em outubro do ano passado em Roma.

“ O desejo de Francisco: encontrar maneiras de preservar esse bem precioso para o futuro da humanidade. ”

A demanda excede a oferta disponível

Não devemos esquecer que o Papa Francisco dedicou uma parte específica da Encíclica “Laudato si” à água. De fato, a água potável e limpa representa uma questão de importância primordial para a vida e os ecossistemas, e o problema é que, em muitos lugares, atualmente, a demanda excede a oferta disponível. O problema está acima de tudo na África e mais geralmente nas camadas pobres das populações, entre as quais se espalham doenças relacionadas à água.

Depois, há a questão da poluição das águas subterrâneas e a tendência em alguns lugares de privatizar esse recurso, transformando-o em uma mercadoria quando, na realidade, o acesso à água potável é um direito humano essencial.

Há também a questão do desperdício de água. São fortes as palavras do Papa que destaca como alguns estudos sinalizem para o risco de sofrer, em poucas décadas, uma aguda falta de água: "os impactos ambientais poderiam atingir bilhões de pessoas". Por sua vez, "é previsível que o controle da água por parte de grandes empresas mundiais se transforme em uma das principais fontes de conflito deste século".

Alterações climáticas dizem respeito à água

Sobre o tema da água é necessário um grande trabalho de consciencialização pública, que  muitas vezes é totalmente ignorado. Conscientizar não apenas sobre as questões que dizem respeito à nossa casa, à nossa cidade, ao nosso país, mas, de modo mais geral, sobre tudo que está relacionado à exploração e acesso à água no mundo. Não podemos esquecer que as consequências mais graves e devastadoras das alterações climáticas dizem respeito à água, em termos de disponibilidade quantitativa e qualitativa.

A água é um bem que se tornará cada vez mais raro, seja pelas mudanças climáticas, seja pelo aumento da demanda. É fácil imaginar que em todos os lugares do mundo, a água se tornou se tornará o motivo principal de interesses e conflitos. É legítimo se perguntar: se foram feitas guerras pelo petróleo, o que será feito então por um recurso tão vital como a água que está se tornando cada vez mais escassa nos dias de hoje?

01 setembro 2018, 08:00