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Vigília Pascal na Basílica de São Pedro Vigília Pascal na Basílica de São Pedro 

A importância da Vigília Pascal

Em 1951, o Papa Pio XII mandou celebrar a Vigília Pascal de novo como era nas origens, a saber, na noite do Sábado Santo para o Domingo da Páscoa. A reforma do Concílio Vaticano II a confirmou. O Catecismo da Igreja Católica, renovado a partir das mudanças do Concílio, acentua a importância da solenidade Pascal.

Jackson Erpen - Cidade do Vaticano

No nosso espaço Memória Histórica – 50 anos do Concílio Vaticano II, vamos continuar a falar sobre a reforma litúrgica, destacando no programa de hoje, a valorização da Vigília Pascal.

Estamos em plena Semana Santa - a “Semana Maior” para nós cristãos - e a reforma litúrgica trazida pelo Concílio Vaticano II, incidiu também na forma de celebrá-la. Recordamos que o Papa Pio XII já havia determinado que a Vigília Pascal voltasse a ser celebrada como o era nos primórdios, ou seja, na noite de sábado para o Domingo de Páscoa, o que foi confirmado pelo Concílio Vaticano II. Padre Gerson Schmidt:

"Faltam dois aspectos do 10 importantes pontos que escolhemos da Renovação Litúrgica a partir da Constituição Sacrosanctum Concilium: A Vigília Pascal e o Mistério Pascal. Embora uma única temática, separamos aqui pedagogicamente nosso comentário, devido à importância particular de cada um.

A VIGILIA PASCAL foi restabelecida por Pio XII, já antes do Concilio. Em 1951, o Papa Pio XII mandou celebrar a Vigília Pascal de novo como era nas origens, a saber, na noite do Sábado Santo para o Domingo da Páscoa. A reforma do concílio Vaticano II a confirmou.

Antes da reforma litúrgica da Semana Santa feita por Pio XII, a Vigília Pascal era celebrada durante o dia, destoando da primitiva tradição litúrgica. Para tanto, proporcionando o escuro que ainda hoje é requerido, tampavam as janelas das igrejas. Pelo século VII, anteciparam a celebração da Vigília pascal da noite do sábado para as 14h do sábado.

Posteriormente, a partir do século XVI, com o Papa Pio V, vemos a Vigília antecipada para mais cedo ainda, para as 9h da manhã do sábado – prática que vigorou até 1955[1]. Mas agora, tanto na forma nova quanto no rito antigo, é ordenado que a Vigília só seja celebrada à noite, pelo menos depois que o sol se ponha e antes de amanhecer o domingo.

Com isso se resgatou o valor e sentido supremos da Páscoa da ressurreição. A Vigília Pascal é a festa das festa, a Vigília das vigílias, a noite das noites. A Vigília Pascal é o centro de todas as Eucaristias e a fonte de todas as liturgias. Da noite da Páscoa, toda a espiritualidade da Igreja primitiva partia. Esta noite, a noite santa a noite sacramental, a noite do memorial do Cristo Ressuscitado dos mortos, é o centro de toda a Liturgia.

O Catecismo da Igreja Católica, renovado a partir das mudanças do Concílio, acentua a importância da solenidade Pascal: “Por isso, a páscoa não é simplesmente uma festa entre outras: é a “festa das festas”, “solenidade das solenidades”, como a Eucaristia é o sacramento dos sacramentos (o grande sacramento). Santo Atanásio a denomina “o grande domingo como a semana santa é chamada no Oriente “a grande semana”. O mistério da ressurreição, no qual Cristo esmagou a morte, penetra nosso velho tempo com sua poderosa energia até que tudo lhe seja submetido” (CIC, 1169).

Na noite da Vigília Pascal, os catecúmenos eram preferencialmente batizados, após uma preparação intensa catecumenal de 3 ou mais anos. Por isso, a celebração do batismo de adultos, dentro da vigília Pascal ainda é recomendada com insistência porque traduz essa realidade nova, do renascer da Páscoa. Somos, na verdade, todos filhos da Páscoa. Nascemos na noite santa da vitória de Cristo sobre a morte".

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[1] Liturgia em Mutirão: subsídios para formação/CNBB, 1ª edição, 2007, p. 29-31.

A importância da Vigília Pascal. Ouça!

 

28 março 2018, 12:23