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A renovação na Liturgia não surgiu no Concilio Vaticano II, mas já há 200 anos antes, sobretudo nas Abadias da Alemanha, Bélgica, Itália A renovação na Liturgia não surgiu no Concilio Vaticano II, mas já há 200 anos antes, sobretudo nas Abadias da Alemanha, Bélgica, Itália 

As origens da reforma litúrgica antes do Concílio Vaticano II

A reforma litúrgica trazida com a Constituição Sacrosanctum Concilium, teve sua origem já 200 anos antes de sua publicação, sobretudo nas Abadias da Alemanha, Bélgica, Itália.

Jackson Erpen - Cidade do Vaticano

No nosso espaço Memória Histórica – 50 anos do Concílio Vaticano II, vamos falar sobre "as origens da reforma litúrgica antes do Concílio¹".

No programa passado introduzimos as palavras do Papa Francisco dirigidas aos participantes da 68ª Semana Litúrgica Nacional italiana, em 24 de agosto de 2017, em que repassava as reformas introduzidas na liturgia a partir de São Pio X. Estas reformas  que são irreversíveis – reiterou o Papa - amadureceram mais tarde, como bom fruto da árvore da Igreja, com a Constituição Sacrosanctum Concilium sobre a sagrada liturgia.

Mas antes de aprofundarmos  as palavras do Santo Padre naquela ocasião, vamos conhecer um pouco as origens da reforma litúrgica antes do Concílio Vaticano II. Padre Gerson Schmidt:

 

"Um dos pioneiros no campo da purificação e renovação litúrgica – 200 anos antes da SC - foi sem dúvida o monge dom Guéranger, já em 1805, fundador e abade de Solesmes, que pretendeu fazer compreensiva a liturgia, no período que favorecia o abandono dos ritos regionais e a adoção do Rito Romano. Da mesma maneira que Newman, Moehler e Pusey, seus contemporâneos, Guéranger descobriu o valor transcendente do pensamento patrístico e sua extraordinária fecundidade para os cristãos de todas as gerações. Associou a este objetivo a restauração da música e a propagação do canto gregoriano. Dom Pothier (que viveu de 1835-1923), de Solesmes, trabalhou na reconstrução integral do oficio gregoriano. Publicou suas Melodias Gregorianas (1880) e o Líber Gradualis (1883).

As abadias de Beuron (1863) na Alemania, de Mont-César (1899) e de Maredsous (1872) na Bélgica, abriam – na época - novas perspectivas nas revistas e publicações, que influenciaram decisivamente para a restauração litúrgica eclesial, num movimento de renovação litúrgica pré-conciliar.

Em 1903, Pio X apresentou o gregoriano como "o modelo supremo da música sagrada", e deu instruções precisas que ele próprio qualificou como "código jurídico da música sagrada", mas não impediu que ele fosse usado na liturgia de música polifônica de acordo com as normas.  O Papa Francisco, há pouco, ainda recordava essa memória de renovação num encontro litúrgico da Itália.

Já nesse Pontificado de Pio X se realizou importante impulso de renovação litúrgica com a reforma do Breviário e do Missal Romano. Uma ideia resumia o pensamento de Pio X: “Não tem que rezar nem cantar durante a missa, mas tem que cantar e rezar a missa”. No século XX, o Papa reformava a liturgia e, de maneira especial, a música sagrada, que havia caído em matéria profana; reformou também o Breviário romano, reduziu o número de festas de preceito e, em 1911, reformando o calendário litúrgico e ordenando as regras sobre as controvertidas indulgências².

Em 1914 se publicou em Lovaina a obra A piedade da Igreja, de Lambert Beauduin, um beneditino de Mont-César (Lovaina), que conseguiu que todas estas disposições e inovações litúrgicas fosse assumidas e postas em prática na vida paroquial e diocesana. Este movimento foi completado por meio da Abadia de Maria Laach e pelos escritos de Pius Parsch (1884-1954) e do teólogo e liturgista Romano Guardini, contemporâneo do Concílio Vaticano II.

Com Jungmann, da Universidade de Innsbruck, a história da liturgia renovou seus métodos e facilitou com o estudo das fontes a renovação litúrgica que brilhará no Concilio Vaticano II.

Um outro fato histórico da reforma litúrgica se atribui a celebração, em 1918, na Abadia de María Laach (Alemanha) a primeira “missa comunitária” como missa dialogada. Tudo isso foi gérmen para que se culmina nos debates do Concilio Ecumênico Vaticano II, para se compilar constituição Sacrosanctum Concilium, o mais importante e decisivo documento litúrgico publicado até hoje, promulgado por Paulo VI".

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¹ Juan María Laboa - HISTORIA De LA IGLESIA IV Época Contemporánea, Biblioteca de Autores Cristianos, Madrid, 2002, pg. 261-263.

² [1] Idem, 279. 

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06 junho 2018, 08:50